Como muitos de nós utilizamos os serviços da empresa Google para diversas atividades (acadêmicas e pessoais), tomo a liberdade de compartilhar com vocês um artigo que acabamos de publicar na Revista Mediações. Trata-se de um estudo exploratório sobre a utilização dos serviços Google por universidades brasileiras e instituições da educação básica. Procuramos investigar e discutir alguns problemas que consideramos relevantes em termos dos efeitos da adoção de ferramentas de uma empresa internacional sobre o sistema de produção e circulação de conhecimento científico, bem como os possíveis efeitos relativos à privacidade e economia informacional.

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Graças ao convite de Javier de Rivera – editor da Revista Tecknokultura  e coordenador do Máster em Comunicação, Cultura e Cidadania Digital – pude acompanhar uma “Jueves Tecnopolíticas”, atividade promovida pelo Hacklab da Ingobernable.

Este Hacklab está bem ativo no terceiro andar desta recente ocupação urbana. A Ingobernable surge da ocupação de um grande edifício público que estava a ponto de ser cedido para um empreendimento privado. Diversos coletivos de Madrid que atuam no campo dos Comuns Urbanos, tomaram o edifício que estava vazio há muitos anos para reivindicar um outro uso para este edifício. Sob autogestão passaram a realizar diversas atividades públicas no seu interior e a cuidar da manutenção do espaço . Tal ocupação gerou uma nova camada de tensões entre o governo municipal e diversas organizações e movimentos que estão num campo de alianças de base da atual gestão da prefeita Manuela Carmena, do Ahora Madrid.  Noutra ocasião, farei um post mais detalhado sobre essa experiência, pois ainda conheço muito pouco de sua experiência.

Nesta quinta, acompanhei a apresentação e discussão “El proyecto Buen Conocer: Los comunes contra el capitalismo cognitivo“, conduzida por Daniel Vazquez, um dos principais realizadores do projeto Buen Conocer – FLOK Society no Equador. A iniciativa “Buen Conocer” foi desenvolvida durante o governo do Presidente Rafael Correa e visava criar estratégias de promoção do desenvolvimento nacional da economia social do conhecimento. No campo das políticas de educação, cultura, ciência e tecnologia, visava atacar as novas formas de expropriação de valor e transferência de riqueza promovidas através dos sistemas internacionais de propriedade intelectual, da hegemonia de infraestruturas de comunicação e softwares proprietários estrangeiros, bem como na área de produção de hardwares. O projeto parte de uma ampla pesquisa colaborativa que produz um diagnóstico sobre a economia do conhecimento no Equador e sua forma de inserção na economia global, procurando identificar formas de inversão e desenvolvimento local com base na filosofia do “buen conocer”. Em síntese, trata-se de identificar estratégias para a promoção de novas cadeias produtivas para o desenvolvimento local através do conhecimento livre, aberto e cooperativo aplicado às diversas fases da produção (desde a formação técnica-profissional até a produção e comercialização).

A apresentação completa do Daniel está disponível aqui: Presentacion FLOK

Um importante livro produzido pelo FLOK, sistematizando todo o percurso de investigação dos primeiros anos do projeto está disponível aqui: Livro FLOK

Algumas imagens da atividade na Ingobernable aqui: Fotos

PS: este post é parte da série de relatos que irei realizar durante o período de pós-doc em Madrid. Mais informações sobre o projeto atual: http://wiki.pimentalab.net/index.php?title=Projetos_Pesquisa

 

prosumer

fonte imagem: https://rahulnambiar.files.wordpress.com/2009/03/prosumer.jpg

Hoje, é importante mas não suficiente a luta pela superação do modelo de democracia representativa em vigor, das relações personalistas e espetaculares na política, do poder das corporações e do capital financeiro, das máquinas partidárias e midiáticas, para ir além do conflito dicotômico “não vai ter golpe” X “impeachment”. Ao mesmo tempo, é igualmente necessário superar as práticas de democracia participativa que, a despeito do convite à abertura e à inclusão cidadã, já definem de antemão os lugares e funções a serem desempenhadas.

Analogamente ao capitalismo contemporâneo, tal modelo de participação sabe muito bem conjugar os modos de sujeição social e de servidão maquínica. Na sujeição social somos sempre inscritos sob uma identidade, um “eu” a partir do qual um categoria política de pertencimento define a medida e a função que podemos estabelecer com os objetos (o limite de um direito, o valor do trabalho, o peso de nossos votos etc). Na servidão maquínica, de maneira complementar, participamos do processo como peças numa máquina em que a própria distinção sujeito-objeto, produtor-consumidor, já não faz mas sentido. Nesta segunda dimensão, nossas ações, nossos afetos, cognição, conhecimento, relações…são postas a trabalhar para a mesma máquina de produção de valor (seja de capital, seja de legitimação política), sem que sejamos propriamente “singulares”. É algo de nosso ser pré-individual e supra-individual que participa da servidão maquínica para, uma vez engajado e produtivo, ser novamente capturado (agora como indivíduo) pela sujeição social.

