Dia: 19 de março, quinta-feira.
Manhã: 9:30hs às 12:30hs (seminário)
Tarde: 14:00 às 18:00hs (oficina)
Local: (Unifesp – Reitoria, Anfiteatro – 4o andar. Rua Sena Madureira 1500, 4o andar, Vila Clementino.

Inscrições: https://sistemas.unifesp.br/acad/proec-siex/index.php?page=INS&acao=1&code=17542

Seminário: Serão apresentados avanços em classificação, descrição automática e visualização interativa de grandes volumes de documentos textuais com dimensões de metadados, com foco em estudos da ciência (STS) e aplicações em medicina, sociologia e humanidades. O caso em foco será os abstracts da conferência anual da ASCO (American Society for Clinical Oncology) de 1995 à 2017. Será apresentada a inferência, a partir do texto, de domínios e tópicos de pesquisa e, a partir dos metadados, de períodos com dominância de diferentes domínios, como também do papel de diferentes grupos de instituições no progresso da oncologia.

Oficina: As ferramentas para aplicar essa abordagem fazem parte da Plataforma Cortext, uma infraestrutura europeia de pesquisa em estudos da ciência e inovação. Após o seminário, os interessados poderão participar de uma oficina para se familiarizarem com o uso da plataforma e seus diversos recursos para análise de coleções de documentos. Vagas limitadas a 15 pessoas, inscrição obrigatória.


Bio: Ale Abdo é pesquisador no LISIS (Laboratoire Interdisciplinaire Sciences Innovations Sociétés) em Paris. Recebeu seu doutorado do Instituto de Física USP, tendo conduzido pesquisas no departamento de sociologia da Columbia University, no ICICT da Fiocruz e no LIM01 da Faculdade de Medicina da USP.

Organização: Pimentalab e Lab.hum (Unifesp); CorText.

Referências:

Abdo AH, Cointet JP, Bourret P, Cambrosio A. Domain-topic models with chained dimensions: charting the evolution of a major oncology conference (1995-2017). (2019). arXiv:1912.13349

Callon M, Courtial JP, Turner WA, Bauin S. From translations to problematic networks: An introduction to co-word analysis. (1983). Social Science Information, 22(2), 191-235.

Cambrosio A, Bourret P, Rabeharisoa V, Callon M. Big data and the collective turn in biomedicine: How should we analyze post-genomic practices?. (2014). Tecnoscienza, 5(1), 13-44.

Fortunato, S., Bergstrom, C., Börner, K., Evans, J., Helbing, D., Milojević, S., et al. (2018). Science of science. Science, 359(6379), eaao0185.

Shi F, Foster JG, Evans JA. Weaving the fabric of science: Dynamic network models of science’s unfolding structure. (2015). Social Networks, 43, 73–85.

Nas últimos 24hs vivi duas experiências, no uso de tecnologias digitais, que reforçam um sentimento sobre a contribuição simultaneamente cognitiva e política dos hackers. Ontem acompanhei uma oficina sobre instação de linux em tablets condiderados obsoletos; e hoje tive que mergulhar no mundo de tutoriais, wikis e fóruns para resolver um bug num arquivo de texto que quase destruiu um trabalho realizado.

Em ambas situações, a questão do acesso ao conhecimento é fundamental. As dificuldades técnicas para vencer as limitações e bloqueios de hardware, os saberes necessários para construir programas alternativos e retomar, de alguma forma, nosso controle sobre os dispositivos que utilizamos, e minimizar os efeitos da obsolescência programada ou o poder das grandes corporações. Tudo isso só é possível porque há muita gente que luta diariamente pela direito à informação e ao conhecimento livre. Neste fazer, compreende-se rapidamente as forças em jogo e toda a economia politica envolvida na produção das máquinas e softwares que utilizamos no dia a dia.

Neste universo, destaca-se com frequência como os hackers detém ou produzem um conhecimento e uma expertise que lhes permitem agir na contra-corrente daquilo que estava previamente “programado”. A criação de contra-saberes faz parte do desenvolvimento de contra-condutas.

