Post original: https://www.facebook.com/historiadelacienciacsic/posts/1660404944015568

El miércoles 17 de enero de 2018 se celebrará una nueva sesión del seminario organizado por el Departamento de Historia de la Ciencia del Instituto de Historia del CSIC.

En él intervendrán Angela Domingues, de la Universidad de Lisboa, que hablará sobre Nos tempos do Tratado de Madrid: fronteiras coloniais, expediçoes fluviais e representaçoes de indigenas na Amazonia de meados de Setecientos.

Y Henrique Zoqui Martins Parra, de la Universidad Federal de Sao Paulo, que presentará la comunicación Ciencia abierta y desarrollo en Ubatuba.

Serán presentados, respectivamente, por nuestros compañeros Miguel Angel Puig-Samper y Antonio Lafuente.

La sesión pues tienen un carácter lusófono.

Angela Domingues, experta en la proyección ultramarina de la ciencia portuguesa y en el Brasil colonial, es investigadora en el Departamento de Ciencias Humanas del Instituto de Investigación Científica Tropical e investigadora asociada del Centro de Historia de Alem-Mar.
Actualmente está integrada en un proyecto de investigación que dirige Miguel Angel Puig-Samper.

Henrique Parra es profesor doctor del Departamento de Ciencias Sociales de la Escuela de Filosofía y Letras y Ciencias Humanas en la Universidad Federal de Sao Paulo (UNIFESP). Coordina el Laboratorio de Tecnología, Política y Conocimiento (Pimentalab-https://blog.pimentalab.net/) en la UNIFESP. Forma parte de dos grupos insterinstitucionales de investigación: el Laboratorio Interdisciplinario sobre Información y Conocimiento (LIINC -http.//www.liinc.ibict.br) del Instituto Brasileiro em Información em Ciencia y Tecnología (IBICT) y la Red Latinoamericana de Estudios sobre Vigilancia, Tecnología y Sociedad (LAVITS-http://www.lavits.org).

Realiza actualmente una estancia de investigación, con apoyo financiero del CAPES de Brasil, en nuestro Departamento bajo la supervisión de Antonio Lafuente. Esta estancia tiene como objetivo analizar las configuraciones sociales y los arreglos sociotécnicos de distintos laboratorios ciudadanos, muchos de ellos desarrollados en Medialab-Prado.

Se puede acceder a parte de su producción científica en https://pimentalab.milharal.org/txt/
y a su curriculum vitae en http://lattes.cnpq.br/8314245614310718

El resumen de la comunicación que presentará Henrique Parra en el seminario es el siguiente:

This chapter aims to present results of a case study on the possibilities and limits of open and collaborative science (OCS) in social change processes, based on the results of an action-research project developed in the Ubatuba municipality, on the North Coast of the State of São Paulo, Brazil. The question underlying our investigation was to what extent Open Science may improve forms of co-production of knowledge between academia and other social groups, and hence contribute towards improved conditions for vulnerable actors to influence development strategies. From the outset, questions arise: what development? What science? What openness and collaboration?
The study methodology was organized along two axes – practical learning and critical research -, developed through the following actions:

(a) promotion of open workshops, working groups, seminars, and mentoring activities, stimulating discussions about and experimentation with Open Science practices and tools with local actors;
(b) participant observation of public meetings and activities, selected for their potential relationship with the open and collaborative production of knowledge pertaining to local development issues;
(c) data collection for socioeconomic characterization of the Ubatuba municipality and its major development challenges;
(d) interviews with key actors; 
(e) social networks analysis to better understand local interactions among actors; and also 
(f) a characterization of scientific publications related to Ubatuba as a field or object of study (authorship, institutional and field of research distribution, open and closed access to papers).

A necessary component of the research methodology was the development of communication channels and documentation strategies, including a project wiki, website/blog, mailing lists, community radio programs and videos. In the final phase of the project we developed a prototype of a geospatial open data plataform as a result of the common problems identified to information and knowledge management by local actors, as part of an open science experiment.

 

Publico abaixo a primeira parte de um texto que está dividido em dois posts. O argumento que vou apresentar está assim dividido: 1. a universidade pública e o campo científico estão passando por profundas transformações e por uma crise de reconhecimento social e legitimidade política. Nesta crise, para além das dinâmicas externas (política, economia etc) ao campo universitário e científico  é necessário analisar as próprias dinâmicas e mutações do regime de produção e difusão de conhecimentos e suas práticas institucionais. 2. experiências de ciência cidadã, ciência aberta e laboratórios cidadãos podem contribuir para a criação de novas interações entre o campo científico e o mundo extra-acadêmico, criando relações sinérgicas entre sociedade-ciência-universidade.

 

foto: Daniel Leal-Olivas (AFP)

***

Experiências de contraste nos ajudam a ter ideias inesperadas e a tornar visível dimensões não exploradas de problemas comuns. Nas últimas semanas acompanhei pela imprensa eventos preocupantes que afetam diretamente o financiamento, os direitos dos trabalhadores e a reputação das universidades públicas e ao sistema brasileiro de produção científica [1]. Ao mesmo tempo, na contra-corrente deste processo, participei de um seminário sobre Ciência Cidadã no Medialab-Prado [2] que reuniu uma diversidade de formas inventivas de interação entre a pesquisa científica e o mundo extra-científico.

 

Parte 1: mutações e crise da universidade e do campo científico

Além dos cortes no orçamento público federal destinados à Ciência, Tecnologia e Inovação, e da drástica redução de recursos para as universidades públicas federais, acompanhamos neste ano uma investida do judiciário, polícia e mídia contra universidades brasileiras de reconhecida reputação. Reitores, professores ou técnicos sofreram com o abuso da aplicação de medidas coercitivas autorizadas pela justiça e realizadas de forma espetacular pela polícia federal, ferindo direitos fundamentais de um regime democrático. No momento atual, não paramos de nos surpreender com as novas bordas de aplicação da nossa democracia autoritária, onde os mecanismos do estado de exceção nunca deixaram de operar (veja o trabalho de Edson Teles).

Neste mesmo ano, editoriais de grandes jornais retomam seu habitual argumento contra o financiamento público e pela cobrança de mensalidades nas universidades públicas brasileiras. Mais recentemente, um relatório do Banco Mundial (cuja qualidade metodológica da investigação foi amplamente questionada – veja artigo de Tatiana Roque e Hedibert Lopes) adiciona mais elementos na disputa discursiva e política sobre o futuro do ensino superior brasileiro. Nas universidades privadas observamos ainda a tentativa de aplicação da nova lei trabalhista para realizar demissões em massa e para em seguir fazer novas contratações precárias. Em algumas instituições o número de professores demitidos seria superior a 1000 docentes.

O que mais impressiona neste período é a intensidade e a velocidade em que o desmonte é feito: “o golpe vem a galope” (aqui também). Diferentes processos que afetam o campo científico e o ensino público superior, independente de uma causalidade coordenada ou não, acabam por gerar efeitos de reforço mútuo no atual contexto. Isso é suficiente para aumentar nossa preocupação. A situação vivida pela UERJ é um duplo escândalo: o abandono do governo de uma importante instituição de ensino e pesquisa, e a frágil ação política e solidária do meio acadêmico no apoio à luta dos professores, funcionários e estudantes.

Cortes nos investimentos em ciência e educação indicam mudanças nas estratégicas de desenvolvimento nacional, nas políticas de expansão do ensino superior e de inclusão de novos estudantes, mas também refletem o resultado de uma forte disputa sobre o mercado do ensino superior, que no Brasil representa um recurso com elevado potencial de exploração econômica.

Mas há outros processos em curso. Não podemos ignorar que as dinâmicas de produção, acesso e apropriação da informação e do conhecimento transformaram-se radicalmente nas últimas décadas, assim como a interpenetração entre ciência, tecnologia e economia. Há mudanças na centralidade, no regime de autoridade do conhecimento científico e no relativo monopólio sobre a produção e difusão de determinados conhecimentos que antes eram de quase exclusividade universitária. Hoje, deparamo-nos com novas formas de certificação e de validação dos saberes, com a emergência de contra-expertises, expansão dos movimentos de acesso aberto ao conhecimento científico e multiplicam-se os atores cognitivos relevantes que disputam a interpretação do “real e verdadeiro”. Observamos novas dinâmicas de corporatização e expansão dos regimes de propriedade intelectual sobre a pesquisa científica, crescimento do ensino à distância, surgimento de institutos de formação superior criados por empresas privadas que demandam profissionais com conhecimentos específicos, e também o crescimento das grandes corporações transnacionais e redes de ensino superior privado. Expansão do acesso à universidade publica no Brasil, com novos públicos adentrando o ensino superior, mas também a ampliação do ensino superior privado mediante políticas de subsídio e financiamento para as universidades e estudantes. Em resumo, são muitas as transformações estruturais nesta área.

Essas transformações infraestruturais relacionam-se também a mudanças radicais na forma como organizamos, classificamos e disponibilizamos o acervo de conhecimento produzido. As formas de armazenamento, indexação, circulação e acesso são muito distintas, dando forma a novas políticas e economias da informação, do conhecimento e da memória. O lugar ocupado pelas universidades, escolas, arquivos, bibliotecas, museus, centros de pesquisa e memória estão em plena mutação.

Nesses movimentos tectônicos, sobre as quais as universidades se equilibram, as instituições de ensino superior brasileiras parecem não gozar do reconhecimento social e da legitimidade política que corresponderia às suas realizações na pesquisa e na formação de milhares de estudantes e cientistas. Este problema não é especifico do Brasil.

Mesmo em algumas sociedades onde a cultura científica tem maior presença e capilaridade social, os diversos atores que compõem o campo científico e universitário tem tido dificuldades para se organizar politicamente e mobilizar a opinião pública para impedir os cortes no financiamento e o processo de desmonte dos sistemas nacionais de ensino e pesquisa. Limitação similar se manifesta na dificuldade para implementar nas políticas públicas alguns consensos científicos (sempre provisórios) que apontam para outros modelos de desenvolvimento. Basta pensar na política ambiental, saúde coletiva, política urbana, segurança alimentar etc.

A emergência de campanhas como a “Marcha pela Ciência” nos Estados Unidos e no Brasil é um exemplo dessas lutas reativas. No caso da edição brasileira de 2017 o engajamento de organizações científicas, pesquisadores e professores universitários foi muito pequeno e sua repercussão política foi ínfima. As razões para essa desmobilização interna ao campo e para a dificuldade de sensibilização dos públicos concernidos são várias.

Para superação desses problemas não é suficiente que a universidade e seus múltiplos atores olhem apenas para as dinâmicas externas ao seu campo e suas instituições. Insistir em teses conspiratórias ou excessivamente ideológicas que tendem a criar uma narrativa coerente onde a universidade está colocada no centro passivo de um plano de ataque é insuficiente. Equivoca-se também ao dar unidade e coerência a uma arena de conflitos que é muito complexa. Mas o maior problema, nessa perspectiva, é ignorar a forma como a própria dinâmica institucional, nossas práticas científicas e acadêmicas, as dinâmicas de produção, formação e difusão do conhecimentos participam da construção dessas transformações e dos problemas descritos. Em suma, é hora de habitarmos este problema e fazê-lo nosso também.

Que relações podemos estabelecer entre a crescente institucionalização e profissionalização do campo científico e do ensino superior com as dinâmicas que fortalecem ou enfraquecem o reconhecimento social e a legitimidade da ciência e do ensino superior?

Foi graças à construção de uma autonomia (sempre relativa) do campo científico e universitário que obtivemos o desenvolvimento de muitas áreas do conhecimento, novas ciências, tecnologias e práticas em diversos campos da vida. Ao mesmo tempo, em que medida este mesmo processo compõe uma arquitetura que produz formas de relação instrumental ou subordinada com o mundo extra-acadêmico (numa via de mão dupla) e dificulta a possibilidade de trocas sinérgicas entre ciência, universidade e sociedade? Que dinâmicas institucionais, que formas de produção de conhecimento e que modos de relação podemos fomentar para transformar essa situação atual?

