Alguma coisa se rompeu nos últimos meses. Reconfigurações da política, da própria partilha do mundo, distribuindo corpos, idéias e sentimentos de uma forma diferente no espaço social. Por hora, só vemos as fagulhas.

Amarildo desapareu há poucos dias. Quantos Amarildos “desaparecem” todos os dias? Quantos Amarildos terão que “desaparecer” para que tenhamos outra polícia? Noutro momento, talvez o caso não teria a mesma repercussão. Hoje, a desmilitarização da polícia brasileira é amplamente reivindicada com um passo necessário em direção a uma melhor democracia.

Algo de novo aconteceu. Amarildo está em toda parte. Um meme nas redes digitais, transbordamentos trans-classes, morro-asfalto-ciberespaço. Todos somos Amarildo!

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Em movimento, o peão boiadeiro conduzindo o gado pela paisagem pantaneira, estradas de terra, poeira e vegetação. Memórias e sensações de imensidão, o idílico sempre atualizado. Deslocamento para a frente, indo para algum lugar, estão de partida. No alto, um avião que chega ou que está decolando, atravessando densas nuvens carregadas de cobiçada umidade da região. Na mesma cena, a imagem que constrói uma nova geografia pacificada, higienizada do conflito real entre mundos distintos.

Imagem 1: fotografia de uma painel exposto no interior de um restaurante no aeroporto de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 2012.

Imagem 2:  ao sul de Campo Grande, na cidade de Dourados, uma manifestação indígena denunciava a situação de violência no campo.