O texto de Madeleine Akrich – From communities of Practice to Epistemic Communities: Health Mobilizations on the Internet, faz uma ótima revisão teórica dos conceitos de comunidade de prática e comunidades epistêmicas. Para isso, a autora analisa o processo de produção e organização de conhecimentos em listas de discussão da internet na área de saúde. Ela toma, em especial, temas relacionadas à gravidez e parto, para discutir a emergência de saberes alternativos aos conhecimentos médicos, e como há processos muitas vezes de complementariedade ou conflito entre esses saberes. A noção de experiência ganha relevância nos casos analisados, e também a discussão sobre a constituição de campos políticos, tanto entre pacientes, médicos e gestores responsáveis por políticas públicas. No centro das reflexões estão os processos de ampliação da autonomia dos “pacientes” sobre sua própria saúde em diferentes dinâmicas: tanto nos casos em que os grupos passam a se organizar politicamente para demandar mudanças nas políticas públicas, como nos casos em que os grupos de pacientes estão focados no aprendizado e apoio mútuo para o empoderamento pessoal.

Madeleine Akrich. From communities of Practice to Epistemic Communities: Health Mobilizations on the Internet. Sociological Research Online, SAGE Publications (UK and US), 2010, 15 (2), 17 p. <10.5153/sro.2152>. <hal-00517657>

Texto disponivel aqui: https://halshs.archives-ouvertes.fr/hal-00517657

Site: http://tropixel.ubalab.org/pt-br/15-ciencia-aberta

tropixel

 

 

Semana de atividades e debates sobre ciência aberta, dentro do Festival da Mata Atlântica em Ubatuba.

Tropixel Ciência Aberta é uma programação desenvolvida pela rede Tropixel e pela plataforma Ciência Aberta Ubatuba dentro do Festival da Mata Atlântica no início de junho de 2015, em Ubatuba. Consistirá em oficinas, debates e um laboratório temporário trabalhando temas como o acesso a dados científicos, a relação entre ciência e desenvolvimento, ferramentas colaborativas em rede e equipamentos científicos abertos.

1. Oficina Hardware Científico Aberto

1 e 2 de junho, das 13h30 às 17h30. Etec Centro Paula Souza (Castro Alves 392, Itaguá).

Oficina para alunos de escolas públicas de nível médio e/ou técnico. Propõe a montagem de equipamentos de monitoramento ambiental baseados em software livre, hardware aberto e componentes eletrônicos de baixo custo. Inscrições abertas no formulário disponível aqui.

Facilitadores: Ricardo Guima-San e Gina Leite (Gypsyware/Memelab).

2. Painel Ciência Aberta

3 de junho, das 13h30 às 19h. Auditório do Aquário de Ubatuba (Guarani 859, Itaguá).

Debates e apresentações sobre Ciência Aberta e Colaborativa, explorando suas implicações e potencial no contexto local de Ubatuba e entorno. Ao fim do painel haverá o lançamento do Guia de Práticas Abertas e Colaborativas em Ciência.

14h a 16h – Territórios e conhecimento

  • Diogo Soares (Observatório Litoral Sustentável);
  • Maira Begalli (UFABC);
  • Representantes do Fórum de Comunidades Tradicionais;
  • Álvaro Fazenda (Forest Watchers / UNIFESP SJC);
  • Lica Simões (Redelitoral / ITA).

16h – Coffee Break

16h30 a 18h30 – Fronteiras abertas

  • Cândido Moura – (Ubatubasat / Escola Técnica Tancredo Neves);
  • Rachel Jacobs – (Active Ingredient);
  • Jorge Machado – (EACH USP);
  • Juliana Bussolotti (Associação Cunhambebe) e Humberto Gallo (PESM).

18h30 – Ciência em Construção

  • Leslie Chan (OCSD) – participação remota;
  • Lula Fleischman – Lançamento do guia de ciência aberta e colaborativa.

3. Laboratório #mozsprint: Mozilla Science Global Sprint

4 e 5 de junhom das 10h às 17h.

Dois dias de laboratório aberto, desenvolvendo protótipos e projetos ligados às ideias de ciência aberta e colaborativa. O lab faz parte do Mozilla Science Global Sprint, evento que acontecerá simultaneamente em várias partes do mundo. Algumas atividades previstas são:

  • Mutirão digital de dados científicos sobre Ubatuba;
  • Performing data hackday + Redes de sensores Infoamazonia;
  • Oficinas de tecnologias colaborativas para projetos científicos;
  • Edição colaborativa do Guia da Ciência Aberta;
  • Incubadora de projetos científicos abertos.

Organização

Apoio

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Site do Evento: http://lavitsrio2015.medialabufrj.net/

De 13 a 15 de maio de 2015

O III Simpósio Internacional da Rede Latino-Americana de Estudos em Vigilância, Tecnologia e Sociedade/LAVITS, propõe como temática central as relações entre vigilância, tecnopolíticas e territórios. No âmbito desta temática, uma série de subtemas serão debatidos ao longo do Simpósio:

  • Big Data, vigilância e tecnopolítica
  • Vigilância, protestos políticos e manifestações urbanas
  • Megaeventos e vigilância
  • Web, Deep Web e Internet das Coisas: rastreamento e vigilância
  • Ativismo e contra-vigilância: criptografia, hacktivismo, tecnopolíticas
  • Práticas artísticas e estéticas da vigilância
  • Trabalho e Vigilância
  • Corpo, afeto e vigilância
  • Identificação, biometria e vigilância
  • Cidades inteligentes e vigilância algorítmica
  • Vigilância móvel e wearable: drones, GPS, smartphones, câmeras integradas etc.
  • Privacidade, dados pessoais e controle da informação
  • Vigilância e práticas de consumo
  • Tecnologias de auto-monitoramento e controle
  • Histórias, memórias e arquivos da vigilância
  • Regulação da vigilância e proteção de dados na América Latina
  • Snowden, NSA e vigilância de massa: impactos na América Latina
  • Vigilância e ditadura militar na América Latina
  • Mercado da vigilância na América Latina: conexões público-privado
  • Vigilância e Tecnopolítica na América Latina: conceitos, metodologias e estudos de caso
  • Controle social, território e vigilância na América Latina