Não se trata de tentar restabelecer a centralidade ou exclusividade da universidade sobre a produção e difusão de determinados saberes, ou mesmo de reafirmar uma certa ideia de autonomia do campo (científico e universitário). Afinal, foi justamente a partir deste desenho que acompanhamos a corporatização-privatização do conhecimento, a hegemonia da tecnociência, o enfraquecimento de algumas áreas no conhecimento consideradas inúteis ao desenvolvimento econômico, a perda de relevância e influência política da ciência no debate político e a penetração da lógica competitiva e utilitária em quase todas nossas práticas de conhecer. Não é coincidência que esta dinâmica produza também um modo de ser professor, estudante e pesquisador que hoje concentra elevados percentuais de problemas de saúde mental.

Necessitamos de outros sentidos para a experiência universitária que afirmem sua especificidade. Habitar a crise que vivemos e produzimos exige que pensemos mais em termos de interdependência entre diferentes campos sociais, práticas e modos de conhecer. Como fazer conviver uma ciência pública com uma ciência comum? Como fazer cohabitar um conhecimento “para todos” e um conhecer “entre todos”?

PS: este post é parte da série de relatos que irei realizar durante o período de pós-doc em Madrid. Os post publicados estão todos disponíveis neste link: https://pimentalab.milharal.org/category/diario-madrid/

Mais informações sobre o projeto atual: http://wiki.pimentalab.net/index.php?title=Projetos_Pesquisa

Em setembro dei uma entrevista para a Revista FAPESP, falando sobre ciência cidadã e aberta, relatando nossa experiência com o projeto Ciência Aberta Ubatuba. O Antonio Lafuente também foi entrevistado, mas preferiu enviar suas respostas por escrito para o jornalista (Bruno de Pierro). Na reportagem apenas uma pequena parte do que falamos (como é habitual) entra no texto final. Mas o Antonio acabou disponibilizando na internet o texto que escreveu para a entrevista. Numa das respostas achei uma definição interessante, dada sua amplitude e clareza, para a noção de laboratório cidadão. Transcrevi e traduzi abaixo este trecho:

Revista FAPESP: O que são os Laboratórios Cidadãos? Há algum exemplo notório dessa iniciativa no mundo?

Antonio Lafuente:  Um laboratório cidadão é um espaço de produção aberta do conhecimento.
É um lugar capaz de acolher um coletivo heterogêneo de atores que almejam dar forma a um entorno social. É portanto um lugar onde nos obrigamos a identificar uma problemática, documentá-la, isolar suas características mais notáveis, contrastar os distintos pontos de vista, explorar as diferentes formas de abordagem, extrair conclusões e comunicar as descobertas, dúvidas e fracassos. Aqueles que a integram se autoconfiguram como uma comunidade de aprendizagem aberta a toda variedade de atores e a toda pluralidade de pontos de vista. De forma que sua primeira tarefa é encontrar uma linguagem comum, ou seja, um espaço que torne possível a conversação sem que ninguém imponha seu ponto de vista e sem que ninguém tenha o poder de fechar/bloquear um tema porque considera que já se discutiu o suficiente.

Um laboratório cidadão é, portanto, um espaço para aprender a viver juntos: uma incubadora de comunidades. Um laboratório cidadão é um espaço, por antonomásia, para a política experimental, pois sendo hospitaleiro com as minorias e tratando-as como sensores de aviso antecipado de problemas porvir, estaríamos encontrando respostas situadas e inclusivas para assuntos todavia incipientes e talvez mais frequentes, gerais ou agudos no futuro.

É um laboratório porque aposta na cultura experimental, no contraste de pontos de vista, nas práticas abertas e na comunicação pública. É cidadão porque confia na inteligência coletiva e outorga maior dignidade cognitiva ao experiencial, o que é o mesmo que dizer que um laboratório cidadão nunca dividirá o mundo entre os que sabem e os que não sabem.

As práticas do laboratório cidadão são realizadas entre todos e, consequentemente, dá-se forma a bens comuns. Eu gosto de especular a ideia de que sempre que há um bem comum é necessário que haja um laboratório que o sustente e que é sustentado por ele. Como o procomúm poderia sobreviver a impérios, autoritarismos, neoliberalismos e a circunstâncias tão hostis não fosse pela comunidade que o sustenta (e que é sustentada por este comum), que nos dão provas constantes de saber adaptar-se e de interpretar corretamente os signos externos?

Criar e sustentar um bem comum demanda muito conhecimento, muita capacidade de análise ou, em outras palavas, um laboratório cidadão plenamente operativo. Mas vejam, plenamente operativo não quer dizer que necessite de um edifício, um chefe, um regramento estrito ou uma maquinaria sofisticada. Não é nem necessário, como é o ordinário, saber que é um laboratório cidadão. O que importa é que se dê uma pequena infraestrutura capaz de dar forma a sua vontade de querer (sobre)viver, que o ajude a converter o protesto em propostas, o experiencial em conhecimento contrastado e as pequenas infraestruturas em garantidoras do seu direito à diferença.

Há exemplos? Muitos e em todas as partes. Diga-me um bem comum e te mostrarei um laboratório cidadão! Mas também, vale a equação inversa: dê-me um laboratório cidadão e construirei um bem comum. Os grupos de Alcoólatras Anônimos, talvez sem sabê-lo, seriam um laboratório cidadão que estaria iluminando uma maneira distinta de nos relacionarmos com o corpo, uma corpo tal que conversa com termos distintos, que evoca diferentes experiências: um corpo comum. Em Madrid, como em muitas outras cidades do mundo abundam as hortas urbanas, muitas vezes nascidas em espaços ocupados e mais tarde legalizados. O que está acontecendo, o que significa isso? Para mim, são laboratórios cidadãos onde se está experimentando outras formas de habitar a cidade, distintos modos de nos conectarmos que não estejam mediados (o determinados) pelo consumo, pelo valor ou pela utilidade. Estamos, entre todos, dando forma à ideia de que uma cidade são suas relações e não suas construções. Estamos reinventando a cidade como um espaço comum. Temos dado diferentes nomes a esses movimentos e mobilizações, como urbanismo-beta, urbanismo-feito-a-mão, urbanismo-faça-você-mesmo. Todos têm em comum a vontade de fazer coisas juntos, de disputar com os urbanistas sua hegemonia sobre a urbe e, enfim, de mostrar que outro mundo é possível: será vulnerável, será transitório, será esporádico,….mas será de todos e de ninguém ao mesmo tempo. Sua fragilidade é o que tem de amoroso, como também sua transitoriedade, este não estar quieto, ou seu querer devir outra coisa, é o que o a faz habitável. Sua natureza intermitente ou efêmera também pode ser vivida como uma proteção face às formas identitárias de nos agruparmos, sempre tão atrativas ao princípio como coercitivas para aqueles que querem discordar ou ser diferentes.

 

Fonte: Reportagem da Revista FAPESP:

por BRUNO DE PIERRO | ED. 259 | SETEMBRO 2017

Momentos antes de o eclipse total do Sol atravessar os Estados Unidos de costa a costa no dia 21 de agosto, a agência espacial norte-americana (Nasa) convidou o público para colaborar em um experimento bastante simples. Munidos de termômetros e smartphones, milhares de voluntários espalhados pelo país foram instruídos a baixar um aplicativo e registrar nele eventuais mudanças de temperatura no ambiente durante o eclipse. Os participantes também deveriam reportar se a velocidade e a direção das nuvens sofreram alterações abruptas. As informações coletadas pelos celulares abasteceram uma base de dados e serão utilizadas em estudos ambientais. “A população pode nos ajudar a entender quais são os efeitos de um evento raro, como o eclipse solar, na atmosfera”, disse à rede de televisão Fox News Elizabeth MacDonald, pesquisadora da agência.

A iniciativa é inspirada em um modelo conhecido como ciência cidadã, que estimula a produção do conhecimento por meio da colaboração entre pesquisadores e público leigo. A participação de amadores na atividade científica não é novidade – a figura do cientista profissional só surgiu no século XIX. Nas últimas décadas, com o uso de tecnologias digitais, tornou-se recorrente pesquisadores convidarem o público para cooperar, por exemplo, na coleta de dados meteorológicos ou no mapeamento de espécies. “Mídias sociais, bases de dados eletrônicas e dispositivos como tablets e smartphones oferecem novas possibilidades de compartilhar ideias e informações entre cientistas e cidadãos”, avalia o biólogo Robert Stevenson, professor da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, um estudioso da ciência cidadã.

Nos últimos anos, organizações como os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e a National Science Foundation (NSF), nos Estados Unidos, passaram a apoiar projetos que incluem ciência cidadã e estudos que buscam as melhores práticas para assegurar a integridade científica em pesquisas feitas em colaboração com o público. No ano passado, a Comissão Europeia se comprometeu a financiar, por meio do programa Horizonte 2020, projetos que envolvem ciência cidadã. A iniciativa é uma parceria com o Doing it Together Science, um consórcio formado por instituições científicas e organizações não governamentais sob coordenação do University College London, no Reino Unido. No Brasil, o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), um projeto do governo federal, anunciou em fevereiro que irá apoiar a formação de uma Rede Brasileira de Ciência Cidadã em Biodiversidade, em que cidadãos ajudarão no monitoramento de espécies.

Algumas experiências bem-sucedidas que ganharam proporções globais nos últimos anos inspiram os novos projetos. Uma delas é o eBird, iniciativa lançada em 2002 pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos, que reúne dados de aves fornecidos por observadores amadores e ornitólogos. A plataforma tem mais de 300 mil usuários de 252 países e cerca de 300 milhões de registros de aproximadamente 10.300 espécies de aves. Uma versão brasileira do eBird está em funcionamento desde 2015 (ver Pesquisa FAPESP nº 245). “Em 16 anos de existência, o eBird tornou-se uma referência em estudos de aves e gera conhecimento capaz de auxiliar na elaboração de estratégias para a conservação da biodiversidade”, afirma Stevenson.

Outra iniciativa é o Galaxy Zoo, criado por pesquisadores vinculados a várias instituições norte-americanas que convocam astrônomos amadores para ajudar a classificar imagens de galáxias geradas por telescópios. Desde seu lançamento em 2007, a comunidade do Galaxy Zoo identificou um conjunto de galáxias e muitas dessas descobertas foram relatadas em artigos científicos. A astronomia talvez seja o campo do conhecimento em que a participação do público ocorra há mais tempo. “Após a publicação dos trabalhos do italiano Galileu Galilei, começaram a aparecer sociedades civis de observação do céu”, comenta Augusto Damineli, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Atualmente, com a ampliação do acesso a telescópios de pequeno porte e da circulação de imagens de satélites em sites especializados, a astronomia amadora participa da identificação de estrelas, asteroides e planetas. No início do ano, o mecânico e astrônomo amador australiano Andrew Grey descobriu um sistema formado por quatro exoplanetas, após avaliar mais de mil imagens de estrelas registradas pelo telescópio Kepler, da Nasa, disponibilizadas na internet pela plataforma Exoplanet Explorers. O feito foi validado por astrônomos profissionais e rendeu a publicação de um paper, com Grey como coautor.

“Eu mesmo já publiquei em coautoria com não acadêmicos”, sublinha Damineli. Em 2014, ele coordenou uma pesquisa sobre o apagão da Eta Carinae, sistema composto por duas estrelas, registrado naquele ano. “Era necessário observar ao longo de 10 meses seguidos, todas as noites, utilizando espectroscopia”, conta. “Divulgamos uma chamada internacional pedindo a colaboração de amadores e obtivemos ajuda de quatro voluntários na Nova Zelândia e na Austrália.” Os dados de observação foram determinantes na descrição de um novo fenômeno, a formação de um buraco na superfície da estrela (ver Pesquisa FAPESP nº 244).

Uma das principais contribuições da colaboração do público em pesquisas é a produção de informações que talvez não pudessem ser geradas de outra maneira – em parte porque as iniciativas têm potencial para mobilizar um grande número de voluntários na coleta de dados em áreas extensas e durante longos períodos. Mas o modelo ainda encontra resistências. “Muitos pesquisadores têm receio de trabalhar com pessoas sem formação científica”, afirma Stevenson. Um dos motivos, ele explica, é a desconfiança em relação à qualidade dos dados produzidos. “Os projetos de ciência cidadã devem adotar procedimentos rigorosos para assegurar a validade dos dados.” Para a pesquisadora Andrea Wiggins, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, projetos bem-sucedidos como o eBird dependem de um conjunto de metodologias capazes de aumentar a precisão dos dados. “Trata-se de oferecer aos voluntários treinamento técnico para executar as tarefas propostas pelos cientistas. Além disso, os dados coletados pelos cidadãos devem passar pelo crivo de especialistas”, escreveu Wiggins em artigo publicado em 2016.