Talvez o mais difícil seja justamente superar esta nova forma de poder e condução da vida.

Produzir uma nova subjetivação política exige que sejamos capazes de reconhecer e reconfigurar este agenciamento maquínico. Se, desde o início, as ações foram inscritas na articulação dessa dupla dinâmica (sujeição social e servidão maquínica), muito dificilmente ela será capaz de transbordar. Os novos sujeitos políticos não surgem ali onde o espaço e as funções estão programadas. É por isso que nos ultimos tempos sempre fomos surpreendidos pela força política que brotava de onde ninguém esperava.

“Desejar significa agir longe do equilíbrio” (Lazaratto). Felizmente, não somos capazes de programar onde ele irá emergir. O melhor que se pode fazer (nesta parcial perspectiva de ação) é, talvez, multiplicar as situações onde ele seja mais possível, de forma que as potências liberadas da servidão maquínica não sejam recodificadas e reterritorializadas pela sujeição social e possam, noutra direção, ensejar individuações mais emancipatórias.

Estruturas verticais, vanguardas ou celebridades não vão convocar a multidão. No melhor das hipóteses, só as massas responderão. Claro, no contexto atual, as massas estão sendo convocadas para barrar o golpe político em curso, e isso parece ser uma parte importante do processo. Todavia, acreditar que o jogo possa se resumir a esta forma de conflito, pode significar a perda de uma oportunidade histórica de invenção democrática.

Ativismo, cultura e tecnologia

As potencialidades das novas tecnologias, as novas formas de ativismo, o capitalismo contemporâneo e o modo como as atividades culturais articulam-se a essas dimensões

Mais informações: http://emmarcha.milharal.org

Visualização Online do Livro

Donwload – livro – MOVIMENTOS-EM-MARCHA-livro

 

 

 

 

Faço um breve comentário em reação à uma notícia veiculada no Estado de S.Paulo neste domingo (29.04.2013, p.B11): “Brasil quer emplacar a caxirola como herdeira da vuvuzela”. No artigo temos bons indicadores do atual modelo brasileiro de desenvolvimento e inovação.

Seguindo o exemplo das vuvuzelas de plástico, utilizadas na Copa da África do Sul, o governo quer lançar um instrumento símbolo da sua copa.
O músico Carlinhos Brown criou as caxirolas, inspiradas no ancestral caxixi. Segundo a reportagem as caxirolas “foram chanceladas pelo Ministério dos Esportes e pela Fifa como instrumento oficial das Copas as Confederações e do Mundo”.

Este é nosso modelo de inovação! “Chancelada” e “oficial” significa que tanto o governo quanto a Fifa (que atualmente tem superpoderes de governo transnacional) conferem o direito de monopólio de exploração comercial de certos produtos por eles selecionados como símbolos (marca) Copa. Em termos econômicos, funciona de maneira assemelhada a uma patente industrial. Porém, com possibilidades de ganhos ampliados, pois trata de bens imateriais e culturais. No caso da caxirola, somente a empresa mutinacional (conforme a reportagem) The Marketing Store poderá fabricá-la e distribuí-la. A matéria-prima das caxirolas é um tipo de plástico “verde” feito a base de cana-de-açucar será fornecido por uma empresa específica (Brasken).

Com isso, qualquer outro fabricante e comerciante de produtos assemelhados à caxirolas, diferente daqueles escolhidos para este consórcio, poderão ser eventualmente tipicados como “falsificadores” ou “piratas”. Estamos diante das novas capitanias hereditárias da economia do conhecimento. Não é novidade a maneira como a Fifa, em época de Copas, pressiona os governos nacionais pela aprovação de legislações específicas sobre o regime de propriedade intelectual, bem como leis de exceção que deverão vigorar durante o período dos jogos.

Por fim, as empresas deverão pagar a Carlinhos Brown um valor ainda não definido referente aos royalties da invenção (sabe-se lá porque razão foi o projeto de Brown o que fora eleito). Vemos aí um exemplo do novo tipo de cercamento que agora vem colonizar e monetarizar o mundo livre da cultura. Os novos empresários e gerentes da cultura capturam e redesenham aquilo que pertencia a todos como um bem comum. Em seguida, mediante sua inserção em circuitos econômicos-jurídicos específicos transforma-o em matéria rara, bem escasso, e como propriedade privada adquirem o direito de monopólio sobre sua exploração comercial. Num instante, todo uma cultura ancestral difusa e integrada à vida social se objetifica como “inovação” que pertence a poucos. Brinquei com um amigo: “tome cuidado ao levar seu caxixi para os jogos da copa! Ele pode ser confiscado por pirataria e seu mestre de capoeira enquadrado como falsificador!”