RSF_Dilma-Rousseff-e-Mark-Zuckerberg-do-Facebook_02Fonte: http://softwarelivre.org/branco/blog/organizacoes-entregam-carta-a-presidenta-dilmabr-sobre-o-acordo-com-o-facebook.-leia-aqui

São Paulo, 23 de Abril de 2015

À Exma.
Presidente da República Federativa do Brasil
Sra. Dilma Roussef

Att.: Carta à Presidente Dilma Roussef sobre o acordo com o Facebook

Exma. Sra. Presidente,

As organizações e indivíduos abaixo assinados vêm por meio desta manifestar sua contribuição ao debate com relação ao recente anúncio realizado por Vossa Excelência durante a 7º Cúpula das Américas sobre o estabelecimento de uma parceria com o Facebook para a implementação do projeto “Internet.org” no Brasil.

Embora estejamos de acordo com o diagnóstico de que há um grande déficit na qualidade e na extensão do acesso à Internet fixa e móvel em países em desenvolvimento como o Brasil, consideramos que este projeto que vem sendo promovido pelo Facebook em diversos países da América Latina, África e Ásia, pode colocar em risco o futuro da sociedade da informação, da economia no meio digital e os direitos que os usuários usufruem na rede, como a privacidade, a liberdade de expressão e a neutralidade da rede.

Pelo que pudemos apurar sobre o projeto, acreditamos que ao prometer acesso gratuito e exclusivo a determinados serviços e aplicativos o Facebook está na verdade limitando o acesso à Internet aos demais serviços existentes na rede e oferecendo aos que têm menos recursos econômicos o acesso a apenas uma parte do que constitui a Internet, o que viola os fundamentos e princípios basilares do Marco Civil da Internet (Lei nº 12965), da Declaração Multissetorial do NETMundial e dos Princípios para a Governança e Uso da Internet no Brasil do CGI.br (RES/2009/003/P), conforme elencamos a seguir:

* A lei nº 12965 que institui como fundamento do uso da Internet a liberdade de expressão, o reconhecimento da escala mundial da rede, a pluralidade e a diversidade, a abertura e a colaboração, a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumidor (art.2º), assim como reconhece os princípios da proteção da privacidade, a preservação e garantia da neutralidade de rede e a garantia da preservação da natureza participativa da rede (art.3º). Lembramos também que a referida lei estabelece como objetivo do uso da Internet o direito de acesso a todos, o acesso à informação, ao conhecimento, à participação na vida cultural e política, a inovação e a adesão a padrões tecnológicos abertos(art.4º);

* O Encontro Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet (NETMundial) reconheceu que a Internet é um recurso global que deve ser gerida pelo interesse público, e identificou um conjunto de princípios comuns e valores, dentre os quais gostaríamos de ressaltar o caráter de espaço unificado e não fragmentado, onde datagramas e informação fluam livremente de ponta a ponta independentemente de seu conteúdo legal, a proteção e promoção da diversidade cultural e linguística, a arquitetura aberta e distribuída, preservando o ambiente fértil e inovador, a promoção de padrões abertos consistentes com os direitos humanos e com o desenvolvimento e a inovação na rede, e a preservação de um ambiente favorável à inovação sustentável e à criatividade, reconhecendo o empreendedorismo e o investimento em infraestrutura como condições para a inovação;
* Os Princípios para a Governança e Uso da Internet do Brasil aprovados pelo CGI.br, o Comitê Multissetorial de Governança da Internet no Brasil, que buscam embasar e orientar ações e decisões com vistas à governança democrática e colaborativa, preservando e estimulando o caráter de criação coletiva da Internet, a universalidade, a diversidade, a inovação, a neutralidade e a padronização e interoperabilidade da rede.

* Enfatizamos ainda que essa estratégia do Facebook e de outras grandes empresas, realizada em parceria com as operadoras de telecomunicações, representa uma grave violação da regra da neutralidade quando promove “acesso para todos” sob a máxima “internet grátis”. Esta prática que permite que apenas alguns aplicativos e serviços tenham privilégios na rede é conhecida internacionalmente como zero-rating(taxa zero) e, mesmo que possibilite o uso dos serviços mais populares, no longo prazo acaba gerando concentração da infraestrutura e monopólio sobre o tráfego de dados na rede, reduzindo tanto a disponibilidade de conteúdos, aplicativos e serviços na Internet, quanto a liberdade de escolha do usuário. Com isso, cabe perguntarmos como se espera que o Brasil desenvolva o setor de aplicativos, um dos mercados que mais cresce no mundo, se estes terão limitado seu acesso a grande parte da população.