Na Universidade Federal do ABC (UFABC), um grupo de pesquisadores propõe, aplica e avalia protocolos que orientam o trabalho de voluntários em projetos de ciência cidadã. “Elaboramos um passo a passo que mostra ao participante, em linguagem clara e objetiva, os objetivos da pesquisa e recomendações que devem ser seguidas durante o trabalho”, explica a bióloga Natália Pirani Ghilardi-Lopes, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Ciência Cidadã da UFABC. A finalidade, diz ela, é estabelecer padrões para que a obtenção e a análise de dados sejam feitas com o máximo de precisão possível. Essa metodologia vem sendo testada em alguns estudos do grupo. Um deles é o mestrado da bióloga Larissa de Araújo Kawabe, que envolve dados obtidos na Estação Ecológica Tupinambás, no litoral norte de São Paulo. O projeto conta com a participação de funcionários da estação que são mergulhadores e que, munidos de câmeras subaquáticas, ajudam a coletar imagens dos costões rochosos na ilha das Palmas. O objetivo é monitorar organismos marinhos, como algas e esponjas.

Posteriormente, para a análise das fotos, os participantes passam por um treinamento de quatro horas – uma das diretrizes do protocolo. “Explicamos a eles como as fotografias foram obtidas e como devem ser analisadas posteriormente”, conta Larissa. Ela enfatiza que os voluntários participam não só da obtenção das fotos, mas também da identificação de organismos. Estudos como esse, por exemplo, podem servir para detectar precocemente a presença de espécies exóticas, como o coral-sol, fotografado na estação ecológica. Trata-se de uma espécie que está se espalhando pela costa brasileira, competindo com espécies nativas.

Boa parte dos projetos envolve o público exclusivamente na coleta de dados, mas alguns pesquisadores veem outras formas de participação dos amadores. De acordo com a cientista social Sarita Albagli, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), é possível identificar duas grandes abordagens de ciência cidadã. A primeira utiliza voluntários para aumentar a velocidade e a quantidade da coleta de dados. “A segunda promove o envolvimento dos cidadãos também na discussão sobre as próprias questões e objetivos da pesquisa, com base nos conhecimentos obtidos a partir de suas experiências”, afirma Sarita, que coordenou um projeto em Ubatuba que buscou incorporar essa concepção de participação cidadã na pesquisa. Para Stevenson, da Universidade de Massachusetts, envolver o público em todas as etapas da pesquisa nem sempre é factível. “Há temas que não despertam tanto interesse do público e outros que exigem das pessoas muito tempo de treinamento e dedicação”, diz ele.

Algumas experiências internacionais têm incentivado interações mais profundas. Uma delas é o MediaLab-Prado, espaço cultural criado há 10 anos pela prefeitura de Madri, na Espanha, conhecido pela difusão de um modelo de laboratório cidadão. Pesquisadores, ativistas e cidadãos reúnem-se para investigar possíveis soluções de problemas, em diferentes linhas de pesquisa, como urbanismo, participação social e tecnologias sociais. “Essa iniciativa passou a promover, por meio de editais públicos, experiências de investigação colaborativa e inovação social que receberam o nome de laboratórios cidadãos”, explica Henrique Parra, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), atualmente em um estágio de pós-doutorado no Conselho Superior de Investigação Científica da Espanha.

Qualquer pessoa que tenha uma proposta de pesquisa pode concorrer aos editais do MediaLab-Prado. Se o projeto for aprovado, o participante passa a fazer parte de uma rede de colaboradores acadêmicos e não acadêmicos, que poderão ajudar no desenvolvimento do trabalho. Antonio Lafuente, pesquisador do Centro de Ciências Humanas e Sociais do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha e um dos diretores do MediaLab-Prado, explica que a ideia é criar ambientes onde problemas possam ser identificados, documentados e contrastados com diferentes pontos de vista. “Uma enorme quantidade de conhecimento emerge fora das universidades e instituições de pesquisa. Não se trata mais de separar o mundo entre os que sabem e os que não sabem, mas de unir experiências”, propõe Lafuente.

Ainda que pontuais, outras iniciativas semelhantes ao MediaLab-Prado buscam propor formas mais amplas de colaboração na ciência. O Public Lab, por exemplo, nasceu após o vazamento de petróleo no golfo do México em 2010. Diante da falta de informações oficiais sobre o desastre, moradores da costa sul dos Estados Unidos, em parceria com pesquisadores e engenheiros, construíram pequenos sistemas de monitoramento utilizando balões e câmeras digitais para coletar imagens em tempo real. Foram produzidas mais de 100 mil imagens aéreas de alta resolução. O episódio levou à criação de uma comunidade aberta, o Public Lab, hoje mantido por doações de instituições como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a NSF.

Ciência Cidadã, Laboratórios Cidadãos e Produção do Comum

Henrique Zoqui Martins Parra
Mariano Fressoli
Antonio Lafuente

O dossiê Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos logrou reunir um conjunto expressivo de artigos, resultando numa instigante caracterização desse campo de práticas. Além da diversidade de origem geográfica (Europa, África, América Latina e do Norte), os autores e autoras possuem inserções que transitam entre universidades, organizações comunitárias e não governamentais, movimentos sociais e coletivos ativistas. Interessante destacar que a maior parte dos trabalhos recebidos nesta chamada é de relatos de experiências empíricas empreendidas pelos próprios autores. Os artigos de análise teórica, por sua vez, realizam problematizações mais amplas acerca dos desafios acumulados sobre essa diversidade de experiências em diferentes contextos. A combinação desse esforço de análise teórica e descrição de experiências reforça a percepção de que estamos diante de um fenômeno heterogêneo, dinâmico e com efeitos ainda pouco conhecidos.

Essa multiplicidade de práticas e de espaços alternativos de produção de conhecimento recompõe as fronteiras e as identidades entre cientistas experts e os diversos públicos, mas também entre o laboratório acadêmico e o laboratório cidadão. As tecnologias de informação e comunicação digital, com sua presença ubíqua em diferentes domínios da vida social, as interseções entre a cultura hacker, a cultura científica e as novas formas de ativismo, compõem essa paisagem. Tais mutações não podem ser dissociadas das transformações e intensa crise pela qual os sistemas de representação política em diversos países estão passando. Nesse sentido, as noções de “ciência cidadã” e “laboratórios cidadãos” criam novas tensões e composições entre a ciência e a política: amplia-se o campo das práticas e espaços estabelecidos de produção de conhecimento científico; ao mesmo tempo em que se interrogam as formas de participação política.

TEXTO INTEGRAL

e aqui também: PDF.

 

É com alegria que anuncio que está no ar o Dossie Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos, na revista LIINC do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.

O dossie resulta de um intenso trabalho coletivo de meses. Realizei a coordenação editorial junto com Mariano Fressoli (Conicet – Cenit – Buenos Aires) e Antonio Lafuente (CSIC – Madrid). Contamos com o apoio da Sarita Albagli (IBICT) e Maria Lucia Novo Maciel (UFRJ) responsáveis pela LIINC, e com o trabalho cuidadoso da equipe de editoração, revisão e tradução (Christine Alvarez, Benjamin Albagli e Helena Faia). A participação de inúmeros pareceristas (no mínimo dois por artigo) também foi essencial para a qualidade do trabalho (estão todos listados nos agradecimentos do dossie).

Publicamos uma bela e grande seleção de 19 trabalhos, com textos provenientes do Brasil, América Latina e do Norte, Europa e África, em português, espanhol e inglês. Neste percurso de edição e com os pareceres que foram chegando, acabamos organizando os textos aprovados e revistos em dois grandes blocos: artigos (enfase mais teórica) e relatos empíricos de experiências.

Espero que o dossiê contribua para disseminar este debate aqui no Brasil e também para inspirar outros arranjos possíveis para produção de conhecimento científico, acadêmico e extra-acadêmico.

 

 

 

Aula ministrada no Minicurso Diálogos de pesquisa: ciência aberta, ciência cidadã, ciência comum

 

Vídeos: Parte 01 / Parte 02

Slides apresentados: slides-aula-ciencia-cidada-laboratorio-cidadao

 

Leitura:

PARRA, Henrique Z. M. Ciência Cidadã: modos de participação e ativismo informacional. In: Sarita Albagli, Maria Lucia Maciel e Alexandre Hannud Abdo (orgs.). Ciência aberta, questões abertas , Brasília: IBICT; Rio de Janeiro: UNIRIO, 2015. http://livroaberto.ibict.br/handle/1/1060

RIESCH, H.; POTTER, C.and DAVIES, L. “Combining citizen science and public engagement: the Open Air Laboratories Programme”, JCOM 12(03) (2013) A03 https://jcom.sissa.it/sites/default/files/documents/JCOM1203(2013)A03.pdf

HARAWAY, Donna. Saberes Localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pago, n.5, 1995, pp.7-41. http://www.clam.org.br/bibliotecadigital/uploads/publicacoes/1065_926_hARAWAY.pdf

Bibliografia complementar:

BONNEY, R. BALLARD, H. , JORDAN, R. et al. Public participation in scientific research: defining the field and assessing its potential for informal science education, Centre for Advancement of Informal Science Education (CAISE) Washington, U.S.A. 2009. http://www.birds.cornell.edu/citscitoolkit/publications/CAISE-PPSR-report-2009.pdf

FECHER, Benedikt. Impact of Social Sciences – The great potential of citizen science: restoring the role of tacit knowledge and amateur discovery. http://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2014/11/05/the-great-potential-of-citizen-science/2014.

HALAVAIS, Alexander. Home made big data? Challenges and opportunities for participatory social research. First Monday, Vol. 18, n.10, 7 october 2013. http://firstmonday.org/article/view/4876/3754

SINTOMER, Yves. Saberes dos cidadãos e saber político. Revista Crítica de Ciências Sociais (online), 91/2010. Disponivel em: http://rccs.revues.org/4185

STILGOE, J. Citizen Scientists: reconnecting science with civil society, Demos, London, U.K, 2009. https://www.demos.co.uk/files/Citizen_Scientists_-_web.pdf

ZOONEN, Lisbet van. I-Pistemology: changing truth claims in popular and political culture. European Journal of Communication, 2012, 27:56. http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0267323112438808

Minicurso Diálogos de Pesquisa
Diálogos de pesquisa: ciência aberta, ciência cidadã, ciência comum

Realização: Grupo de Pesquisa em Ciência Aberta do Liinc

Programação completa e inscrições: http://www.liinc.ibict.br/eventos/mini-curso-dialogos-de-pesquisa/

As sessões contarão com transmissão ao vivo no canal do Liinc no YouTube disponível no endereço https://www.youtube.com/LiincVideos

Programação:

27/03 – Abertura em questão: ciência aberta e ciência comum
03/04 – Produção Colaborativa em Debate
10/04 – Comunicação Científica e Publicação Aberta
17/04 – Visualização de Dados na Ciência Aberta e na Ciência Cidadã
24/04 – Regimes Emergentes de Apropriação do Conhecimento
08/05 – Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos
15/05 – Dados Científicos Abertos
22/05 – Ciência Aberta e Humanidades Digitais

http://liinc.revista.ibict.br/index.php/liinc/announcement/view/25

[en] CALL FOR PAPERS Liinc em Revista: “Citizen Science and Citizen Labs”
[pt] CHAMADA da Liinc em Revista: “Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos”
[es] LLAMADA DE ARTÍCULOS Liinc em Revista: “Ciencia ciudadana y
laboratorios ciudadanos”

——–

[en] CALL FOR PAPERS Liinc em Revista: “Citizen Science and Citizen Labs”

Liinc em Revista is inviting submission of articles, subject to
double-blind evaluation, for publication in Vol. 13, n. 1 (May 2017). We
accept unpublished articles in Portuguese, Spanish and English.

This issue will present a dossier on “Citizen Science and Citizen Labs”,
organized by Guest Editors Henrique Parra (Unifesp, São Paulo), Mariano
Fressoli (Cenit, Buenos Aires) and Antonio Lafuente (CSIC, Madri),
within the theme proposed below.