Não seria o caso de colocarmos este modelo de pernas para o ar? Se o governo esta interessado em criar um símbolo, bem poderia indicá-lo e deixa-lo livre, como são os símbolos, ao invés de transforma-lo em propriedade privada. Esta seria uma alternativa de redução desta situação absurda, mas ainda dentro de um modelo econômico que se preocupa com o PIB. Diversas fabricantes nacionais poderiam produzi-lo, diversos comerciantes locais poderiam distribuí-lo e aquelas corporações interessadas em fazer o produto circular em “outras esferas” (produtos especializados para consumidores endinheirados) poderiam recolher uma taxa específica cujos recursos poderiam ser destinados ao apoio de milhares de escolas de capoeira e grupos culturais espalhados pelo País.

Reproduzo abaixo carta da Profa. Dra. Rita Cruz (Coord. do Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da FFLCH/USP) sobre a  proposta de alteração regimental na pós-graduação da USP.

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Universidade Classe Mundial: paradoxos de um pensamento ao mesmo tempo neoliberal e neocolonialista

Como é do conhecimento de todos, estamos vivendo um processo de reformulação do Regimento Geral da Pós-Graduação da USP. Conforme declarações públicas da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, as mudanças propostas fazem-se necessárias no sentido de transformar a USP em uma Universidade Classe Mundial.
Todavia, o que nos tem inquietado a muitos, alunos e professores da USP, diz respeito à pertinência/necessidade de algumas das mudanças anunciadas, entre as quais se pode destacar:
  1. exame de qualificação obrigatório para todos os alunos da pós-graduação, a realizar-se em até 12 meses de seu ingresso;
  2. exclusão da possibilidade de re-apresentação do Relatório de Qualificação no caso de reprovação;
  3. necessidade de parecer prévio por escrito, para teses de doutorado, podendo o candidato/aluno ser impedido de defender publicamente seu trabalho no caso de a maioria dos pareceres escritos indicar inaptidão à defesa;
  4. orientador sem direito a voto nas bancas examinadoras finais.
A principal argumentação utilizada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação para justificar tais mudanças é a referência a IES [instituições de ensino superior] estrangeiras, as quais têm modus operandi similares ou iguais a este que se propõe hoje para o Regimento da Pós-Graduação da USP, ressaltando-se o fato de que tais Instituições são melhores ranqueadas internacionalmente que nós. Naturalmente, não ignoramos o fato de que há muitas experiências vividas em outros lugares no mundo, no campo científico e acadêmico, passíveis de serem assimiladas por nós de forma positiva, ou seja, produzindo-se aqui, em nosso contexto social, econômico, político e geográfico, as mesmas benesses que produziram em seus lugares de origem.
(CONTINUAR LEITURA)
“Antagonismo social, precariedade e classe criativa no capitalismo cognitivo” – palestra com o economista Yann Moulier-Boutang.

O evento foi partr do Acta Media 9 In-Serto : Simpósio Internacional de Artemidia e Cultura Digital (13, 19, 20.09.2011 e 04.10.2011). ECA-USP e EACH-USP. Coordenação: Artur Matuck e Pablo Ortelado.

Slides da Palestra do prof. Yann que generosamente partilhou conosco: PDF

Video da apresentação está disponível no IPTV-USP neste link

Das 16hs às 19:30hs no Campus Guarulhos – Bairro dos Pimentas.
Textos para discussão


Sugestão de prioridade:

(1) Laymert Garcia dos Santos e Pedro Peixoto, A Regra do Jogo: desejo, servidão e controle, 2008. Disponivel: http://pedropeixotoferreira.files.wordpress.com/2010/05/garciadossantoseferreira_2008_a-regra-do-jogo_villares.pdf

(2) Mauricio Lazaratto, Sujeição e Servidão no capitalismo contemporâneo. Cadernos de Subjetividade, PUC-SP, 2010. PDF

(3) Pedro Peixoto (2011) Por uma definição dos processos tecnicamente mediados de associação: http://blog.pimentalab.net/files/Pedro-Teixeira-Processos-Tecnicamente-Mediados-Associacao.pdf

Complementos empíricos para o debate atual:

Declaración para la Creatividad Sostenible

Reportagem da Revista Pesquisa FAPESP: Menos transpiração e mais inspiração: a economia criativa pode ser a nova forma de mudança no perfil da produção das cidades

Das 16hs às 19:30hs no Campus Guarulhos – Bairro dos Pimentas.