* O modelo proposto pelo projeto Internet.org tem também efeitos desastrosos para o desenvolvimento das culturas regionais, comprometendo o direito de acesso à informação ao violar outro princípio fundamental do Marco Civil e da declaração Multissetorial do NETMundial que é a liberdade de expressão. Em geral, plataformas como Facebook controlam por meio dos seus algorítimos e termos de uso os conteúdos e dados que circulam na rede, determinando de maneira centralizada e de acordo com critérios próprios e pouco transparentes os conteúdos mais visualizados pelos usuários. Tal cenário se agrava se lembrarmos que boa parcela da receita das empresas de Internet e operadoras de telefonia são hoje provenientes da venda de aplicações e conteúdos que acabam sendo fornecidos de forma imposta e verticalizada nos pacotes de serviços. A formação de conglomerados econômicos, devido ao processo de convergência dos meios de comunicação, tem feito com que as empresas que prestam serviços de acesso à Internet sejam as mesmas que fornecem conteúdos, gerando ainda mais concentração. Essa limitação do número de serviços e aplicativos disponíveis resulta no desrespeito ao direito de escolha dos consumidores e à livre concorrência, a limitação da diversidade cultural e o cerceamento do livre fluxo de informações na rede.

* Não podemos esquecer ainda que a plataforma tecnológica do Facebook tem sido uma das principais portas para a vigilância em massa, colocando em risco outro importante princípio do Marco Civil e da declaração Multissetorial do NETMundial que é a privacidade dos cidadãos. A ausência de uma lei de proteção de dados no país agrava o problema e faz com que hoje os possíveis usuários dos serviços que serão disponibilizados pelo Internet.org fiquem vulneráveis aos interesses comerciais dessa plataforma e às pressões políticas que uma empresa com sede nos Estados Unidos está sujeita.

* É por considerar que a universalização do acesso à Internet se dá a partir de políticas coerentes com a sua essencialidade, o que passa pela prestação do serviço de telecomunicações que lhe dá suporte também em regime público e pelo fortalecimento de políticas já existentes, tais como cidades digitais, provedores comunitários integrados a telecentros, pontos de cultura, GESAC, estações digitais e iniciativas de comunicação comunitária, que nos posicionamos veementemente contra o acesso privilegiado ao mercado e aos dados dos brasileiros que o Facebook pretende obter com seu projeto através do Internet.org. Dentre as excelentes alternativas internacionais que poderiam ser aproveitadas, cabe também mencionar o Plan Ceibal no Uruguai, que busca fomentar as redes livres, o GuifiNet, uma parceria entre sociedade, ONGs e governos, OpenWRT, Commotion Wireless, entre outros.

* Por último, vale lembrar que o Brasil possui um enorme contingente de organizações e ativistas que vem atuando na promoção da inclusão digital. Ainda que nas políticas de acesso à banda larga o diálogo entre governo e sociedade civil não tenha se estabelecido de maneira satisfatória como ocorreu no Marco Civil, a aprovação da lei e seu processo de regulamentação são exemplares no incentivo à participação social e na existência de um canal efetivo de interlocução entre ambos os setores. A notícia de uma parceria com a empresa Facebook sem qualquer conhecimento prévio pela sociedade civil, no entanto, diverge da postura democrática, transparente e inclusiva que tem sido adotada nas decisões e discussões relacionadas ao Marco Civil da Internet.

Conforme o exposto acima, concluímos que é de extrema importância que se preserve o desenvolvimento da economia digital e que se garantam os direitos estabelecido pela Marco Civil da Internet assim como os princípios estabelecidos no encontro multissetorial Netmundial. Assim, as entidades ora signatárias requerem:

Que não sejam firmados quaisquer acordos com a empresa Facebook no âmbito da sua iniciativa Internet.org que tenham como objeto o provimento de acesso grátis à Internet; e

i.  Que quaisquer acordos que venham a ser firmados com a empresa Facebook – ou quaisquer outras empresas – respeitem os direitos positivados pelo Marco Civil, em especial o da neutralidade de rede;
ii.  Buscar a realização de amplo debate com a sociedade civil antes de fechar acordos desse tipo.

Desde já nos colocamos à disposição para um encontro presencial com Vossa Excelência para debatermos melhor o assunto e certos de sua habitual atenção, subscrevemos.

– Artigo19
– Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital – ABCID
– Associação Software Livre do Brasil – ASL
– Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
– Co:Laboratório de Desenvolvimento e Participação – COLAB/USP
– Coletivo Digital
– Coletivo Soylocoporti
– Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC
– Frente Acorda Cultura
– Hacklab Independência
– Instituto Bem Estar Brasil
– Instituto Beta Para Internet e Democracia – IBIDEM
– Instituto de Defesa do Consumidor – Idec
– Instituto Telecom
– Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
– Movimento Mega
– PimentaLab – Unifesp
– PROTESTE – Associação de Consumidores
– Recursos Educacionais Abertos Brasil – REA-Br
– Rede Livre
– União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura – ULEPICC-Br

Graças ao trabalho do Wikileaks temos acesso agora ao TPP (Trans-Atlantic Partnership Aggrement), relativo ao “Capítulo sobre Investimentos”.

Este documento sigiloso de 25 de janeiro de 2015 é parte dos acordos internacionais em construção entre nações, mas que inscrevem fortes interesses das Corporações na definição das regras do jogo e dos mecanismos de arbitragem (pois também determinam a criação de tribunais fora da jurisdição dos estados nacionais).

Novamente, a transparência e publicidade de informações estratégicas contra o sigilo dos poderosos, ajuda-nos a melhor compreender os perversos mecanismos e interesses que articulam as entranhas e cabeças de dois sistemas (estado e corporação) numa única serpente.

É ainda mais sintomático que a notícia tenha chegado ao público através do trabalho coordenado por Julian Assange, mantido desde junho de 2012 na zona cinzenta, puro estado de exceção: preso em Londres na embaixada do Equador que lhe concedeu o axílo, de lá não pode sair pois o governo britânico não lhe dá direito de passagem.