Social studies of science and technology have observed in the last few
years the emergence of multiple practices and alternative spaces of
knowledge production, redesigning identities and frontiers between
scientists and a concerned public, between the scientific laboratory and
the citizen laboratory.

Inspired by the more critical tendencies of collaborative science and
research “in the wild”, of open or citizen science, and by a tense
dialogue with the dynamics of biopolitical government and of
commodification of knowledge, there are new cognitive and political
actors whose practices we wish to investigate.

*Contributions to this dossier may include topics such as:
*Open science, citizen science and “common” science
*Science and the production of the common
*Communities of practice, epistemic communities, and counter-expertise
*Citizen labs and political experimentation
*Fablabs, hackerspaces, and the maker movement
*Open science and grassroots innovation movements
*Production of counter-hegemonic scientific knowledge and
technological appropriation
*Protocols, infrastructures, technologies and modes of organization
for open and collaborative production of knowledge.

The dossier will also include a section for texts recounting innovative
experiences within these topics.

First authors of the articles should have doctoral or master degrees.
This rule does not apply to accounts of experiences. Other guidelines
for authors can be found at:
http://liinc.revista.ibict.br/index.php/liinc/about/submissions#authorGuidelines

Apart from the dossier, we also accept articles and reviews on other
topics within the range of interest of Liinc em Revista.

PERIOD OF SUBMISSION: FROM SEPTEMBER 15, 2016 TO JANUARY 31, 2017 at
http://www.ibict.br/liinc

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[pt] CHAMADA da Liinc em Revista: “Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos”

A Liinc em Revista está aberta à submissão de artigos, para avaliação às
cegas por pares, para publicação no número 1, volume 13, de maio de
2017. Aceitam-se artigos originais em português, espanhol e inglês.

Esse número conterá o dossiê “Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos”,
organizado pelos professores Henrique Parra (Unifesp, São Paulo),
Mariano Fressoli (Cenit, Buenos Aires) e Antonio Lafuente (CSIC, Madri),
cuja ementa é a que segue.

Os estudos sociais em ciência e tecnologia têm observado, nos últimos
anos, a emergência de uma multiplicidade de práticas e espaços
alternativos de produção de conhecimento, recompondo as fronteiras e as
identidades entre cientistas experts e público engajado, entre o
laboratório científico e o laboratório cidadão. Inspiradas nas vertentes
mais críticas da pesquisa “selvagem” e colaborativa, da ciência aberta
ou cidadã, e num diálogo tenso com as dinâmicas do governo biopolítico e
da mercantilização do conhecimento, surgem atores cognitivos e políticos
cujas práticas interessa-nos investigar.
As contribuições ao dossiê poderão incluir temas como:
*Ciência aberta, ciência cidadã e ciência comum
*Ciência e produção do comum
*Comunidades de práticas, comunidades epistêmicas e contra-expertise
*Laboratórios cidadãos e experimentação política
*Fablabs, hackerspaces, movimento maker
*Ciência aberta e movimentos de inovação “na base” (grassroots
innovation movements)
*Produção de conhecimento científico contra-hegemônico e apropriação
tecnológica
*Protocolos, infraestruturas, tecnologias e modos de organização
para a produção aberta e colaborativa de conhecimentos.

O dossiê incluirá também uma seção com relatos de experiências
inovadoras nos temas propostos.

Nos artigos, o primeiro autor deverá ter preferencialmente titulação
acadêmica de Doutor e não poderá ter titulação inferior à de Mestre. Nos
relatos de experiências inovadoras não há titulação mínima. Demais
regras para submissão encontram-se em
http://liinc.revista.ibict.br/index.php/liinc/about/submissions#authorGuidelines

Além do dossiê, a Revista está aberta à submissão de artigos e resenhas
sobre outros temas em seu escopo de reflexão, conforme suas normas.

Prazo de submissão: DE 15 DE SETEMBRO DE 2016 ATÉ 31 DE JANEIRO DE 2017,
pelo endereço http://www.ibict.br/liinc

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[es] LLAMADA DE ARTÍCULOS Liinc em Revista: “Ciencia ciudadana y
laboratorios ciudadanos”

Dicho número contará con un dossier sobre “Ciencia ciudadana y
laboratorios ciudadanos”, organizado por los profesores Henrique Parra
(Unifesp), Mariano Fressoli (Cenit, Buenos Aires) y Antonio Lafuente
(CSIC, Madrid).

En los últimos años, los estudios sociales de la ciencia y la tecnología
permiten observar la emergencia de una multiplicidad de prácticas y
espacios alternativos de producción de conocimiento. Estos espacios
redefinen las fronteras e identidades entre científicos expertos y
público comprometido, y entre el laboratorio científico y el laboratorio
ciudadano. Inspiradas en las vertientes más críticas de la investigación
“salvaje” y colaborativa, de la ciencia abierta y/o ciudadana, y en un
dialogo tenso con las dinámicas de gobierno biopolítico y de la
mercantilización del conocimiento, surgen actores cognitivos y políticos
cuyas prácticas interesa investigar.

Las contribuciones podrán incluir los siguientes temas:

*Ciencia abierta, ciencia ciudadana y ciencia común
*Ciencia y producción de los comunes
*Comunidades de prácticas, comunidades epistémicas y experticias
alternativas
*Laboratorios ciudadanos y experimentación política
*Fablabs, hackerspaces y movimientos maker
*Ciencia abierta y movimientos de innovación de base (grassroots
innovation movements)
*Producción de conocimiento científico contra-hegemónico y
apropiación tecnológica
*Protocolos, infraestructuras, tecnologías y modos de organización
para la producción abierta y colaborativa de conocimientos

El dossier incluirá también una sección de crónicas de experiencias
innovadoras sobre los temas propuestos.

Para la presentación de artículos, se requiere que el primer autor posea
al menos título de doctor (preferencialmente) o maestría. Mientras que
para la presentación de experiencias innovadoras no se requiere
titulación mínima. Para información sobre el resto de las reglas de
presentación de trabajos, por favor véase el siguiente link:
http://liinc.revista.ibict.br/index.php/liinc/about/submissions#authorGuidelines

Además del dossier, la Liinc em Revista está abierta a la presentación
de artículos y reseñas sobre otros temas en su espacio de reflexión, de
acuerdo a sus normas editoriales.

Plazo de presentación de los trabajos: 15 de septiembre de 2016 al 31 de
enero de 2017, siguiendo las instrucciones en el siguiente link:
http://www.ibict.br/liinc

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Captura de tela de 2016-01-06 21:52:25

O Projeto Ciência Aberta Ubatuba, integrante da Open and Collaborative Science and Development Network participou em novembro de 2015 do encontro anual do grupo de trabalho brasileiro em Ciência Aberta.

Sobre o eventoCiência Aberta: Novas questões na comunicação e prática científicas

Em 2015, o encontro anual do grupo de trabalho em Ciência Aberta ocorre em parceria com a OpenCon 2015, conferência mundial de uma nova geração de acadêmicos para avançar práticas científicas. Também sediará um seminário internacional organizado pelo Núcleo de Pesquisa e Tecnologia em Produção Científica da ECA-USP. Com atividades acadêmicas de capacitação, informação e reflexão, ao longo dos quatro dias os participantes compartilharão suas práticas abertas e análises dessas dinâmicas de produção.

Dias 25 e 26: laboratórios de capacitação na Universidade de São Paulo e Garoa Hacker Clube

Dias 27 e 28: seminário internacional na Universidade de São Paulo

 

Apresentamos nosso trabalho na sessão dedicada à Ciência Cidadã, junto a outros projetos muito interessantes:

Ciência Aberta Ubatuba e desenvolvimento local – SLIDES-Ciencia-Aberta-USP-2015
Henrique Parra (UNIFESP / OCSDNet)
Blogs e vlogs científicos no Brasil: em que pé estão?
Rafael Bento (Scienceblogs Brasil / NuminaLabs)
Laboratório de ciência cidadã para o uso de drones como tecnologia social
Pablo de Soto (ECO – Ufrj)
A experiência de um evento entre a sabedoria coletiva e o conhecimento científico
Nilton Bahlis dos Santos (Next – Fiocruz)

 

 

Captura de tela de 2016-01-06 21:52:25

O Projeto Ciência Aberta Ubatuba, integrante da Open and Collaborative Science and Development Network participou em novembro de 2015 do encontro anual do grupo de trabalho brasileiro em Ciência Aberta.

Sobre o eventoCiência Aberta: Novas questões na comunicação e prática científicas

Em 2015, o encontro anual do grupo de trabalho em Ciência Aberta ocorre em parceria com a OpenCon 2015, conferência mundial de uma nova geração de acadêmicos para avançar práticas científicas. Também sediará um seminário internacional organizado pelo Núcleo de Pesquisa e Tecnologia em Produção Científica da ECA-USP. Com atividades acadêmicas de capacitação, informação e reflexão, ao longo dos quatro dias os participantes compartilharão suas práticas abertas e análises dessas dinâmicas de produção.

Dias 25 e 26: laboratórios de capacitação na Universidade de São Paulo e Garoa Hacker Clube

Dias 27 e 28: seminário internacional na Universidade de São Paulo

 

Apresentamos nosso trabalho na sessão dedicada à Ciência Cidadã, junto a outros projetos muito interessantes:

Ciência Aberta Ubatuba e desenvolvimento local – SLIDES-Ciencia-Aberta-USP-2015
Henrique Parra (UNIFESP / OCSDNet)
Blogs e vlogs científicos no Brasil: em que pé estão?
Rafael Bento (Scienceblogs Brasil / NuminaLabs)
Laboratório de ciência cidadã para o uso de drones como tecnologia social
Pablo de Soto (ECO – Ufrj)
A experiência de um evento entre a sabedoria coletiva e o conhecimento científico
Nilton Bahlis dos Santos (Next – Fiocruz)

 

 

antonio-lafuente

Recomendo a escuta desta apresentação do Antonio Lafuente na EACH/USP, numa atividade organizada pela Daria Daremtchuk do Grupo de Pesquisa Entre Artes Contemporâneas. Como não pude comparecer, pedi a ela que gravasse o audio. Registro recebido, escrevi ao Antonio solicitando autorização pra compartilha-lo. Obviamente, nenhuma objeção. Publiquei-o em seguida no Internet Archive (Disponível aqui: https://archive.org/details/20150528083352 ).

Já faz algum tempo que acompanho sua produção. Considero-a muito inspiradora para os trabalhos que venho desenvolvendo, tanto na pesquisa como na ação política. Serei sempre grato ao colega Luis Ferla por ter me apresentado a ele na Unifesp, lá no Bairro dos Pimentas, onde mais tarde o próprio Antonio voltaria outras vezes pra participar de seminários e de uma não-aula no (des)curso “Leituras do Fora” que oferecemos (eu, Edson Teles e Fernanda Cruz) como disciplina eletiva .

Após escutar o audio, resolvi fazer algumas anotações que compartilho aqui. Antonio Lafuente explora algumas questões sobre a produção de conhecimentos (científicos e extra-científicos) e sua relação com os coletivos humanos (instituições, Estado, academia, extra-universidade).

Sua trajetória de historiador da ciência, soma-se ao longo trabalho de pesquisa sobre práticas alternativas de produção de conhecimentos (ciência amadora, ciência cidadã, comunidades epistêmicas, cozinhas, laboratórios de garagem…) e mais recentemente à prática de coletivos ativistas que combinam o uso de tecnologias digitais à investigação amadora para a inovação cidadã (novas modos de participação e ação política). Um exemplo disso são algumas iniciativas que ele coordena do MediaLab Prado.

Nesta palestra ele faz um interessante caminho, partindo de algumas boas questões: o que os cientistas podem aprender com os ativistas, e o que os ativistas podem aprender com os cientistas? Como avançarmos da ciência aberta em direção à ciência comum?

Continue reading “Ciência comum e laboratórios cidadãos – com Antonio Lafuente”

antonio-lafuente

Recomendo a escuta desta apresentação do Antonio Lafuente na EACH/USP, numa  atividade organizada pela Daria Daremtchuk do Grupo de Pesquisa Entre Artes Contemporâneas. Como não pude comparecer, pedi a ela que gravasse o audio. Registro recebido, escrevi ao Antonio solicitando autorização pra compartilha-lo. Obviamente, nenhuma objeção. Publiquei-o em seguida no Internet Archive  (Disponível aqui: https://archive.org/details/20150528083352 ).