Porém, a despeito da importância dessa expertise, talvez a principal potência de sua cultura, e penso que aí reside uma inovação política, é o fato de que os objetivos que eles pretendem realizar são indissociáveis da criação e manutenção dos meios que sustentam suas ações.

A produção de wikis, fóruns de discussão, disponibilização e organização voluntária de informações em documentação pública, é toda uma economia apoiada em valores e princípios éticos e políticos. Esse modo de conhecer e as práticas de investigação e compartilhamento que a caracterizam, também necessitam de máquinas, cabos, servidores web, aplicativos e serviços, acesso à rede etc, que funcionem sob determinadas condições para que este modo de conhecer (que é também um modo de produzir comunidade) possa acontecer.

Em resumo, para ter acesso ao conhecimento, em especial conhecimento que “faz diferença”, é preciso criar toda uma infraestrutura e uma comunidade que a sustente. Neste caso, a ação e realização de um objetivo depende de uma prática que por sua vez apoia-se na existência de certas condições materiais e simbólicas. É um bom exemplo de como um comunidade de práticas é simultaneamente uma comunidade epistêmica e política.

Chris Kelt fala dessa característica das comunidades de software livre em termos de uma propriedade recursiva. Ao mesmo tempo que a comunidade age para realizar seus objetivos ela vai modificando o meio em que atua para criar melhores condições para a continuidade de suas ações, ela aprender e também se modifica.

Aqui, meios e fins são indissociáveis na prática. É por isso que gosto de pensar nessas comunidades de prática como um exemplo de uma mesopolítica. Elas atuam concretamente no cotidiano aparentemente micro da reprodução social, mas sem perder de vista a dimensão macro; uma política que se realiza “através” ou “pelo meio”.

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Dia 8 de maio, no Arquivo do Estado, junto ao grupo de pesquisa HÍMACO (História, Mapas e Computadores) nos reunimos para discutir o uso de software livres e suas relações com os direitos autorais.

Seleciamos abaixo algumas referências teóricas sobre o tema. A mesma bibliografia foi utilizada no curso Sociedade e Tecnologias Digitais, no semestre passado, e está integralmente disponível aqui: http://pt.wikiversity.org/wiki/Sociedade_e_Tecnologias_Digitais/2012

  • Richard Stallman. (ordenados por ordem de prioridade. O Manifesto GNU é mais longo, voces podem se concentrar no 3 primeiros textos)
  • Lawrence Lessig. Cultura Livre, capítulo 10, “Propriedade”.

 

Complementar

 

Neste sábado haverá o FLISOL – Festival do Software Livre de Guarulhos – http://softwarelivre.org/flisol-guarulhos
A programação está bem interessante e convergente com as discussões da nossa disciplina Sociedade e Tecnologias Digitais – http://pt.wikiversity.org/wiki/Sociedade_e_Tecnologias_Digitais/2012

Pela manhã, haverá palestra do Sergio Amadeu (está na nossa biliografia) e várias oficinas. Eu e alguns membros do Pimentalab faremos uma apresentação sobre tecnologias livres e educação com início previsto para às 10:40 (sala de artes), junto com o povo da Wikimedia Brasil.

No mesmo horário o colega Thiago Pimentel fará uma oficina sobre tecnologia e ativismo em redes.
No período da tarde haverão oficinas de edição de audio, video em software livre, entre outras coisas.

Enfim, será uma ótima oportunidade para conhecer novas pessoas da região (alto-tietê) que estão envolvidas com o uso criativo e crítico das tecnologias de comunicação.

 

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A próxima reunião do grupo de estudos foi excepcionalmente modificada para a sexta-feira, dia 01 de outubro às 18hs (sala a ser definida).

Para o encontro, sugiro a leitura desses pequenos textos, escritos pelo
próprio Richard Stallman.

(1) O que é o Software Livre?
http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt-br.html

(2) Porque o Software Deveria Ser Livre
http://www.gnu.org/philosophy/shouldbefree.pt-br.html

(3) Introdução ao Projeto GNU
http://www.gnu.org/gnu/gnu-history.pt-br.html

(4) O Manifesto GNU
http://www.gnu.org/gnu/manifesto.pt-br.html