Informações completas: https://wikileaks.org/tpp-investment/

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Neste domingo (15/3/2015) muitas pessoas foram às ruas protestar contra o governo e o PT.
A força das ruas aponta para algo ainda informe, mas é uma força grave e deve ser levada a sério. É importante analisa-la em sua diversidade interna e compreender a maneira como foi construída, inflamada e como se dá a elaboração das narrativas que se pretendem unitárias.

Surpresa? Um pouco, mas lembrem, a Dilma foi eleita com 54 milhões de votos e a oposição teve 51 milhões (é gente pra caramba).
Desesperança? Afinal, era tanta gente clamando por um mundo diferente daquele em que acredito e que desejo para o futuro?
Não, agora podemos vê-los! É tão mais fácil entender este país quando vemos as pessoas que compõem essas marchas e quando o jogo das portas fechadas se mostra nas ruas.
Tristeza? Sim, fiquei triste quando vi pessoas clamando por intervenção militar. Lembrei de tantas pessoas conhecidas que tiveram suas vidas ameaçadas, destruídas, outros que foram torturados ou mortos para que todas essas pesssoas tivessem o direito de ir para a rua se manifestar. Como não lembrar de história tão recente?

Meu sentimento no final do dia?
Tenho ainda mais vontade de agir politicamente, pois acredito que há novos mundos em formação e eles podem ser mais livres, mais felizes e mais amorosos. Pelo menos isso é o que desejo para o mundo em que vivo e onde minha pequena filha acaba de chegar.
Numa imagem esperançosa descrita pela amiga Lilian Kelian, talvez estejamos vendo o suspiro terminal de um mundo moribundo, o mal estribuchando para algo melhor nascer. De uma certa perspectiva esta imagem produz sentidos.

Quando trabalhamos com jovens, quando circulamos pela cidade, pelo Brasil, especialmente pela borda, fora dos centros, este mundo dos bolsonaros, dos aécios, dos lobões já é um mundo tão velho. Ainda que tentem legislar para congelar um modelo arcaico de família, as pessoas já estão fazendo famílias de múltiplas formas; ainda que construam espaços murados e ilhas fortificadas, os shoppings e os condomínios já não são capazes de guardar suas fronteiras; ainda que queiram regular a vida e o que fazemos com nossos corpos, a liberdade e a autonomia já não podem mais ser contidas; ainda que tentem exterminar e encarcerar nossos jovens negros, a organização da resistência só cresce e floresce; ainda que queiram controlar a comunicação, o desejo de livre expressão está em toda parte, somos legião; ainda que contruam arranha-céus para cidades dormitórios, a luta por moradia enche de vida as ruas, terrenos e prédios vazios; ainda que queiram controlar nossa vida nas cidades, as catracas estão sendo incendiadas; ainda que tentem preservar a sociedade escravocrata, os garis, as empregadas e serviçais se organizam e lutam. Somos muitos e diversos.

Todavia, é preciso colocar a mão na massa. Sinto um novo sopro que talvez contribua para ativar outras formas de luta e organização, novas institucionalidades rebeldes, novas formas de estar junto e produzir o comum. Afinal, o que está aí já não responde às nossas necessidades. Alguns indicam que entraremos num momento de inércia e de transição que pode levar alguns anos pra criar novas respostas. Minha impressão é outra. Acho que as organizações mais progressistas já estavam vivendo uma inércia de muitos anos. Fora delas, a criação já começou. Há muito trabalho pela frente (são muitas as frentes e bordas) e ela já está acontecendo desde baixo, em minorias não-numéricas, em toda a parte.

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Assim como em junho de 2013, não é mais possível analisar os protestos e seus sentidos sem ter os pés, olhos e ouvidos em diferentes espaços simultaneamente. O que acontece no espaço físico da rua é indissociável do que ocorre na esfera comunicacional.

Novamente, assistimos a uma acirrada disputa pela narrativa dos fenômenos e a emergência de dinâmicas que visam direcionar e reduzir expressões diversas de descontentamento para sistemas binários de oposição, onde, inevitavelmente, a batalha é facilmente ganha por aqueles capazes de hegemonizar sua versão dos fatos. Tal processo é acompanhado pela destruição da política como resultado da ação identitária (minha visão de mundo é melhor, é mais verdadeira do que a sua) de grupos forjados na pura emoção. Receita fácil para fascismos diversos.

O problema é mais grave quando a comunicação em redes digitais (celular+internet) é capturada, selecionada, editada e retransmitida por meios de comunicação de massa (TV, radio e grandes jornais e revistas) cujo controle e propriedade são absurdamente concentrados. A produção distribuída do cidadão na ponta do celular, mediada e retransmitida de maneira centralizada pelo grandes aparatos de mídia é capaz de produzir qualquer realidade. Os levantes da primavera árabe não foram feitos só de internet, mas de lutas no asfalto com transmissão centralizada pela Aljazeera.

É por isso que não basta ir às ruas, mesmo com uma multidão. É preciso também disputar as interpretações e desafiar as narrativas estabelecidas pelos grandes veículos de comunicação. E não falo só da TV e dos grandes jornais. Ambientes como o Facebook, cuja natureza é privada e corporativa, funcionam de maneira a reforçar nossas posições iniciais, criando grandes ilhas onde só nos comunicamos com nossos iguais. Há pouco espaço para o contraditório. Ademais, o controle sobre o funcionamento do algoritmo, que determina o que vemos e com quem interagimos, é um negócio bilionário cuja operação pode ser perfeitamente conduzida. Neste sentido, se a internet parecia uma terra livre em seu início, hoje ela está cada vez mais colonizada pelo poder econômico.