Já faz algum tempo que acompanho sua produção. Considero-a muito inspiradora para os trabalhos que venho desenvolvendo, tanto na pesquisa como na ação política. Serei sempre grato ao colega Luis Ferla por ter me apresentado a ele na Unifesp, lá no Bairro dos Pimentas, onde mais tarde o próprio Antonio voltaria outras vezes pra participar de seminários e de uma não-aula no (des)curso “Leituras do Fora” que oferecemos (eu, Edson Teles e Fernanda Cruz) como disciplina eletiva .

Após escutar o audio, resolvi fazer algumas anotações que compartilho aqui. Antonio Lafuente explora algumas questões sobre a produção de conhecimentos (científicos e extra-científicos) e sua relação com os coletivos humanos (instituições, Estado, academia, extra-universidade).

Sua trajetória de historiador da ciência, soma-se ao longo trabalho de pesquisa sobre práticas alternativas de produção de conhecimentos (ciência amadora, ciência cidadã, comunidades epistêmicas, cozinhas, laboratórios de garagem…) e mais recentemente à prática de coletivos ativistas que combinam o uso de tecnologias digitais à investigação amadora para a inovação cidadã (novas modos de participação e ação política). Um exemplo disso são algumas iniciativas que ele coordena do MediaLab Prado.

Nesta palestra ele faz um interessante caminho, partindo de algumas boas questões: o que os cientistas podem aprender com os ativistas, e o que os ativistas podem aprender com os cientistas? Como avançarmos da ciência aberta em direção à ciência comum?

No centro das reflexões está a própria noção do que é ciência. Lafuente interroga os limites da idéia de ciencia aberta (open science) apontando como ela surge como forma de resistência aos processos de privatização de conhecimento, mas que, dado o caráter ambiguo e paradoxal do nosso ambiente sociotécnico, a Open Science também participa ativamente da própria expansão do capitalismo informacional.

Ele confronta a idéia de Ciência Aberta com a proposta de uma Ciência Comum (Common Science). Se por um lado a ciência aberta estaria orientada pelo caráter público da ciência (a ciência para todos); a ciência comum estaria orientada por uma idéia da ciência feita “entre todos”. O “comum” teria aqui duas dimensões: enquanto recurso comum (commons no sentido econômico de bens comuns); mas também comum no sentido daquilo que é partilhado. Lafuente parece dar mais destaque a esta segunda dimensão (esta seria uma primeira pergunta para ele).

Ao chamar atenção para esta dimensão do Comum, Lafuente faz um deslocamento interessante e recoloca esta discussão no âmbito do que alguns teóricos chamam de Pró-comum (nem publico-estatal, nem privado). Mas ele vai ainda mais longe, pois ao colocar a ciência na perspectiva do pró-comum ele interroga a idéia da ciência como instituição.

Pra isso, ela faz uso de um artifício. As instituições, dado seu caráter relativamente objetivo e autônomo (é um conjunto de relações com regras próprias de funcionamento) funda-se num cercamento baseado na delimitação entre um dentro e um fora (o que é ou não reconhecimento como científico). Em oposição às instituições, ele usa o neologismo “extituições”. Ao invés de criar fronteiras entre o dentro e o fora, a extituição busca criar conexões entre o dentro e o fora.

Esta ciência comum, portanto, estaria fundada naquilo que é partilhado por todos e ao mesmo tempo, é singular a cada um: a experiência. Do experimental à experiencial; todos somos experts em experiência; um conhecimento baseado na experiencia é um conhecimenho que não separa experts e leigos, é um conhecimento que todos têm.

A impressão que dá, é que Lafuente constrói um plano de imanência onde ele cria  conceitos que sejam capazes de abrigar as novas práticas cognitivas que ele descreve. Mas será que a ciência comum, na perspectiva colocada por Lafuente, apontaria também para uma outra ordem política? Ele não fala isso diretamente; esta seria uma segunda pergunta para ele. Fiquei com esta impressão pois ao final de sua intervenção ele desenvolve um comentário sobre os novos movimentos sociais na Espanha.

Em sua descrição os movimentos da geração 15M (em sua multiplicidade de grupos), articulam 3 características que os distinguem dos movimentos anteriores: (1) dos protestos às propostas: são movimentos que não mais se limitam a protestar contra algo. Isso os obriga a se configurarem como comunidades de aprendizagens, comunidades cognitivas que enfrentam problemas comuns; (2) do experimental ao experiencial: são esses problemas comuns, os seus modos de enfrentamento e a experiência produzida neste trabalho que estão na base na organização; (3) da reivindicação dos direitos civis (afirmação de sujeitos de direitos), a criação de infraestruturas próprias que produzem recursividade. Além de reivindicar direitos, esses movimentos inauguram soluções baseadas numa permanente abertura.

Essas ações juntas se comportam como um Protótipo, um laboratório que não estaria destinado à produção de coisas, mas espaços destinados à criação de comunidades. Aqui a inspiração do software livre é fundamental em sua dimensão “livre”, tanto a novas agregações, quanto a novas clivagens que não perdem aquilo que foi produzido em comum. Nesta acepção, tal “comunidade” política não estaria baseada em direitos exclusivos (relacionadas à um sujeito específico de direitos), e sim na abertura à chegada de outros, obrigando-nos à permanente tarefa de criar novas formas de viver juntos.

Anotações da intervenção realizada na mesa “Refletindo e discutindo sobre as perspectivas das metodologias participativas no Brasil e no mundo” do Simpósio Internacional Metodologias Participativas

 

1. Contexto macro-social economico

Kismo cognitivo
Esgotamento democracias representativas => convive lado a lado com o estado de exceção

Esgotamento da narrativa progressista na AL => Ascenso politico conservador.
Crise ambiental.
Crise de legitimidade da ciencia

Kismo cognitivo => trabalho imaterial (cuidado, educação) nova fronteira de exploração. Problema para o capitalismo: como codificar?
Risco das metodologias => nao podem virar protocolos.

Novas formas de exploração do trabalho: participação = mobilização total.

Participação => mecanismo de captura na democracia representativa. Temos participação em toda parte.

*Saude, Educaçao => fronteiras do capitalismo cognitivo => economia afetiva, comunicaciona. Como codificar controlar o intangível?

Curso enfermagem – estão sentido com maior radicalidade este processo em curso.

 

2. Novas tensões sobre a produção de conhecimento científico

Anos 40-50 sec.XX => big science, ciencia&tecnologia aplicada
Se por um lado há crise de legitimidade sobre a capacidade de solucionamento dos problemas humanos e ambientais (ciencia pra que e pra quem?).
Por outro há uma nova hegemonia em termos da convergência NBIC – nano-bio-informatica-cognitivas.

É possivel perceber uma tensão aqui no Simposio Metodologias Participativas face às dinamicas de:
-institucionalização da ciencia => maior fechamento de cada campo científico (o que não é contrário a interdisciplinariedade, mas significa uma tendencia de fortalecimento de regras/protocolos internos ao campo.
-relação com a sociedade => novas demandas de interação.

Simposio:
-eixo objeto e metodo => modo de fazer
-eixo ético-politico  => emancipação, poder…

Exemplo: reflexao critica sobre Ciencias Sociais – ultimos 20 anos.

*Streck => participação na pesquisa X participação da pesquisa na sociedade

*Renato Toledo: limites da ciencia diante dos novos problemas contemporaneos, crise de algumas certezas…

 

3. Revolução Amadora, Crise da Expertise => Movimento Ciencia Aberta, Ciencia Amadora, Ciencia Cidada

-relação com os estudos sociais em Ciencia & tecnologia
-complexidade dos problemas reais exigem abertura da ciencia aos saberes de outros atores => emergencia de novos atores cognitivos
-ciencia aberta – intra-campo (novos modos de participação e colaboração entre cientistas).
-ciencia aberta – extra-campo (novas formas de relação entre universidade e sociedade.

*Simposio: trabalhos que se relacionam de maneira distinta com a dimensao do poder institucional: lutas por direitos X crítica institucional.

-Dimensao Politica: tensão entre:
-luta/afirmaçao de direitos (leis) que nao estao efetivamente constituídos ou que estão ameaçados.
-novas formas de produção de comum (pro-comum): nova politica, novas subjetividades.

 

4. Sobre os trabalhos => questões sobre a abordagem interdisciplinar

Apontam para necessidade da interdisciplinariedade…todavia, é importante dialogar com a experiencia disciplinar de algumas áreas. Por exemplo: como “falar em nome” do sujeito pesquisado na metodologia participativa? O problema da representação na escrita, na produção de conhecimento é um problema fundante na antropologia. Como falar deste outro desconhecido?

Destaques Eixo Saude:
-poucas recorrencias comuns na bibliografia
-bibliografia em português
-todos os projetos são reflexões sobre a implementação/execução de uma ação sobre um problema concreto: quais os saberes mobilizados e produzidos neste processo.
-destaque para a relação com o SUS.
-ausencia de discussões sobre Ética (um único trabalho trata mais diretamente deste problema). Nos demais a dimensão ética está dissolvida ou suas questões/dilemas são percebidas de forma imanente à própria prática da pesquisa-participativa.
-estudos são situados-contextualizados. Pouca expressão de teorização mais ampla.

Destaques Eixo Sociais:
-temas e objetos são mais amplos. Reflexão sobre uma prática que é mais ampla, ao contrário do Eixo Saúde que “ataca” problemas mais específicos.
-educação focada em temáticas da saúde.

Durante a primeira semana de junho de 2015, Ubatuba, cidade localizada no litoral norte de São Paulo, foi cenário da realização do Tropixel Ciência Aberta. O evento foi composto por oficinas, apresentações e debates, além de um laboratório experimental de tecnologias abertas para produção de conhecimento e soluções para questões de desenvolvimento local. Cerca de cem pessoas participaram do evento, que reuniu convidados da própria cidade, de outras regiões do Brasil e também de outros países.

Identidade Tropixel

Tropixel é uma rede brasileira que desenvolve eventos em formatos dinâmicos, buscando a conjunção entre arte, ciência, tecnologia e sociedade. Em anos anteriores havia organizado o Festival Tropixel em Juiz de Fora e em Ubatuba, e o Ensaio Tropixel #1 em Ubatuba. É associada à rede Pixelache, criada na Finlândia no início da década passada e responsável pela produção de dezenas de eventos e projetos de arte e ciência em países de três continentes.

A edição de junho, batizada de Tropixel Ciência Aberta, foi concebida em parceria entre a rede Tropixel e a plataforma Ciência Aberta Ubatuba, com o intuito de promover o diálogo entre as diversas instituições, grupos e indivíduos envolvidos com a produção e difusão de conhecimento em Ubatuba e região. O principal objetivo foi propor a reflexão e a troca de experiências sobre o papel da adoção de práticas abertas e colaborativas por projetos científicos, além de dar visibilidade a iniciativas da região que já adotam práticas da ciência aberta. O evento visou ainda trocar experiências sobre soluções com ferramentas abertas e metodologias colaborativas para projetos de interesse local.

Lab #mozsprint

A programação incluiu dois dias de oficinas de hardware científico aberto na Etec – Centro Paula Souza de Ubatuba; um painel de apresentações e debates sobre experiências de ciência aberta com duração de uma tarde no auditório do Aquário de Ubatuba; e por fim dois dias de um laboratório experimental #mozsprint, conectado ao Mozilla Science Global Sprint, acontecendo no Jardim Cultural.

Painel Ciência Aberta

O Tropixel Ciência Aberta foi parte da programação da sexta edição do Festival da Mata Atlântica – Floresta, Rios e Mar. Contou com apoio institucional do IBICT, do IDRC e da OCSDNet, além da Prefeitura Municipal de Ubatuba, do Ubalab, da Rede Infoamazônia, do Pimentalab, do Liinc/IBICT-UFRJ e do Ecotrip Hostel.

Oficina Hardware Científico Aberto

Nos dias 1 e 2 de junho, o Tropixel Ciência Aberta recebeu uma oficina de Guima-san e Gina Leite, da Rede Infoamazônia. Trata-se de um projeto que foi finalista do Desafio Google de Impacto Social e está desenvolvendo uma rede de sensores de qualidade da água em Santarém, no coração da Amazônia. Os integrantes da equipe contaram sobre o histórico do projeto, a atuação do projeto Infoamazônia gerando e relacionando dados que servem de base para a criação de conteúdo jornalístico e informativo. Mostraram diversos tipos de sensores, desde aqueles produzidos comercialmente até outros fabricados artesanalmente. Trouxeram ainda um protótipo avançado do equipamento que irão produzir para o projeto, chamado de Mãe d’Água, que conecta vários tipos de sensores para compor um retrato da qualidade da água.