Local: Ponto de encontro – Café/Cantina do Campus um pouco antes das 16hs.
Textos do debate empírico

Cronologia completa do debate: novo ativismo, esquerda e economia da cultura – http://blog.pimentalab.net/2011/07/01/cronologia-debate-novo-ativismo-esquerda-e-economia-da-cultura/
Referências teóricas para alimentar o debate:

-Ursula Huws Expression and expropriation: The dialectics of autonomy and control in creative labour Ephemera , theory & politics in organization . Volume 10(3/4): 504-521. Disponível: http://www.ephemeraweb.org/journal/10-3/10-3huws.pdf

-Briam Holmes: La Personalidad Flexible. Disponível: http://eipcp.net/transversal/1106/holmes/es

Recebi por email a seguinte compilação (omiti o email do emissor apenas para evitar spams).

Obrigado ao Danilo!!


CRONOLOGIA DO DEBATE (até 10/08/2011)

1. 17/6/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “A esquerda
fora do eixo” (http://passapalavra.info/?p=41221).

2. 21/6/2011, nos comentários do PassaPalavra, Cláudio Prado (Casa de
Cultura Digital) posta o seguinte texto:
http://coletivope-de-cabra.blogspot.com/2011/06/texto-do-claudio-prado-sobre-o-fora-do.html.

3. 22/6/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “Domingo na
Marcha (1ª Parte)” (http://passapalavra.info/?p=41431).

4. 22/6/2011, no blog Trezentos, por Ivana Bentes - “A esquerda nos
eixos e o novo ativismo” (http://www.trezentos.blog.br/?p=6056).

5. 23/6/2011, por Pablo Ortellado em seu próprio blog - “Capitalismo e
Cultura
Livre”(http://www.gpopai.org/ortellado/2011/06/capitalismo-e-cultura-livre).

6. 23/6/2011, por Fabricio KC em seu próprio blog (Antitextos) - “Nem
esquerda, nem direita, nem Fora do Eixo! Ivana Bentes e o texto do
Passa Palavra”
(http://fabriciokc.wordpress.com/2011/06/23/nem-esquerda-nem-direita-nem-fora-do-eixo-ivana-bentes-e-o-artigo-do-passa-palavra/).

7. 25/6/2011, por Frederico Neto, no site Produtor.info - “Entre os
problemas mais gritantes, Ivana Bentes destaca…”
(http://infoprodutor.wordpress.com/2011/06/25/entre-os-problemas-mais-gritantes-ivana-bentes-destaca/).

8. 26/6/2011, no blog Trezentos, por Henrique Parra e Gavin Adams -
“Nem eixo nem seixo” (http://www.trezentos.blog.br/?p=6070) e
(http://blog.pimentalab.net/2011/06/27/nem-eixo-nem-seixo/)

9. 26/6/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “Domingo na
marcha (2ª Parte)” (http://passapalavra.info/?p=41710).

10. 28/6/2011, circula na lista da Marcha da Liberdade, texto já
impresso na Revista Fórum, por Rodrigo Savazoni - “A Reinvenção da
Política”(http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=9252).

11. 28/6/2011, por Renato Rovai em seu blog da Revista Fórum – “Fora
do Eixo e a esquerda que a direita gosta”
(http://www.revistaforum.com.br/blog/2011/06/28/fora-do-eixo-e-a-esquerda-que-a-direita-gosta/).

12. 29/6/2011, no blog Razão Crítica, por Elton Flaubert – “Lutas
Sociais e Feitichismo: notas sobre o debate iniciado pelo Passa Palavra
(I)”(http://razaocritica2.blogspot.com/2011/06/lutas-sociais-e-fetichismo-notas-sobre.html).

13. 29/6/2011, no blog Quadrado dos Loucos, por Bruno Cava – “Sair dos
eixos à esquerda (I)”
(http://www.quadradodosloucos.com.br/1612/sair-dos-eixos-a-esquerda-1/).

14. 29/6/2011, no blog do Coletivo DAR, por Henrique Carneiro - “A
Maconha, as marchas e a crise do capitalismo”
(http://coletivodar.org/2011/06/a-maconha-as-marchas-e-a-crise-do-capitalismo-texto-de-henrique-carneiro/).

15. 29/6/2011, por Fabricio KC em seu próprio blog (Antitextos) – “Por
um pós-rancor menos pós-rebelde!”
(http://fabriciokc.wordpress.com/2011/06/29/por-um-pos-rancor-mais-rebelde/).

16. 29/6/2011, no blog Matutações, Gustavo Loureiro resgata o seguinte
texto - “isso funciona (…) respira (…) come (…) caga (…) fode”
(http://matutei.wordpress.com/2011/06/29/%E2%80%9Cisso-funciona-respira-come-caga-fode%E2%80%9D/).

