A Lua já quase virou, cheia! Ontem jornada estendida na universidade. Início de mais um curso, experimentações. Criamos laboratórios onde o comum está sob ameaça. Formas de (r)existir, vamos investigar coletivamente! Hoje trabalho na casa. Saio pra comprar uma torneira, alicate de pressão, cesto plastico pra roupa suja, topwares…Comércio popular da região onde moro é ótimo pra barganhar. Desvio no meio do caminho. Passo numa livraria pra pegar um livro. No dia anterior eu havia recebido o pdf dele. Sincronia! “Ensinando a transgredir“, da Bell Hooks, militante, educadora, negra, feminista. Quando cheguei em casa e tirei todas essas coisas da mochila achei que era uma composição curiosa: as ferramentas, coisas de cozinha, um livro sobre educação e feminismo. Que devir é este? A noite, vou pra assembléia da escola da Mai. Segui o fluxo e acabei entrando pro conselho escolar do ensino infantil. Deve ser a Lua.

Para além da dicotomia governistas e oposição, desde abaixo, autonomamente e pela esquerda!
O desafio é conseguir escapar aos dilemas e capturas de junho/2013, quando logo após a vitória da revogação do aumento, na luta disparada pelo MPL, forças conservadoras da oposição e do governo, tentaram capturar, domesticar e conduzir a energia política da multidão colocada nas ruas.
Cuidado! É necessário estar atento, manter o foco na pauta do movimento. Fortalecer as redes de bairro que surgiram em torno das ocupações. Quanta vida!
Cada escola ocupada deu lugar a uma nova comunidade que luta pelo comum. A escola como lugar de produção de outras formas de viver junto, quando antes estavam reduzidas a espaço de controle dos corpos e pensamentos.
Ao mesmo tempo é importante seguir criando transversalidades com outros movimentos, grupos, expandir-se tecendo redes com o foco claro. E isso tudo já está acontencendo. Trocas de experiências entre movimentos, conhecimentos e aprendizados no fazer cotidiano que valem mais que muitos diplomas.
Assim como em 2013 o contexto mais amplo inspira cautela, muitas armadilhas. A batalha entre governistas e oposição também vai tomar as ruas novamente, e é possível que as forças pró-impeachment ou de apoio incondicional ao governo Dilma, tentem jogar o movimento secundarista para escolhas dicotômicas (ou vocês estão do nosso lado ou estão contra nós). Mas a potência que vocês alimentam é muito mais rica em sua multiplicidade. Estão criando novas formas políticas, e isso é muito mais importante e urgente hoje.

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O jovens desejam uma outra escola, uma escola que seja um território comum de produção de novos sentidos de vida, de outras formas de experiência, de socialização e de subjetivação.
A escola pública, mais do que estatal, pode ser um bem comum, e para isso ela deve ser de todos (e não UMA escola para todos). Sua ativação como bem comum depende do permanente exercício democrático entre os estudantes, professores, pais, comunidade do entorno, gestores.

A escola pode ser um um espaço de produção de diferenças e singularidades (ao invés da escola que pretende (in)formar o cidadão, o trabalhador ou o futuro universitário).

A necessária abertura ao acontecimento, ao indeterminado, é um importante manancial para a educação. Mergulhar numa experiência, simultaneamente singular e coletiva, com todos os seus riscos, é uma grande aprendizado inventivo. Nesse momento, professores e estudantes aprendem criando.

O currículo pode ser criado de maneiras diversas. Em tempos de currículos cada vez mais predeterminados e lineares, a pletora de conhecimentos disponíveis pode oferecer trajetórias singulares de aprendizado.

A educação, como produção de novos conhecimentos e formas de vida mais autônomas, acontece nas frestas. Quando achamos que controlamos os conteúdos, os processos, as metodologias, descobrimos que o mais importante escapa a tudo isso.

A experiência democrática, diferente daquela prevista pelos espaços e dinâmicas institucionais previstas na lei, só acontece pela ação que instituí, através do dissenso um espaço de atualiza a igualdade das potências da inteligência.

 

Preparando a aula de amanhã sobre Hannah Arendt – A Crise da Educação.

Muitas coisas pra pensar e sentir neste momento.

daqui de casa
daqui de casa

 

Fragmentos do texto:

“O mundo, visto que feito por mortais, se desgasta, e, dado que seus habitantes mudam continuamente, corre o risco de tornar-se mortal como eles. Para preservar o mundo contra a mortalidade de seus criadores e habitantes, ele deve ser continuamente, posto em ordem”.