Mãe D'Água

Ao longo dos dois dias, os participantes – grande parte deles estudantes de ensino técnico – tiveram a oportunidade de desenvolver seus próprios sensores simples de condutividade elétrica, utilizando componentes acessíveis e de baixo custo com base em um projeto do Public Lab. A plataforma Ciência Aberta Ubatuba também aproveitou para fazer uma pequena pesquisa sobre o perfil dos participantes, cujos resultados serão publicados nos próximos dias.

Sensores montados à mão Testes de água

Painel Ciência Aberta

Na quarta-feira, dia 3 de junho, o evento migrou para o auditório do Aquário de Ubatuba, onde aconteceu o painel sobre temas relacionados ao universo da ciência aberta e colaborativa, com foco especial na sua relação com o desenvolvimento da cidade e região. O painel foi organizado, em duas sessões, com a intenção de aproximar pesquisadores e instituições que já trabalham com perspectivas próximas à ciência aberta, além de trazer referências relevantes de outras partes do Brasil e do mundo.

A abertura foi feita por Felipe Fonseca, coordenador local do evento, seguido da apresentação remota de Leslie Chan (Universidade de Toronto) sobre os objetivos da rede internacional OCSDNet, da qual faz parte a Plataforma Ciência Aberta Ubatuba.

Painel Ciência Aberta

A primeira mesa, coordenada por Sarita Albagli (IBICT), teve por tema “Territórios e Conhecimento” e contou com falas de Diogo Soares (Litoral Sustentável); Maira Begalli (UFABC); Thereza Dantas, Marcela e Eduardo (Fórum de Comunidades Tradicionais); Álvaro Fazenda (Forest Watchers) e Eliane Simões (Redelitoral). Gestão e construção participativas, cartografias coletivas e conhecimentos tradicionais foram temas bastante presentes.

Cândido e o mergulhador

Com o tema “Fronteiras abertas”, a segunda sessão, coordenada por Henrique Parra (Unifesp) trouxe as experiências de Cândido Moura (Ubatubasat); Rachel Jacobs (Active Ingredient); Jorge Machado (Colab/USP); Juliana Bussolotti (Associação Cunhambebe); Guima-san (Infoamazônia) e Luciana Fleischman (Tropixel). Os vídeos das apresentações estão disponíveis na página wiki do evento.

Laboratório #mozsprint

Os dois últimos dias do Tropixel Ciência Aberta tinham a proposta de abrir espaço para a troca de experiências e a realização de atividades de desenvolvimento e aplicação de ferramentas de conhecimento aberto. O lab esteve conectado a dezenas de iniciativas ocorrendo simultaneamente em diversas partes do mundo, compondoo Mozilla Science Global Sprint. Este é um evento internacional e em tempo real voltado ao desenvolvimento de projetos de ciência aberta, organizado periodicamente pela Fundação Mozilla.

Lab #mozsprint - programação

Em Ubatuba, o lab teve diversos eixos de atuação:

  • levantamento de dados científicos sobre Ubatuba em sistemas e acervos disponíveis na internet, mobilizado por Capi Etheriel (Transparência Hacker) e André Appel (Liinc/IBICT-UFRJ);
  • “hackeamento” dos equipamentos e sensores trazidos pela artista britânica Rachel Jacobs, que fazem parte da obra Prediction Machine, e a exploração de pontos de contato com as pesquisas de Guima-san para o Infoamazônia e outros projetos. Participaram também Leandro Ramalho e outros integrantes do Arduino Ubatuba, além de membros do Estúdio Avante;
  • entrevistas em vídeo sobre temas ligados à ciência aberta com convidados do evento, capitaneadas por Henrique Parra (Unifesp), Sarita Albagli (IBICT) e Juliana Andrade (Pimentalab);
  • oficinas de bioexperimentos elétricos, que utilizaram legumes e outros vegetais como fonte de energia, propostas por Filipe Machado e Marrytsa Melo;
  • edição colaborativa de Guias para Ciência Aberta, coordenada por Luciana Fleischman (Tropixel), Alexandre Abdo (OKBr) e Sarita Albagli (IBICT);
  • oficina de geoprocessamento utilizando o software livre qgis, oferecida pelos estudantes de gestão territorial da UFABC, sob coordenação de Maira Begalli;
  • apresentação, por Jutta Machado (Colab), de aplicativo de pesquisa de opinião de base comunitária, para empoderamento local e subsídio a políticas públicas, desenvolvido pelo MIT;
  • sessão de brainstorm e construção coletiva a partir de questões trazidas por Felipe Spina (Mosaico Bocaina), para desenvolvimento de ferramentas de produção participativa e comunitária de informações de monitoramento e alerta ambiental.

Rachel e os sensores TV Ciência Aberta Ubatuba Bioexperimentos Mosaico Bocaina

Ao fim da sexta-feira, dia 5 de junho, os participantes do lab reuniram-se de frente para o mar para uma última rodada de conversas. Ficou no ar o desejo de levar em frente as ideias e explorações iniciadas durante os dias do evento.

Documentação

Um dos elementos mais importantes em qualquer projeto de ciência aberta é o compartilhamento de dados. Tendo isso em vista, foi solicitado aos participantes do Tropixel Ciência Aberta que publicassem o material que trouxeram ou geraram durante os dias do evento. Esta lista ainda será ampliada e publicada na nossa página wiki, mas por enquanto já temos os seguintes recursos disponíveis:

Durante a primeira semana de junho de 2015, Ubatuba, cidade localizada no litoral norte de São Paulo, foi cenário da realização do Tropixel Ciência Aberta. O evento foi composto por oficinas, apresentações e debates, além de um laboratório experimental de tecnologias abertas para produção de conhecimento e soluções para questões de desenvolvimento local. Cerca de cem pessoas participaram do evento, que reuniu convidados da própria cidade, de outras regiões do Brasil e também de outros países.

Identidade Tropixel

Tropixel é uma rede brasileira que desenvolve eventos em formatos dinâmicos, buscando a conjunção entre arte, ciência, tecnologia e sociedade. Em anos anteriores havia organizado o Festival Tropixel em Juiz de Fora e em Ubatuba, e o Ensaio Tropixel #1 em Ubatuba. É associada à rede Pixelache, criada na Finlândia no início da década passada e responsável pela produção de dezenas de eventos e projetos de arte e ciência em países de três continentes.

A edição de junho, batizada de Tropixel Ciência Aberta, foi concebida em parceria entre a rede Tropixel e a plataforma Ciência Aberta Ubatuba, com o intuito de promover o diálogo entre as diversas instituições, grupos e indivíduos envolvidos com a produção e difusão de conhecimento em Ubatuba e região. O principal objetivo foi propor a reflexão e a troca de experiências sobre o papel da adoção de práticas abertas e colaborativas por projetos científicos, além de dar visibilidade a iniciativas da região que já adotam práticas da ciência aberta. O evento visou ainda trocar experiências sobre soluções com ferramentas abertas e metodologias colaborativas para projetos de interesse local.

Lab #mozsprint

A programação incluiu dois dias de oficinas de hardware científico aberto na Etec – Centro Paula Souza de Ubatuba; um painel de apresentações e debates sobre experiências de ciência aberta com duração de uma tarde no auditório do Aquário de Ubatuba; e por fim dois dias de um laboratório experimental #mozsprint, conectado ao Mozilla Science Global Sprint, acontecendo no Jardim Cultural.

Painel Ciência Aberta

O Tropixel Ciência Aberta foi parte da programação da sexta edição do Festival da Mata Atlântica – Floresta, Rios e Mar. Contou com apoio institucional do IBICT, do IDRC e da OCSDNet, além da Prefeitura Municipal de Ubatuba, do Ubalab, da Rede Infoamazônia, do Pimentalab, do Liinc/IBICT-UFRJ e do Ecotrip Hostel.

Oficina Hardware Científico Aberto

Nos dias 1 e 2 de junho, o Tropixel Ciência Aberta recebeu uma oficina de Guima-san e Gina Leite, da Rede Infoamazônia. Trata-se de um projeto que foi finalista do Desafio Google de Impacto Social e está desenvolvendo uma rede de sensores de qualidade da água em Santarém, no coração da Amazônia. Os integrantes da equipe contaram sobre o histórico do projeto, a atuação do projeto Infoamazônia gerando e relacionando dados que servem de base para a criação de conteúdo jornalístico e informativo. Mostraram diversos tipos de sensores, desde aqueles produzidos comercialmente até outros fabricados artesanalmente. Trouxeram ainda um protótipo avançado do equipamento que irão produzir para o projeto, chamado de Mãe d’Água, que conecta vários tipos de sensores para compor um retrato da qualidade da água.

Mãe D'Água

Ao longo dos dois dias, os participantes – grande parte deles estudantes de ensino técnico – tiveram a oportunidade de desenvolver seus próprios sensores simples de condutividade elétrica, utilizando componentes acessíveis e de baixo custo com base em um projeto do Public Lab. A plataforma Ciência Aberta Ubatuba também aproveitou para fazer uma pequena pesquisa sobre o perfil dos participantes, cujos resultados serão publicados nos próximos dias.

Sensores montados à mão Testes de água

Painel Ciência Aberta

Na quarta-feira, dia 3 de junho, o evento migrou para o auditório do Aquário de Ubatuba, onde aconteceu o painel sobre temas relacionados ao universo da ciência aberta e colaborativa, com foco especial na sua relação com o desenvolvimento da cidade e região. O painel foi organizado, em duas sessões, com a intenção de aproximar pesquisadores e instituições que já trabalham com perspectivas próximas à ciência aberta, além de trazer referências relevantes de outras partes do Brasil e do mundo.

A abertura foi feita por Felipe Fonseca, coordenador local do evento, seguido da apresentação remota de Leslie Chan (Universidade de Toronto) sobre os objetivos da rede internacional OCSDNet, da qual faz parte a Plataforma Ciência Aberta Ubatuba.

Painel Ciência Aberta

A primeira mesa, coordenada por Sarita Albagli (IBICT), teve por tema “Territórios e Conhecimento” e contou com falas de Diogo Soares (Litoral Sustentável); Maira Begalli (UFABC); Thereza Dantas, Marcela e Eduardo (Fórum de Comunidades Tradicionais); Álvaro Fazenda (Forest Watchers) e Eliane Simões (Redelitoral). Gestão e construção participativas, cartografias coletivas e conhecimentos tradicionais foram temas bastante presentes.

Cândido e o mergulhador

Com o tema “Fronteiras abertas”, a segunda sessão, coordenada por Henrique Parra (Unifesp) trouxe as experiências de Cândido Moura (Ubatubasat); Rachel Jacobs (Active Ingredient); Jorge Machado (Colab/USP); Juliana Bussolotti (Associação Cunhambebe); Guima-san (Infoamazônia) e Luciana Fleischman (Tropixel). Os vídeos das apresentações estão disponíveis na página wiki do evento.

Laboratório #mozsprint

Os dois últimos dias do Tropixel Ciência Aberta tinham a proposta de abrir espaço para a troca de experiências e a realização de atividades de desenvolvimento e aplicação de ferramentas de conhecimento aberto. O lab esteve conectado a dezenas de iniciativas ocorrendo simultaneamente em diversas partes do mundo, compondoo Mozilla Science Global Sprint. Este é um evento internacional e em tempo real voltado ao desenvolvimento de projetos de ciência aberta, organizado periodicamente pela Fundação Mozilla.