17. 29/6/2011, no blog O Grito do Inimigo, por Eduardo Mesquita –
“Discussão ou invejinha? Escolha quem lê”
(http://ogritodoinimigo.com/?p=1007).

18. 30/6/2011, no blog Roraima Rock N Roll, por Wander Longhi - "Tudo
que gira FORA DO EIXO um dia quebra"
(http://roraimarocknroll.blogspot.com/2011/06/tudo-que-gira-fora-do-eixo-um-dia.html).

19. 01/7/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “Domingo
na Marcha (3ª Parte)”  (http://passapalavra.info/?p=41866).

20. 03/7/2011, no blog Razão Crítica, por Elton Flaubert – “Lutas
Sociais e Feitichismo: notas sobre o debate iniciado pelo Passa Palavra
(II)”(http://razaocritica2.blogspot.com/2011/07/lutas-sociais-e-fetichismo-notas-sobre.html).

21. 03/7/2011, no blog Quadrado dos Loucos, por Bruno Cava –
“Pós-modismo Pós-festivo (2)”
(http://www.quadradodosloucos.com.br/1644/pos-modismo-pos-festivo-2/).

22. 04/7/2011, no blog Trezentos, por Quã - "A esquerda sem fantasias:
justiça e solidariedade" (http://www.trezentos.blog.br/?p=6126).

23. 05/7/2011, no PassaPalavra, texto de Leo Vinicius - “A Marcha
posta a trabalhar”  (http://passapalavra.info/?p=42054).

24. 08/7/2011, no blog Razão Crítica, por Elton Flaubert – “Lutas
Sociais e Fetichismo: notas sobre o debate iniciado pelo Passa Palavra
(III)”(http://razaocritica2.blogspot.com/2011/07/lutas-sociais-e-fetichismo-notas-sobre_08.html).

25. 08/7/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “Domingo
na Marcha (4ª Parte)”  (http://passapalavra.info/?p=42227).

26. 10/7/2011, no Quadrado dos Loucos, texto de Bruno Cava - "Dormindo
na Marcha (3)"
(http://www.quadradodosloucos.com.br/1691/dormindo-na-marcha-3/)

27. 15/07/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “Domingo
na Marcha (5ª Parte)”  (http://passapalavra.info/?p=42544).

28. 17/07/2011, no Diário Liberdade, texto do próprio coletivo -
"Política, Subjetividades e Entrelinhas"
(http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=17638:politica-subjetividades-e-entrelinhas&catid=59:institucional&Itemid=73)

29. 19/7/2011, no Ver-o-Pop, entrevista com Cláudio Prado -
"Entrevista especial e revolucionária com Claudio Prado"
(http://ver-o-pop.ecleteca.com.br/2011/07/19/entrevista-especial-e-revolucionaria-com-claudio-prado/)

31. 23/6/2011, no Blog Produção de Cultura no Brasil - da Tropicália
aos Pontos de Cultura, texto do próprio blog - "Das redes às ruas: e
agora, o que fazemos com isso?"
(http://tropicaline.wordpress.com/2011/06/23/515/)

32. 04/08/2011, na Caros Amigos, texto de José Arbex Júnior -
"Lulismo Fora do Eixo": Artigo completo aqui:
http://www.controversia.com.br/index.php?act=textos&id=9741

33. 08/8/2011, no Blog Produção de Cultura no Brasil - da Tropicália
aos Pontos de Cultura, texto do próprio blog - "Das redes às ruas :
questões locais para conexões globais"
(http://tropicaline.wordpress.com/2011/08/08/das-redes-as-ruas-questoes-locais-para-conexoes-globais/)

Quem tiver outras referências pode completá-las na área de comentários e depois juntamos todas

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Foto: Marcha da Liberdade, Av.Paulista – São Paulo, 18 de junho de 2011.

Nem eixo nem seixo  [1]

por Henrique Parra e Gavin Adams [2]

Nas últimas semanas e, com maior intensidade logo depois da Marcha da Liberdade (18/06), cresceu um interessante debate em torno das formas de organização social e ação política presentes nessas recentes manifestações. Essas formas de organização ganharam visibilidade aguda no presente debate, mas têm sido desenvolvidas ao longo de vários anos de experimentação militante e sensível. A discussão segue de maneira animada em alguns artigos publicados na Internet. Começamos escrevendo este texto numa troca de emails, mas ele acabou virando este post. Esperamos que contribua para o debate.