“Exatamente em benefício daquilo que é novo e revolucionário em cada criança é que a educação precisa ser conservadora; ela deve preservar essa novidade e introduzi-la como algo novo em um mundo velho, que, por mais revolucionário que possa ser em suas ações, é sempre, do ponto de vista da geração seguinte, obsoleto e rente à destruição.” (p.243).

A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disso com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum (p.247).

CARTA ABERTA PELA CONSOLIDAÇÃO DEMOCRÁTICA DA EFLCH-UNIFESP

Ao Magnífico Reitor da Universidade Federal de São Paulo, ao Conselho Universitário, ao Diretor Acadêmico do Campus Guarulhos e aos demais colegas da comunidade acadêmica,

Diante dos acontecimentos vividos em nosso campus nas últimas semanas, que culminaram no grave episódio ocorrido na última quinta-feira, dia 14 de junho, gostaríamos de salientar as persistentes tentativas de professores da EFLCH de criar espaços de diálogo entre os diferentes segmentos da comunidade acadêmica, a partir do princípio democrático das instâncias de representação e participação.

Desde a mobilização e a paralisação docente do mês de abril, Grupos de Trabalho foram criados e realizaram diagnósticos e propostas apresentados à Reitoria, muitos deles acolhidos e encaminhados no sentido de encontrar soluções coletivas para nossos problemas emergenciais e estruturais. As diversas iniciativas tiveram por meta o fortalecimento dos canais de comunicação e do apoio no âmbito das variadas Comissões assessoras da Congregação e o início de um acompanhamento sistemático por parte da comunidade acadêmica das ações iniciadas para a resolução de conflitos e problemas.

É nesse sentido também que reafirmamos a necessidade de que as decisões sejam tomadas pelas instâncias representativas de nossa comunidade acadêmica, favorecendo o debate tão fundamental para a consolidação do espírito universitário.

Coerentemente com a postura que sempre defendemos, solicitamos enfaticamente às instâncias deliberativas e executivas de nossa universidade que qualquer decisão que envolva o Campus Guarulhos seja precedida de uma discussão e consulta ao conjunto dos docentes, técnicos administrativos e estudantes. Neste contexto, consideramos que a audiência pública, proposta anteriormente pelo senhor Reitor, professor Walter Manna Albertoni, permanece sendo uma ação fundamental no processo de consolidação do campus universitário que todos almejamos.

Consideramos que o entendimento e a saída para esta grave situação passam pela construção conjunta de propostas e pelo compromisso coletivo para seu melhor encaminhamento.

Versão PDF – Carta-aberta-pela-consolidacao-democratica-da-EFLCH-UNIFESP

ASSINATURAS: clicar abaixo para ler o restante da msg:

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Neste primeiro semestre de 2012, oferecemos a disciplina Sociedade e Tecnologias Digitais, no curso de Ciências Sociais da Unifesp (campus Guarulhos). O programa da disciplina, as atividades realizadas em sala e os materiais produzidos durante o semestre serão organizados e disponibilizados na plataforma da Wikiversity – Sociedade e Tecnologias Digitais – 2012

Para quem quiser acompanhar, o programa inicial (já que as coisas podem mudar no percurso) já está disponível aqui:

Sociedade e Tecnologias Digitais – 2012

De 7 a 10 de novembro de 2011 – EACH – USP Leste

Programaçao: http://each.uspnet.usp.br/2cieie/apresentacao.html

Desde a realização do I Colóquio internacional A Educação pelas Imagens e suas Geografias, a produção intelectual do grupo que naquele momento pensou as bases para sua realização, continua sendo alinhavada por pesquisadores que possuem no tripé cultura-imagem-educação geográfica o conjunto de suas preocupações investigativas. Cabe dizer que deste primeiro colóquio foram publicados dois dossiês: A educação pelas imagens e suas geografias, na Revista Pro-posições (v.20, n.03) – http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0103-730720090003&lng=pt&nrm=iso – constituído dos artigos apresentados no I Colóquio e Imagens, Geografias e Educação, na Revista Educação Temática Digital, com os trabalhos apresentados também no I Colóquio acrescidos por três artigos encomendados a pesquisadores estrangeiros – www.fe.unicamp.br/etd

Mais infos: http://each.uspnet.usp.br/2cieie/apresentacao.html