Lab #mozsprint - programação

Em Ubatuba, o lab teve diversos eixos de atuação:

  • levantamento de dados científicos sobre Ubatuba em sistemas e acervos disponíveis na internet, mobilizado por Capi Etheriel (Transparência Hacker) e André Appel (Liinc/IBICT-UFRJ);
  • “hackeamento” dos equipamentos e sensores trazidos pela artista britânica Rachel Jacobs, que fazem parte da obra Prediction Machine, e a exploração de pontos de contato com as pesquisas de Guima-san para o Infoamazônia e outros projetos. Participaram também Leandro Ramalho e outros integrantes do Arduino Ubatuba, além de membros do Estúdio Avante;
  • entrevistas em vídeo sobre temas ligados à ciência aberta com convidados do evento, capitaneadas por Henrique Parra (Unifesp), Sarita Albagli (IBICT) e Juliana Andrade (Pimentalab);
  • oficinas de bioexperimentos elétricos, que utilizaram legumes e outros vegetais como fonte de energia, propostas por Filipe Machado e Marrytsa Melo;
  • edição colaborativa de Guias para Ciência Aberta, coordenada por Luciana Fleischman (Tropixel), Alexandre Abdo (OKBr) e Sarita Albagli (IBICT);
  • oficina de geoprocessamento utilizando o software livre qgis, oferecida pelos estudantes de gestão territorial da UFABC, sob coordenação de Maira Begalli;
  • apresentação, por Jutta Machado (Colab), de aplicativo de pesquisa de opinião de base comunitária, para empoderamento local e subsídio a políticas públicas, desenvolvido pelo MIT;
  • sessão de brainstorm e construção coletiva a partir de questões trazidas por Felipe Spina (Mosaico Bocaina), para desenvolvimento de ferramentas de produção participativa e comunitária de informações de monitoramento e alerta ambiental.

Rachel e os sensores TV Ciência Aberta Ubatuba Bioexperimentos Mosaico Bocaina

Ao fim da sexta-feira, dia 5 de junho, os participantes do lab reuniram-se de frente para o mar para uma última rodada de conversas. Ficou no ar o desejo de levar em frente as ideias e explorações iniciadas durante os dias do evento.

Documentação

Um dos elementos mais importantes em qualquer projeto de ciência aberta é o compartilhamento de dados. Tendo isso em vista, foi solicitado aos participantes do Tropixel Ciência Aberta que publicassem o material que trouxeram ou geraram durante os dias do evento. Esta lista ainda será ampliada e publicada na nossa página wiki, mas por enquanto já temos os seguintes recursos disponíveis:

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Roteiro Palestra – Congresso Unifesp

Apresentação: trabalho com tecnologias digitais e regimes de produção de conhecimento
Dois projetos: veja http://prototype.pimentalab.net
-Ciencia Aberta e Desenvolvimento Local: examina as relações entre práticas de colaboração na produção científica e as dinâmicas socioeconomicas;
-Tecnopolítica, Ação Coletiva e Saberes Situados: questões relativas à privacidade, segurança da informação, condições de acesso ou bloqueio no acesso à informação.

Efeitos da mediação das tecnologias digitais em duas direções:
-Abertura, Transparência e Colaboração
-Controle, Privacidade, Vigilância

Proposta para o Congresso da Unifesp (2014):
Deve o Conhecimento ser livre? Sim!
https://pimentalab.milharal.org/2014/08/28/deve-o-conhecimento-ser-livre-sim/

==Introdução==

Para desnaturalizar as noções de propriedade intelectual, tomarei um exemplo bem atual sobre a possibilidade de Propriedade Privada Extra-terrestre

Fonte destes fragmentos: “Propriedade privada sobre as riquezas dos asteroides?”
De: José Monserrat Filho: Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Lyndon Johnson, então Presidente dos Estados Unidos, sobre o Tratado do Espaço, em 1967
“Hoje, o espaço é livre. Não tem cicatrizes de conflitos. Nenhuma nação detém uma concessão lá. Essa situação deve permanecer como está. Nós, dos Estados Unidos, não reconhecemos a existência de proprietários do espaço exterior, que se julguem competentes para negociar com as nações da Terra sobre o preço do acesso a este domínio…”.

Argumento do projeto apresentado pelos deputados norte-americanos Bill Posey, republicano da Flórida, e Derek Kilmer, democrata de Washington, ao Comitê de Ciência, Espaço e Tecnologia da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, em 19 de maio de 2015:
“Quaisquer recursos de asteroide obtidos no espaço exterior são propriedade da entidade que obteve tais recursos, a quem devem ser atribuídos todos os direitos de propriedade daí decorrentes, de acordo com os dispositivos aplicáveis da Lei Federal.”

Tratado do Espaço de 1967: O espaço exterior e os corpos celestes são espaço comum de todos os países. Logo, nenhum país em particular tem o direito de instituir o regime de propriedade dos recursos espaciais e de sua exploração industrial e comercial. É uma ação unilateral e arbitrária que usurpa o direito dos outros países a explorar e usar livremente o espaço e os corpos celestes, além de violar o princípio da não-apropriação.

Texto do José Monserrat Filho disponível Propriedade privada sobre as riquezas dos asteroides-2015:

==Propriedade Intelectual e Inovação==

O que é propriedade intelectual => instrumento jurídico que estabelece direitos de monopólio aos seus detentores para sua exploração (econômica) exclusiva. Trata-se de um artifício jurídico-econômico que produz escassez sobre um bem de natureza não escasso, nao-rival, intangível, e que cujo uso pode gerar externalidades positivas.

Comparar a natureza econômica de um bem material.

Inovação => aqui entendido como a criação de um novo processo, objeto ou substância que pode ser inserida numa atividade econômica gerando ganhos positivos (produtividade, retornos financeiros, etc).

[Importante destacar que este é um sentido bem limitado de inovação => outra perspectiva => tecnologias sociais ou organizacionais, em que os ganhos de eficiência ou produtiva são avaliados em termos sociais. Cidades na Alemanha que utilizam carros alugados]

As relações entre Inovação e Propriedade Intelectual, neste contexto, é onde a produção de conhecimento (científico, tecnológico ou de outro tipo) encontram-se com as dinâmicas econômicas.

Nessa perspectiva, a discussão sobre Propriedade Intelectual fundamenta-se em argumentos relativos a: importância de sistemas de incentivo à criação (estimulo economico aos criadores ou investidores); sistemas de controle sobre investimentos (visando garantir possibilidades de retorno futuro); mecanismos de gestão da competição entre empresas ou mesmo entre nações.

É uma discussão que também envolve as formas jurídicas nacionais (as leis precisam ter validade num território), legislações e organismos internacionais, com todas as complexidades relativas à arbitragem (quem faz as leis, onde elas valem, quem tem condições de impor sanções etc…).

Interessante destacar: OMPI-1967, acordos internacionais sobre propriedade intelectual surgem juntamente à emergência da chamada Sociedade da Informação => momento em que parte significativa da geração de valor das atividades econômicas desloca-se das atividades ditas materiais para uma camada imaterial (design, marca, tecnologia agregada…)

Faço este breve introdução apenas para indicar como o sistemas de propriedade intelectual e as políticas de inovação, possuem história e fazem parte, portanto de modelos possíveis de desenvolvimento econômico, social, compondo assim, estratégias de desenvolvimento de países ou blocos de países.

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Em se tratando de um regime de propriedade sobre bens cuja característica é não-rival e intangivel, e cuja origem e circulação é de difícil delimitação (como controlar as idéias? Quem são, afinal, os criadores originais?) os problemas relativas à propriedade intelectual são parecidos, de certa forma, aos dilemas que enfrentamos sobre a gestão de recursos naturais comuns, como a água, o ar, etc (claro que recursos materiais são finitos e isso faz uma grande diferença). Como se dão as fronteiras de recursos marítmos? Ou do ar que respiramos? Quanto de ar podemos usar ou poluir em determinada atividade econômica?

Ao criarmos formas de gestão da produção e da circulação de conhecimentos numa sociedade estamos desenhando um “ecossistema” onde a forma de acesso ao conhecimento, enquanto recurso produtivo, pode ser modulado entre dois extremos: ambientes de fácil acesso ao conhecimento X ambientes de acesso mais restrito ao conhecimento.
A propriedade intelectual é um mecanismo para tentar gerir (positivamente ou negativamente) essas fronteiras e criar condições de estímulo ou de desistimulo à criação.

Nesse sentido, podemos pensar em “modelos de sociedade”, onde as atividades econômicas, sociais e políticas irão se desenvolver de forma diferente, a depender da “ecologia de conhecimentos”.

Essa ecologia de conhecimentos e também desenhada pelos recursos de comunicação que temos em cada época: basta pensarmos em como o surgimento da imprensa, do radio, televisao e mais recentemente da internet, produz ambientes para produção e circulação de conhecimentos muito distintas, modificando profundamente as relações de poder, as atividades econômicas e as formas de acesso à informação numa sociedade.

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Para exemplificar melhor essa idéia de “ecossistemas” e a maneira como o conhecimento, mediado pelas formas de expressão (tecnologias de comunicação, por exemplo), participa das atividades socioeconomicas e politicas, tomarei dois exemplos:

Um exemplo radical: nossa língua (o portugues) é um recurso cognitivo de uso comum que não está sujeito a um sistema de propriedade. Com isso, todos aqueles que dominam o código podem fazer uso dele sem ter que pagar por isso. Evidentemente, novas formas de estratificação social irão se estabelecer a partir das diferentes condições de apropriação deste código e das competências correlatas. Nesse sentido, a capacidade de comunicação em portugues é um recurso cognitivo que participa de toda atividade econômica sem ser exatamente contabilizado (é quase uma externalidade).

Todavia, cada vez mais, o domínio de recursos cognitivos funcionam como vetor de diferenciação quando inseridos nas atividades produtivas.
Por exemplo, o diploma universitário é um sistema de certificação sobre conhecimentos específicos que, em nossa sociedade, tornarem escassos e constituem um mercado de trabalho. Em certo sentido, podemos dizer que o diploma funciona como um tipo de certificação que confere direitos de uso/usufruto econômico sobre a posse de um conhecimento cuja domínio (ou posse) é rara.

Com isso, quero indicar que temos diferentes formas de combinar livre acesso a recursos cognitivos (ou conhecimentos) com formas “proprietárias” ou “certificadas” que garantem condições exclusivas de uso daquele conhecimento.

Com isso podemos ter modelos em que a inovação tecnológica está mais concentrada em poucos atores que detém maior acesso a conhecimentos e poder econômico; ou modelos em que a inovação está mais dispersa em redes ou grupos porque os recursos cognitivos ou materiais para inovação são de “baixo” custo de entrada.

Atualmente, há fortes debates acadêmicos sobre se os dispositivos de propriedade intelectual estão realmente funcionando como mecanismos de estímulo à inovação ou se, ao contrário, tornarem-se recursos importantes de bloqueio à inovação.

Isso ocorre em parte porque:
-aqueles que se estabeleceram primeiramente no interior do sistema de propriedade intelectual, estão em condições favoráveis economicamente e politicamente no tabuleiro. São eles que ditam as regras do jogo.
-criar e manter um sistema de gestão da propriedade intelectual é custoso.

Tal situação tem propiciado a emergencia de guerras de patentes, onde quem tem mais recursos para bancar as batalhas jurídicas acaba ganhando.
Já se utilizam, ha muito tempo, por exemplo, patentes defensivas ou preventivas.

Diante disso, na universidade, precisamos discutir qual “ecologia de conhecimentos” desejamos incentivar e quais modelos de interação entre o conhecimento produzido na Universidade e as atividades economicas e sociais extra-universidade queremos fomentar.

Quando pensamos em politicas de inovação tecnológica para o desenvolvimento socioeconomico em termos nacionais (política pública de ciência, tecnologia e inovação) devemos avaliar como o uso combinado de dispositivos de propriedade intelectual podem ser combinamos com formas de livre acesso ao conhecimento. As escolhas devem levar em conta a maneira como os conhecimentos produzidos participam na dinamica social e econômica, em que escala da sociedade (micro, macro), e em que locais de uma cadeia produtiva.

Neste sentido, penso que é estratégico discutirmos quais conhecimentos, e quais são as interações que este conhecimento produz em contextos específicos, para podermos avaliar qual forma de regulação pode potencializar o desenvolvimento social e econômico.

Só para citar exemplo desses desenhos estratégicos: “Fair Use” nos EUA => EUA tem política restritiva da P.I para fora do país, e internamente tem mecanismos mais flexíveis – com isso, consegue criar ambiente mais favorável de inovação, enquanto utiliza os mesmos dispositivos para bloquear a inovação em empresas ou países concorrentes.