Parece-nos que as questões colocadas pelo debate indicam que tanto a reflexão teórica quanto a prática política compartilham um limite comum frente às urgências que têm aflorado no real. Como resultado, na ausência de condições (tanto teóricas como políticas) para que as análises dêem conta da complexidade do problema, as ferramentas analíticas parece que se tornam prisioneiras dos projetos políticos dos sujeitos que estão enunciando e problematizando os “fatos”. Estamos diante de uma fronteira em que as soluções interpretativas apontadas para os problemas empíricos observados são indissociáveis dos pressupostos que pré-configuram o campo político, e que atribuem (de maneira mais ou menos positiva) a agência e o protagonismo político a determinados grupos sociais. Nos debates que estão acontecendo em artigos públicos, listas de discussão e boas conversas de botequim, diferentes argumentos são mobilizados. Neste pequeno comentário, vamos distribuí-los em dois campos, bem representados pelos artigos do Passa Palavra e da Ivana Bentes, apenas para tornar o problema mais visível.

O que primeiro chamou a atenção é que em ambos os casos a análise não pode ser separada de uma vontade/desejo de fazer realizar um certo projeto político, seja a luta de classes em seu porvir revolucionário; seja a multiplicidade sem totalidade de devires de resistência criativa.

Algo está em movimento. A nítida sensação de que algo está a mudar, parece animar o presente debate. Ao esgotamento de tradicionais formas de organização e ação políticas parecem corresponder novas formas de ser e sentir, de trabalhar e morar que não encontram expressão nessas formas tradicionais. Mas, por outro lado, estas transformações parecem se concretizar em configurações específicas de trabalho, de subjetivação, de consumo, de existir e de sentir. A interpretação potencializadora desses fluxos geraria vantagem organizativa que permitiria o crescimento estratégico como que à sombra da velha hegemonia, que carece do instrumental de mesmo apreender o que está em movimento – potencialmente, sua própria destruição, ou pelo menos sua transformação libertária profunda (ou ainda a instrumentalização e aprisionamento das potencialidades para fins de manutenção do capitalismo).

O artigo do Passa Palavra apresenta amplas contribuições para a problematização da atual conjuntura política. Aqui, concentramo-nos em apenas alguns aspectos. Neste artigo, critica-se este conjunto recente de manifestações públicas pois ele não apresenta os componentes esperados de uma ação política potencialmente emancipatória (o que vem a ser essa emancipação já é um problema para a discussão). Denunciam ainda a emergência de mecanismos de exploração econômica e relações de dominação no interior das redes aparentemente horizontais e democráticas (coordenadores, administradores ou produtores como expressão da emergência de uma nova classe gerencial?); e apontam possíveis processos de captura da energia política dessas mobilizações por novos grupos sociais (aparelhamento?). O argumento procede assim: parte-se de uma análise econômica das transformações recentes do capitalismo e se identifica a elas um setor ligado à comunicação. Este setor é composto de gerentes que, compreendendo os novos mecanismos da rede, se interpõem como intermediários entre os trabalho coletivo e sua comercialização. O artigo amplia esta análise para manifestações como a Marcha da Liberdade, julgando-as expressões dessa nova casta de gerentes comunicacionais que agenciam corpos alheios em redes produtivas. No sistema analítico mobilizado pelo Passa Palavra, a forma e a dinâmica do conflito e de seus sujeitos já está dada a priori. A análise não abre mão da economia como gerador de protagonismos socias, e já se sabe qual é a luta relevante a esse tipo de análise e onde se deseja chegar, faltando apenas encontrar ou produzir tais sujeitos (classes populares? novo operariado?) para que a luta aconteça na direção esperada. O texto sugere equivocadamente que o ativismo atual em geral seja a exata expressão do novo capitalismo (open business etc.), ignorando extensa e diversa experiência militante anticapitalista envolvida em formas mais complexas de interação com a produção capitalista [3].

O artigo da Ivana Bentes, por sua vez, critica alguns pressupostos teóricos do artigo do Passa Palavra ao propor que sejam prisioneiros de uma “imagem do pensamento” (para ficarmos no vocabulário deleuziano) que condiciona suas análises, impossibilitando-os de enxergar o novo, suas aberturas e potencialidades. É possível se sentir contemplado pelos diagnósticos agudos proporcionados pelo partido teórico que informa a crítica realizada por Ivana. Porém, temos a impressão que as posições manifestas em seu artigo (são posições teóricas partilhadas por muitos interlocutores) acabam caindo, no âmbito deste debate local, numa armadilha semelhante à que eles querem denunciar.

Deste ponto de vista, o grupo que está no centro das discussões (Fora do Eixo – FdE) seria um bom exemplo das novas formas de luta e de organização social no atual contexto do modo de produção capitalista (capitalismo cognitivo, capitalismo imaterial etc). Em suma, tanto este grupo como outras iniciativas envolvidos nessas várias manifestações no Brasil poderiam ser tomados como expressão da emergência de novos sujeitos políticos (precariado, cognitariado?). Certamente, o problema não é caso tomado como exemplo (FdE), mas deve remeter a um contexto sócio-histórico mais amplo.