Se somarmos a capacidade de concentração e direcionamento do Facebook ao poder de centralização e transmissão massiva das TVs e grandes jornais brasileiros, temos um sistema comunicacional que abarca quase a totalidade dos cidadãos recebendo informações mediadas por grandes corporações.

Onde está a liberdade de comunicação, expressão e pensamento?

Assim, talvez hoje estejamos diante de uma importante encruzilhada.
Nas redes digitais está sendo travado uma guerra comunicacional entre grupos de posições distintas, mas a emissão centralizada das televisões e grande jornais ainda é capaz de produzir o assunto comum no país, e por isso, controlam a agenda política.
Por isso, a luta pela democratização e regulação econômica dos grandes meios de comunicação de massa (tv, radio e grandes jornais) é tão importante quanto a disputa da narrativa política na internet e nas ruas. Tudo ao mesmo tempo agora.

Este texto é a introdução do livro JUNHO: Potência das ruas e das redes, editado pela Fundação Friedrich Eber. A introdução foi escrita de forma coletiva por Hugo Albuquerque, Jean Tible, Alana Moraes, Henrique Parra, Salvador Schavelzon e Bernardo Gutiérrez. O livro é uma compilação de relatos das jornadas de junho e desdobramentos da maioria das regiões do Brasil.

Livre download do livro em formato PDF: JUNHO: potência das ruas e das redes.

O vídeo abaixo é a apresentação do livro realizada o passado dia 04 de março em São Paulo.

Em uma era na qual a morte de quase tudo – de deus até a filosofia, dos heróis às  celebridades do momento – é decretada, antecipada ou mesmo inventada, a História dificilmente passaria incólume: ela teria encontrado o seu desfecho com a queda do muro. Fim de papo, agora nos restava carregar o seu pesado caixão, em um caminho único, até uma cova bem rasa. Com a História, morriam juntos, no mesmo incidente, a utopia, o porvir e o horizonte. Mas tal como ocorreu com Mark Twain, os boatos sobre sua morte se mostraram um exagero.

Já nos anos 1990, o ciclo de lutas antiglobalização dera mostras de que não era bem assim. Outros mundos eram possíveis e, acima de tudo, desejados. No começo do século XXI, as manifestações antiguerra também interrogavam os caminhos que se apresentavam como inevitáveis. A crise financeira de 2008 nos EUA e na Europa e os diversos protestos e movimentos que aí germinaram; os levantes da Primavera Árabe, dos Occupy, as largas manifestações na Rússia nos fins de 2011, as manifestações espanholas e gregas e uma miríade de outros processos multitudinários indicariam um novo ciclo em relação aos conflitos do final do século XX. Quais as continuidades e rupturas? Quais são os repertórios, as formas de organização, as reivindicações e concepções políticas em jogo? Quais as disrupções?

O Brasil, no fim das contas, dificilmente ficaria ilhado. Depois de um ciclo de ascensão democrática e popular ímpar na história do país, marcada por um processo sem precedentes de inclusão socioeconômica na década de 2000, as transformações selvagens que abalaram as estruturas do Brasil passaram a ser enquadradas por uma política gerencial, com preocupações quase que exclusivamente econômicas – as quais se encontram delineadas na forma do “desenvolvimentismo”. Nessa esteira, um ar de imutabilidade capturava nossas imaginações políticas e uma inércia tomava cada vez mais as nossas vidas.

Foi por muito pouco – aparentemente “apenas” por alguns centavos – que o copo transbordou. O baixo valor objetivo tinha uma enorme, e ignorada, dimensão subjetiva.  A névoa de normalidade e estabilidade plena se desfez. A revolta contra o aumento da passagem traduzia naquele momento, em um só golpe, formas elementares de opressões e cerceamentos da vida cotidiana que já não nos dávamos conta: mobilidade, acesso à cidade, a necessidade de ocupar as ruas, de nos afetar com os encontros, de exigirmos uma distribuição radical das terras latifundiárias da política. A explosão veio quando as manifestações metropolitanas, iniciadas em capitais como Natal, Porto Alegre e Goiânia se viram em meio a levantes contra os reajustes tarifários do transporte público e se espalharam para outras cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

A história sobreviveu, se fez presente. Desta vez, no entanto, a História não teria um único embandeirado-sujeito carregando-a até um destino final previamente definido (a revolução, o poder, uma reforma constitucional). Em Junho, a história perderia o H maiúsculo. Longe da transcendência e do universal, as manifestações produziriam um enxame de redes e afetos, nem sempre encolunados numa subjetividade do Um e dos relatos clássicos da emancipação. A história caminharia na cidade e se conectaria com florestas e territórios indígenas, com corpos periféricos e desviantes, subverteria as gramáticas tradicionais das identidades fixas e fixadas, se desconectaria das instituições, não mais lugar exclusivo da política. Uma política corajosa e até então desconhecida, encontraria vetores de transformação e ar fresco em histórias outras, no espaço do comum que encontros novos abririam.