Numa outra direção, muito do que temos hoje em termos de inovação tecnológica apoia-se em modelos de inovação aberta:
-internet => Tim Berners-Lee criados dos protocolos http:// ,  www

A internet funciona como um ambiente sociotécnico de natureza aberta à inovação que se dá nas pontas.

Antes de termos esta internet, outros modelos (tanto estatais – Minitel Frances) como modelos proprietários de algumas empresas) não foram capazes de competir com o modelo aberto proposto, baseado no TCP/IP.

Da mesma forma, os computadores da IBM, para que pudesse ficar mais baratos e competitivos, optaram por uma arquitetura aberta dos componentes, permitindo que muitas fábricas produzissem as peças necessárias para um computador.

É diante desses dilemas, e combinados à novas práticas de colaboração e uso das tecnologias digitais que temos observado o surgimento de muitas experiências interessantes de inovação aberta na área científica e tecnológica.

==Ciência Aberta e Inovação Aberta==

Slides-Apresentados-henrique-inovacao-aberta

Caso tenham interesse noutros links veja minha biblioteca aqui:

Ciência Aberta: https://links.sarava.org/bookmarks/polart/ci%C3%AAncia-aberta
Ciência Cidadã: https://links.sarava.org/bookmarks/polart/ci%C3%AAncia-cidad%C3%A3
Dados Abertos: https://links.sarava.org/search/polart/dados-abertos
Tecnologias Sociais: https://links.sarava.org/search/polart/tecnologias-sociais
Participação social e tecnologias: https://links.sarava.org/tags/participa%C3%A7%C3%A3o-pol%C3%ADtica

Site: http://tropixel.ubalab.org/pt-br/15-ciencia-aberta

tropixel

 

 

Semana de atividades e debates sobre ciência aberta, dentro do Festival da Mata Atlântica em Ubatuba.

Tropixel Ciência Aberta é uma programação desenvolvida pela rede Tropixel e pela plataforma Ciência Aberta Ubatuba dentro do Festival da Mata Atlântica no início de junho de 2015, em Ubatuba. Consistirá em oficinas, debates e um laboratório temporário trabalhando temas como o acesso a dados científicos, a relação entre ciência e desenvolvimento, ferramentas colaborativas em rede e equipamentos científicos abertos.

1. Oficina Hardware Científico Aberto

1 e 2 de junho, das 13h30 às 17h30. Etec Centro Paula Souza (Castro Alves 392, Itaguá).

Oficina para alunos de escolas públicas de nível médio e/ou técnico. Propõe a montagem de equipamentos de monitoramento ambiental baseados em software livre, hardware aberto e componentes eletrônicos de baixo custo. Inscrições abertas no formulário disponível aqui.

Facilitadores: Ricardo Guima-San e Gina Leite (Gypsyware/Memelab).

2. Painel Ciência Aberta

3 de junho, das 13h30 às 19h. Auditório do Aquário de Ubatuba (Guarani 859, Itaguá).

Debates e apresentações sobre Ciência Aberta e Colaborativa, explorando suas implicações e potencial no contexto local de Ubatuba e entorno. Ao fim do painel haverá o lançamento do Guia de Práticas Abertas e Colaborativas em Ciência.

14h a 16h – Territórios e conhecimento

  • Diogo Soares (Observatório Litoral Sustentável);
  • Maira Begalli (UFABC);
  • Representantes do Fórum de Comunidades Tradicionais;
  • Álvaro Fazenda (Forest Watchers / UNIFESP SJC);
  • Lica Simões (Redelitoral / ITA).

16h – Coffee Break

16h30 a 18h30 – Fronteiras abertas

  • Cândido Moura – (Ubatubasat / Escola Técnica Tancredo Neves);
  • Rachel Jacobs – (Active Ingredient);
  • Jorge Machado – (EACH USP);
  • Juliana Bussolotti (Associação Cunhambebe) e Humberto Gallo (PESM).

18h30 – Ciência em Construção

  • Leslie Chan (OCSD) – participação remota;
  • Lula Fleischman – Lançamento do guia de ciência aberta e colaborativa.

3. Laboratório #mozsprint: Mozilla Science Global Sprint

4 e 5 de junhom das 10h às 17h.

Dois dias de laboratório aberto, desenvolvendo protótipos e projetos ligados às ideias de ciência aberta e colaborativa. O lab faz parte do Mozilla Science Global Sprint, evento que acontecerá simultaneamente em várias partes do mundo. Algumas atividades previstas são:

  • Mutirão digital de dados científicos sobre Ubatuba;
  • Performing data hackday + Redes de sensores Infoamazonia;
  • Oficinas de tecnologias colaborativas para projetos científicos;
  • Edição colaborativa do Guia da Ciência Aberta;
  • Incubadora de projetos científicos abertos.

Organização

Apoio

aaron-swartz

[Atualização: a tese foi inscrita graças ao apoio de muitas pessoas. Aaron Swartz a luta segue!]

 

Contribuições às teses que serão discutidas durante o Congresso da Unifesp. O texto abaixo contou com a colaboração de inúmeras pessoas, em especial do grupo de trabalho “Ciência Aberta”.
Utilizamos esta plataforma para escrever a minuta, onde todas as contribuições individuais podem ser visualizadas: https://pad.riseup.net/p/tese-acesso-conhecimento

O texto finalizado para coleta de assinaturas é o que segue abaixo.

Professores, estudantes e técnicos da Unifesp que estiverem de acordo com a proposta e quiserem assina-la basta me enviar por email o nome + número SIAPE (caso professor ou tecnico) ou nome + matricula (caso estudante).

enviar para: opensocialsciences@gmail.com
assunto: tese ciencia aberta

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Deve o conhecimento ser livre? Sim!

Tese: A universidade deve promover a ciência aberta, o livre acesso à cultura e ao conhecimento.

Ciência, cultura e conhecimento são frutos da ação coletiva e constituem o bem comum (“commons”) que faz da universidade um importante espaço de criação, compartilhamento e difusão de idéias, de práticas e tecnologias. Se na sua origem a ciência moderna nutriu-se de uma importante publicização e abertura, baseado no escrutínio dos procedimentos e resultados, na possibilidade de sua ampla reprodução e modificação para novos aperfeiçoamentos e na ampla difusão social para aplicações diversas, hoje este commons encontra-se ameaçado.

De maneira análoga ao cercamento das terras comunais que deram origem à acumulação privada da terra, no atual contexto histórico a cultura, os diversos tipos de conhecimento, inclusive o conhecimento científico, estão sujeitos a novas formas de privatização, sendo tratados como bens materiais passíveis de apropriação exclusiva. Seja pela ampliação dos direitos de propriedade intelectual, através dos mecanismos de avaliação da produtividade científica, seja por uma cultura instrumental e proprietária na sua relação com o saber, observamos que tais dispositivos tem ensejado mais a competição entre os pares do que a cooperação, mais o bloqueio da criatividade do que o incentivo à inovação, introduzindo dinâmicas nocivas à produção e difusão de novos conhecimentos.

Enquanto muitos países de reconhecida produção científica e tecnológica estão reavaliando os efeitos negativos da privatização do conhecimento – quando a criação de patentes e direitos autorais são utilizados para bloquear a inovação de um possível competidor – o governo brasileiro espera fazer a modernização da produção científica e tecnológica mediante a inserção tardia no jogo da “inovação” em que as cartas do tabuleiro internacional já estão todas definidas.

Como evidências dessa tendência internacional, temos as análises do Nobel de economia e diretor do banco mundial Joseph Stiglitz[1.1], professor da Columbia University, de Paul David[1.2], professor emérito de Stanford e Oxford, da Nobel de economia Elinor Ostrom[1.3], entre outras, e ações concretas como a contratação pelo Ministério da Ciência Britânico do cofundador da Wikipédia Jimmy Wales[2], a licença e repositório de hardware aberto do CERN[3], o financiamento australiano ao desenvolvimento aberto de fármacos para malária[4], e também iniciativas no setor privado a exemplo da Open Invention Network[5] e da Tesla Motors[6]

Por acreditar que a universidade deve promover o livre acesso ao conhecimento e à cultura, e que a ciência cresce e se aperfeiçoa quanto mais partilhada, desejamos promover práticas instituicionais que fomentem a colaboração, o compartilhamento e o livre acesso à informação nas diversas fases da produção, ensino e difusão científica.

 

Propostas

 

  • Estender a promoção do acesso aberto (veja plataforma Scielo) a toda produção científica financiada com recursos públicos. Haja visto que no suporte digital as regras baseadas na escassez não fazem mais sentido. Hoje é sabido que a livre circulação de edições digitais contribui para o aumento das vendas das versões impressas do mesmo trabalho, além de ampliar o acesso e o público a esses recursos.
  • Adotar protocolos para o compartilhamento dos procedimentos de pesquisa e dos bancos de dados produzidos pela comunidade científica para fortalecer a cooperação na utilização das informações produzidas (veja o projeto Open Source Malaria).
  • Fomentar o software livre na universidade e a adoção de padrões abertos para arquivos e materiais digitalmente disponíveis como um passo importante para ampliar o acesso, uso, e trabalho colaborativo entre pesquisadores e instituições no Brasil e ao redor do mundo. As tecnologias (hardware e software) criadas e adotadas em nossas práticas científicas e educativas podem se orientar pelo paradigma da abertura (veja o exemplo da Internet e da World Wide Web, tornada universal graças à adoção de protocolos informáticos abertos).
  • Promover os Recursos Educacionais Abertos (REA) através de formas alternativas de licenciamento autoral como política institucional da universidade. Quando os materiais educacionais utilizados em sala de aula e mesmo os produzidos pela comunidade são de acesso limitado – por edições esgotadas, barreiras de acesso a alunos que participam do curso em questão, livros restritos aos espaços das bibliotecas, contratos comerciais que alienam o autor etc – colocam professores, estudantes e pesquisadores numa zona cinzenta quanto ao direito autoral, além de limitar seriamente o acesso, compartilhamento e melhoria dos recursos didáticos, obstruindo o ciclo virtuoso de produção intelectual que é prática essencial na universidade. Considere-se bons exemplos como o programa de incentivos adotado pela UFPR[7] e o projeto de adoção de licenças livres pela Universidade Aberta do Brasil[8].
  • Desenvolver e institucionalizar mecanismos de reconhecimento e valorização de contribuições ao conhecimento produzido abertamente durante os processos de pesquisa e ensino, de modo que a produção de conhecimento e inovação abertos se torne uma atividade positiva na carreira de docentes, estudantes e demais.
  • Promover o monitoramento dessas produções abertas para que se possa contemplá-las nas avaliações das atividades da universidade, para seu próprio direcionamento como também embasando o investimento da sociedade na instituição e estimulando maior envolvimento público na produção e nos debates sobre ciência e tecnologia.

Uma universidade que se pretende inovadora na produção científica e socialmente comprometida deve promover práticas sociais e formas de produção de conhecimentos em que o commons (bem comum e não-rival – base da ciência, cultura e conhecimentos, mas também da coesão social) seja permanentemente nutrido e ampliado, resistindo portanto às tendências de apropriação exclusiva que contribuem para a corrosão da própria comunidade.

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[1.1] Stiglitz
http://scholarship.law.duke.edu/dlj/vol57/iss6/3/

[1.2] Paul David

http://siepr.stanford.edu/publicationsprofile/2791

[1.3] Elinor Ostrom

http://mitpress.mit.edu/books/understanding-knowledge-commons

[2]Jimmy Wales:
http://news.sciencemag.org/2012/05/u.k.-government-enlists-wikipedia-founder-open-access-policy

[3] CERN Open Hardware
http://www.ohwr.org/

[4] Open Source Malaria
http://opensourcemalaria.org/

[5] Open Invention Network
https://en.wikipedia.org/wiki/Open_Invention_Network

[6] Tesla Motors
http://www.forbes.com/sites/briansolomon/2014/06/12/tesla-goes-open-source-elon-musk-releases-patents-to-good-faith-use/

[7] Universidade Federal do Paraná – Política de Incentivo aos Recursos Educacionais Abertos:
http://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/ufpr-e-pioneira-na-valorizacao-de-recursos-educacionais-abertos-rea/

[8] REA (Recursos Educacionais Abertos) na Universidade Aberta do Brasil
http://www.capes.gov.br/images/stories/download/editais/Edital-1-2014-Unesco-TOR-17jul14.pdf