Tem sido frequente na grande imprensa e na Internet a tentativa de se estabelecer aproximações “identitárias” entre essas movimentações do Brasil com outras da Espanha, Tunisia e Egito, dentro do impulso de nomear o novo e o inominável, domando e controlando pelo discurso, reduzindo estas formas a formatos esperados e de antemão presos à análise política jornalística. Há, todavia, diferenças evidentes entre o contexto social, econômico e politico do Brasil com esses países e, também, no perfil do público jovem que protesta aqui e nesses países. Ao tentar interpretar esses movimentos recentes a partir dessas categorias, e ainda, ao conectá-los culturalmente (e ideologicamente) aos levantes árabes e protestos europeus, não estaríamos diante de uma análise que produz um real à semelhança de um projeto político que se deseja ver realizado? Assim, ao invés de buscar uma forma em vias de se realizar, talvez, o mais interessante, seja buscar as “zonas de vizinhança” entre esses acontecimentos.

Portanto, em que medida tal análise que se pretende “imanente” (pela evidente vinculação teórica, que alias apreciamos parcialmente) não acaba por restabelecer um télos que pretendia negar? Neste caso, ao contrário das posições traduzidas no artigo do Passa Palavra, no artigo da Ivana Bentes o argumento procede da seguinte forma: sabe-se quem são os sujeitos políticos, sabe-se quais são suas formas de ação (a resistência pela multiplicidade, a luta das minoridades (que não se confunde com as minorias…) sendo necessário produzir e dar forma à sua luta política (não representativa, não unitária, não totalitária).

Há ainda um outro ponto em comum a partir do qual as diversas posições sobre o problema estão gravitando: a categoria trabalho. De um lado (Passa Palavra), o diagnóstico aponta que o trabalho e sua racionalidade de tipo capitalista dominou todas as esferas da vida, material e subjetiva, e isso efetiva a opressão e a super-exploração. De outro, o trabalho nas sociedades contemporâneas, mediante a ganho de centralidade do capitalismo imaterial, tornou-se cada vez mais “comunicacional”, diluindo as antigas dicotomias que definiam as fronteiras entre: trabalho e de não-trabalho; autonomia e heteronomia; emancipação e exploração, entre outras. Mas, ao mesmo tempo, sob esta perspectiva (do capitalismo cognitivo) seria possível enunciar outras possibilidades de luta e criação politica (as lutas pelo comum).

Interessamo-nos por ambas as posições e estamos animados com a possibilidade que temos de colocá-las em confronto a partir de um problema empírico que se apresenta diante de nós. Duvidamos, entretanto, que os problemas enunciados neste debate tenham respostas fáceis ou prontas. O momento parece exigir, simultaneamente, a prudência e a ousadia de ouvir com atenção e desconfiança o canto das multidões e das sereias. Talvez, o mais produtivo seja realizar um esforço para caracterizar e descrever quais são os problemas que estão colocados na mesa por ambas e outras perspectivas. Inevitavelmente, tal percurso irá interrogar tanto nossos pressupostos como as visões de futuro que inspiram o pensamento. Tal tarefa é necessariamente coletiva, e já está sendo realizado em diversos lugares por muitas pessoas. Assim, limitamo-nos a lançar alguns pontos que podem ajudar a dar visibilidade à encruzilhada, à fronteira do indistinto. É neste ponto que estamos, onde teoria e prática política estão se reinventando. Diriamos que a Política é exatamente este conflito pela definição das fronteiras do indistinto.

Que outros pontos poderiam entrar nesta lista? É preciso discuti-los:

  • Política e Trabalho: este binômio aparece sob diferentes formas (e.g. liberdade x necessidade). Fazer política no reino do trabalho? Ou a política só é possível fora da esfera das necessidades? Trabalho como meio ou fim para a livre criação? Talvez os artistas respondem essa pergunta de maneira diferente dos metalúrgicos, mas a coisa fica mais complicada quando aparentemente algumas qualidades do trabalho criativo passam a ser solicitadas em outras esferas. Tal problema aparece também nas tensões entre o livre ativismo e as necessidades de sustentabilidade financeira dos movimentos: relação financeira X política efetiva. Trabalhamos o ano inteiro e vamos fazer revolução nas férias? Ou tentamos trabalhar fazendo as micro-resistências cotidianas? Ou reduzimos o trabalho para ter tempo livre pra fazer política? Enfim, qual o lugar da política? Essa questão está sendo respondida de diferentes formas.