Dos atos ao acontecimento

Vamos fazer um flashback para tentar entender o furacão político das jornadas de junho: dia 13 de junho, quarto ato do Movimento Passe Livre (MPL). O protesto enfrenta por horas uma repressão policial pesada. Até então, a grande mídia estava ignorando a repressão policial, mas centenas de cidadãos registravam em tempo real com seus celulares o uso abusivo de gás lacrimogêneo e balas de borracha. A raiva explode. O dia 13 foi o ponto da virada. O rumo da onda de protestos que começou com o primeiro ato do MPL (06 de junho) havia mudado. Um estudo de Interagentes mostra que o MPL perdeu a liderança nas chamadas e conversas online após a violência policial. Perderia também o protagonismo das ruas a partir do ato do dia 17 de junho. O Brasil registrou, entre o 13 e o 17 de junho, um dos maiores volumes de tuítes da história. Um estudo de PageOneX.com visualiza uma explosão gigantesca, uma poderosa onda subjetiva e emocional nas chamadas mídias sociais. A mídia brasileira vinha falando dos “vândalos” desde o início dos protestos, criminalizando os manifestantes. Mas, como aconteceu na Turquia, onde os manifestantes do Gezi Park foram chamados de “chapullers” (vândalos), a indignação tornou-se empoderamento. No Brasil, em reação à manipulação midiática que insistia em contrapor os manifestantes “cidadãos” aos “vândalos criminosos”, muitos assumiram o nome múltiplo de vândalos ou baderneiros: “v de vinagre”, “v de vândalo”, “Maria Baderninha”, “Pedro Baderneiro”. Junho também produziu uma guerra de classificações e como consequência, uma demanda urgente pelo direito à autorrepresentação. O estudo de PageOneX.com mostra claramente como a violência policial deu passo à indignação. Posteriormente, o empoderamento emocional transformou o protesto pelo transporte em uma revolta coral, plural e fragmentada a serviço de novos imaginários: “por uma vida sem catracas”, “não é por vinte centavos, é por direitos…”.

No sábado, dia 15, aconteceu um episódio importante, que depois passaria despercebido em meio ao caldeirão emocional da revolta “vândala”. Alguns movimentos sociais mais tradicionais – entre eles a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) – fizeram manifestações em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro contra a Copa das Confederações. A novidade foi que alguns membros destes movimentos pediram colaboração a alguns hacktivistas do Anonymous. Teve lugar uma reunião na rede de chat encriptado CryptoCat, em uma sala chamada Garrincha, entre hacktivistas e militantes. Ninguém dos movimentos clássicos que estava dialogando na sala Garrincha sabia que o nível de viralização, dentro do contexto da onda do Passe Livre, iria ser galático.

A manifestação de 17 de Junho (# 17J), que acabou na ocupação do teto do Congresso Nacional em Brasília e com milhões de pessoas nas ruas do Brasil todo, já é parte da história. A inédita confusão do “juntos e misturados” foi a praia comum durante vários dias, algo inédito na história recente do Brasil, mais acostumado com o “juntos e não misturados”.  Curiosamente, um novo embate político se estabeleceu entre a diversidade de sentidos da potência das ruas e a agenda da mídia.

Outro corte: 20 de junho de 2013, Recife. A capital pernambucana viveu uma das maiores manifestações de sua história. A diferença do resto das cidades brasileiras, que já haviam tomado massivamente as ruas no dia 17 de junho, era a primeira grande manifestação de Recife nas jornadas de junho. The Sign of the Brazilian Protest, um infográfico interativo do jornal The New York Times feito a partir de uma fotografia aérea da manifestação, é uma boa metáfora da “fase II” das jornadas, quando o transporte deixou de ser a única pauta das redes e das ruas. Na foto observamos dezenas de cartazes, de gritos, de lemas. E nenhuma bandeira de partido. De todos eles, um cartaz especialmente simbólico: “Há tanta coisa errada que não cabe neste cartaz.” Ao longo de todas as manifestações de junho vimos muitos cartazes nessa direção. Mensagens não programáticas, mas agregadoras, como: “neste cartaz cabem todos os gritos”. Outros, destacavam a vida para além das redes digitais: “saímos do Facebook.”

O trem da multidão teve seu auge naquele mesmo 20 de Junho, na Avenida Paulista de São Paulo, tomando de assalto a palavra, desestabilizando a política da previsibilidade e a agenda do “que é possível pra hoje”. Ao lado esquerdo da Avenida Paulista, perto de Consolação, manifestantes muito heterogêneos (skatistas, coletivos LGBT, máscaras de Anonymous, famílias) caminhavam rumo ao MASP sem bandeiras nem símbolos de partidos. Paradoxalmente, no lado direito, organizações e movimentos da esquerda organizada – principalmente militantes do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), grupos universitários libertários e trotskistas e de movimentos sociais – marchavam acenando bandeiras vermelhas, alguns deles estavam lá desde as primeiras manifestações, outros aderiam naquele momento.

Era “tudo junto e misturado”. Na avenida Paulista não tinha um só grito. Nem sequer um só inimigo. Havia, isso sim, muito mais cartazes contra Dilma Rousseff que nos primeiros atos convocados pelo Movimento Passe Livre (MPL). Não à toa, a ocorrência de confrontos entre os dois lados da Paulista se registrou naquele dia. Algumas pessoas tinham transformado a música “Vem pra rua vem contra o aumento” dos primeiros atos em “vem pra rua vem contra o Governo”. O que aconteceu desde o primeiro ato pela redução da tarifa do transporte puxado pelo MPL-SP no dia 06 de junho?

Nas tentativas de entender os grandes acontecimentos de mobilização e luta, nos passam pela cabeça certas imagens: Maio de 68, o 15M espanhol, o 19 e 20 de dezembro na Argentina ou as milhares de cidades ocupadas no contexto do movimento Occupy. A questão que sempre retorna: Qual é o saldo político? Quais eram as demandas e até que ponto o sistema político as atendeu? Qual o acúmulo de cada força política e quanto delas foi dissipado sem continuidade em projetos políticos institucionais? Por trás das perguntas, sempre uma tentativa de buscar resultados em termos do tempo político normal, que justamente esses eventos modificam.

A distância entre a energia que circula nas ruas e nos imaginários dos protestos e, do outro lado, a tentativa de tradução em termos de organização política é sempre abissal. De fato, não é incomum que as imagens de praças e avenidas lotadas se sobreponham às da represão, da retomada conservadora e refluxo de movimentos. O Termidor sempre se apresenta na volta da esquina. É nesse momento que os apressados do desencantamento sempre dirão: “a revolta fracassou”, “a ordem foi estabelecida”, “não deu em nada”.