  • Capitalismo Imaterial (pós-fordismo) e Capitalismo Material: é relativamente fácil de constatar que muitas coisas mudaram na economia e nas relações de trabalho nos últimos 30 anos. O difícil é confirmar o que mudou e o que persiste, reexiste. Quais as continuidades e transformações? Elas se dão da mesma forma nos diferentes países? Pode-se afirmar que houve um certo deslocamento e crescente importância do chamado trabalho imaterial para a produção de valor monetário. As guerras sobre a propriedade intelectual refletem isso em certa medida. Ao mesmo tempo, é curioso observar, por exemplo, a atual disputa geopolítica por terras cultiváveis, pela água e pelos minérios raros. Como diz um amigo, “é preciso fazer as contas” e refletir se e onde se dá a exploração, e julgar se abandonar essas ferramentas como obsoletas não interessa apenas àqueles que desejam rearticular essas relações de exploração dentro de um ambiente de rede. Diríamos que, além de fazer as contas, teremos que enfrentar um inescapável problema teórico e político pela definição do que entra ou não na contabilidade.

  • Esgotamento do modelo de representação política (partidos políticos, sindicatos etc): em que pese a crescente descrença nos partidos políticos (ha sempre uma pesquisa disponível pra mostrar como os jovens não se vêem representados nos partidos) estão surgindo novos partidos no Brasil. Curiosamente, alguns grupos que criticam esta forma de representação estão criando iniciativas que apontam para um possível devir-partido (Partido da Cultura, Partido Pirata…). Os sindicatos, ainda que inseridos em dinâmicas de burocratização e relativamente atrelados aos governos, são atores relevantes e também sob disputas internas. No momento, o emprego formal cresce no Brasil. Veremos novas estruturas de representação emergir? Como combinar a luta por direitos (que implicam em mecanismos de institucionalização) com a luta pela crescente expressão das diferenças e minorias (não-numéricas, mas aquilo que não é hegemônico)? Uma lei sempre define um dentro e um fora? Velhas questões que continuam atuais e respondidas de formas diversas…

  • Trabalho e não trabalho; trabalho colaborativo e novas hierarquias: onde está a fronteira? Por exemplo, quando a livre formação contínua (acesso à cultura) é indistinta da formação para o trabalho como ficam os problemas relativos à reprodução do trabalho? E como fica a distribuição do trabalho e a apropriação dos valores gerados a partir do trabalho colaborativo? Onde começa e termina a colaboração e a exploração? Será que faz sentido falar em exploração nesses contextos? (claro que não estamos falando das condições neo-fordistas dos info-proletários).

  • Projeto(s) político(s): não se trata de ter um projeto politico (felizmente não há um), mas isso não significa que não exista projeto algum! Afinal, quais são os projetos e horizontes políticos que estão silenciosamente guiando nossas reflexões e práticas? Nesta atual encruzilhada teórica e política seria falso dizer que nossas análises não estão sendo informadas por tais projeções. Há, em boa parte dos grupos ativistas envolvidos nessas mobilizações, um discurso atualizado da luta e dos modos de organização não-institucional. Não se trata de restabelecer processos pré-determinados ou totalidades preestabelecidas, mas isso não significa pensar a prática política apenas em seus momentos instituintes, reduzida só ao acontecimento efêmero. Diversas linhas de ação, do final dos anos 60 e mesmo os movimentos anticapitalistas do ciclo Seatle, formaram-se num horizonte de práticas criativas, não-institucionais e sem grandes metanarrativas ou projetos finais que orientassem suas ações. Entretanto, passado os momentos disruptivos quais eram as iniciativas que emergiam e ofereciam condições de respostas organizativas à sociedade? Há boas lições dessas iniciativas. Como articular as novas formas de luta, a potencia criativa, os momentos instituintes com as dinâmicas que exigem maior duração e organização no tempo-espaço?

Novamente, são esses e outros (quais outros?) problemas/dilemas que estão na mesa, gerando diferentes respostas e influenciando as possíveis formas de organização social e luta política. Descrever, cartografar, analisar, problematizar essas situações e fazê-lo de forma compartilhada é uma tarefa relevante se quisermos ultrapassar as pequenas divisões e os conflitos que hoje enfraquecem esses movimentos.

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[1]  O texto dialoga, em especial, com dois textos. Recomenda-se a leitura de ambos:

A esquerda fora do eixo – foi publicado como editorial no Passa Palavra [www.passapalavra.info].

A Esquerda nos Eixos e novo ativismo – de Ivana Bentes, publicado no Trezentos [www.trezentos.blog.br].

[2] Henrique Parra: polart [arroba] riseup.net ; Gavin Adams: gavartist [arroba] yahoo.com

[3] Pablo Ortellado publicou um ótimo texto onde é feita esta análise de maneira detalhada: Capitalismo e Cultura Livre: http://www.gpopai.org/ortellado/2011/06/capitalismo-e-cultura-livre/