Os acontecimentos que se relacionam e revertem o tempo político são reconhecidos apenas como momentos “efêmeros”, os desejos e vontades se reduzem a “impulsos imaturos da juventude”, “utopia” ou “falta de sensatez”. “Está na hora de voltar pra casa”, algumas vozes disseram em Junho, “concordamos com vocês, mas as reformas que vocês querem não são possíveis”. Nesse momento, se impôs também uma leitura reducionista, onde os protestos eram lidos como antiprogressistas, como golpistas até – em algumas versões que circularam nas imprensas de países vizinhos – na tentativa apressada de devolver ao Estado a iniciativa, no que seria o espaço exclusivo da política. Continuar nas ruas era desestabilizar a democracia e questionar a legitimidade das instituições como lugar natural onde todo protesto deve se desvanecer.

Pensar um Junho que está sendo; pensar um, dois, três anos de Junho, de estar em Junho – e não apenas, o que se passou desde junho — faz parte de uma visão política ampla que resiste em decretar o fracasso dos acontecimentos que atualizam a História, que resiste a negar a potência da ação coletiva no imaginário político, apenas pela falta de institucionalização da revolta. Não vemos que a explosão de afetos, encontros e conexões das ruas deva ser necessária e inexoravelmente reduzida à representação e ao avanço da política profissional sobre a espontaneidade múltipla da irrupção política do fora. Foi justamente nas beiradas, na espontaneidade, nos laterais dos protestos iniciais e em alguns desdobramentos onde o ‘Brasil gambiarra’, híbrido e informal, alegre e transversal, manifestou que ainda existe ou que existirá. A história é feita no nível da fala, nesse momento onde a língua reconhecida e oficial é subvertida e os símbolos correm o risco de perder o seu sentido primordial.

Junho parou máquinas da política que pareciam imutáveis. Junho teve consequências concretas no sistema político e na multiplicidade de projetos políticos locais que terão presença na política brasileira por décadas. Além disso, Junho afetou de forma irreversível a gramática da produção de consensos, acelerou a reflexão sobre a urgência de uma política mais distribuída, alterou a rota segura e impávida da narrativa desenvolvimentista do crescimento, produziu doses intensas de desenfeitiçamento. Junho emergiu como um dispositivo disruptivo que quebrou o relato político e social prévio sem destruí-lo completamente. Junho também se insere em narrativas anteriores, como a de que Junho é pedir para avançar mais a partir do já feito. Mas Junho não emerge como uma meta narrativa rígida e categórica. O novo relato é um mosaico de fragmentos, de micro-utopias conectadas, de indignações distribuídas, de sonhos prévios, de novas sensibilidades. A multidão, transbordando as fronteiras do institucional, questionou o consenso, a realpolitik do pemedebismo como única política do possível.

A vigência de Junho, a possibilidade do impossível e do improvável na política do Brasil, está presente nos textos que aqui apresentamos. Eles trazem o ar respirado por subjetividades políticas que hoje e para sempre formam parte das capas geológicas onde a vida social reinicia e dá continuidade às lutas. Em diálogo direto com a profundidade da história, tão perto e tão longe da política e da gestão, vemos junho como produto e gerador de um novo tempo de desejos e mundos políticos que encontra nas ruas e nos gritos de um Brasil menor, radicalmente diferente do Brasil potência. O impacto simbólico, subjetivo, de junho vive ainda no “por uma vida sem catracas” que permeia as novas sensibilidades políticas.

No bojo dessas revoltas, surgiram novas formas de luta, novas táticas de insurgência, mas, também, novas tecnologias de repressão. Não se trata de um evento épico, ele é polifônico por natureza, logo, dramático. E seus contrastes, dobras e ambivalências nos levam não a um drama barroco, mas um drama histórico sobre uma situação barroca: deus e o diabo se encontram na Terra do Sol.

A nova luta, sem líderes, sem verticalidade e sem rosto emerge contra um aparato novo policial – no qual, além da própria polícia propriamente dita, se incluem também a mídia, o Judiciário, o Legislativo e o Executivo. Ele está pronto a identificar, rastrear redes, prender e punir – não raro, fazer sumir, como no caso Amarildo.

Além da disputa do grande Estado-polícia contra o movimento, fenômenos outros pipocam. Em grau molecular, e fora do Estado, é possível ver fenômenos perturbadores como o (re)aparecimento de fascismos variados, os quais literalmente mostram a cara – e as garras! – no saudosismo de uma ditadura que sequer viveram. Em contraste – e até em oposição –, jovens pobres e muitas vezes negros resolvem cobrar a promessa não cumprida de liberdade e profanam os templos do consumo, na era da religião do deus dinheiro, com os chamados rolezinhos. Com Junho, o conflito floresce de forma intangível e a imagem de uma sociedade pactuada e integrada se desfaz: “a classe média agora entendeu a repressão policial que os negros e pobres sofrem todos os dias”.

As direitas e a grande mídia também tentaram se apropriar do poderoso grito de junho, dirigindo as ruas contra o Governo Dilma, depois da grande explosão do dia 17 de junho. A esquerda institucional também tentou emplacar suas estruturas e narrativas sobre junho. O “Dia Nacional de luta”, promovido pelo movimento sindical e outros movimentos sociais no dia 11 de julho de 2013, com carros de som, falas intermináveis, lutas por inscrições dos representantes na Avenida Paulista e na Av. Presidente Vargas no Rio, apenas mostrava que os formatos tradicionais das lutas precisavam ser radicalmente repensados. A retomada estatal (os 5 pactos da Dilma) chegou com a ideia de “estamos faz tempo trabalhando nisso ai que vocês agora pedem nas ruas”. O Governo e o Governismo não dialogavam de forma honesta com o acontecimento, muitas vezes o acusando de “conservador” e “manipulado pela direita”. Só conseguiram fabricar um storytelling artificial que buscava se inserir na linguagem da TV e no marketing político. Porém, os relatos únicos sobre junho fracassariam, diluídos na coreografia plural das redes e das ruas.

No entanto, Junho seguia afetando mesmo os mais céticos. Setores importantes da esquerda começavam a incorporar as pautas da desmilitarização da Polícia Militar, a luta pelo direito da livre manifestação, a radicalização contra os monopólios dos poderes locais, a pressão pelas auditorias das empresas de ônibus. Todas as pautas que justamente emergiam com força das ruas e que passavam a ser “levadas a sério” com mais centralidade pelas esquerdas e pelos movimentos sociais mais consolidados.

O acontecimento Junho criou e ao mesmo tempo descobriu um novo Brasil. Seja por trazer novos atores para cena ou, quem sabe, por mostrar o que há por trás das cortinas da própria encenação. O processo em curso suscitou inúmeras inquietações, criando algumas delas ou fazendo-as chegar à superfície.

Quando Dilma Rousseff chamou o Movimento Passe Livre para dialogar, eles disseram que seria melhor se ela convidasse as periferias, negras e negros, povos indígenas. A multidão não tinha rosto. As lideranças rejeitavam ser portavozes das ruas. A volta da História seria, assim, a proliferação de histórias diferentes, lutas que se encontram e começam a interagir. Seria também um novo tempo contra a História, de mundos que nascem ou resistem ao desaparecimento. Um reencontro da política com as ruas, que imediatamente se conecta com territórios indígenas, com ocupações de praças e diferentes territorializações, que para a política de cima e de gabinetes fechados é uma não-história, um passado remoto, algo que não existe nem se vê.

Grupos, Redes ou Movimentos?

Por algum motivo, a multidão de Junho não tomou a forma de um novo movimento nacional, como aconteceu no Diren Gezi turco, no 15M espanhol ou no #YoSoy132 mexicano. Curiosamente, são muitos os que ainda falam “do movimento”. Os participantes do OcupaAlckmin, que acamparam na frente do Palácio de Governo de São Paulo, reconhecem que não são mais um grupo, mas sim uma rede. Junho é também uma rede criada. Uma rede de afetos, uma rede comunicacional, uma rede de troca de experiências. Um novo ecossistema social que não substitui o ecossistema prévio, mas que convive com ele. Os novos atores como Ocupa Estelita dialogam com Resiste Isidoro em BH, Ocupa Cais Mauá de Porto Alegre ou a Casa Amarela de São Paulo. Mas também trabalham junto ao MTST e os movimentos clássicos de moradia. O novo não anula o velho mas convive. Junho produziu também coexistências potentes e interessantes.

A multidão não tem nome. “O movimento” não tem nome. Tanto faz. Junho provocou o surgimento de um novo sistema de ação social.  Um sistema-rede no qual convivem novos atores (perfis, coletivos, movimentos, redes, identidades coletivas) e estruturas tradicionais (movimentos, partidos, sindicatos). Esse diálogo e convívio possibilitou, por exemplo, o sucesso da greve dos garis do Rio de Janeiro de 2014, por fora das estruturas das direções sindicais.

Junho – seja movimento, ecossistema, sistema rede ou nova gramática social – não é unicamente antagonista, “contra”, um dispositivo destrutivo. Junho resiste, mas também constrói. Os novos atores, dialogando com o que já existia de lutas, criam novos espaços de construção política. Junho constrói trilhas, caminhos, seja na Assembleia Popular e Horizontal de BH, ao redor do Parque Augusta de São Paulo, no Ocupe Estelita de Recife, no movimento Casa no Campus em São Luís, no “Fora Feliciano” ou em plataformas de mídia livre.

De fato, não foi o “Facebook”, uma plataforma bastante centralizada, a responsável pelo levante. Contudo, a maneira com a ferramenta, apesar de suas limitações, foi reinventada pela rede real das ruas teve efeitos relevantes. Os eventos criados na plataforma ganharam significado: se tornaram espaços autônomos de diálogo dentro do rígido Facebook, muitos destes vitais para tomar as ruas como mecanismo de convocação, cobertura em tempo real e troca de dados em geral.

Junho não teria sido possível sem a cultura de redes constituída ao longo dos últimos anos, e pela própria militância virtual durante o levante, mas tais redes devem ser pensadas como um agenciamento: humano/máquina, redes “concretas”/rede “virtual”; não a ferramenta em si, como se ela fosse dotada de poderes mágicos e autônomos, mas dos significados e subversões promovidos pelos ativistas.

As redes centralizadas clássicas (mass media, Governos, partidos) saíram vivas de Junho, mas tomaram um susto gigantesco. As diferentes topologias de rede conviveram, desfazendo consensos, inércias, fluxos lineares do passado. A maneira como os grandes jornais mudaram de opinião expõe muito bem isso: de repente, os editorais dos grandes jornais paulistanos pediam a repressão aos “vândalos”, mas rapidamente a “opinião pública” foi desdita pela construção em rede de uma verdade narrativa sobre o que aconteceu: editoriais desesperados expressando mudanças de opinião, colunistas conservadores pedindo desculpas pela condenação aos movimentos proliferaram.

O saber coletivo expresso em rede desmentiu versões oficiais, trouxe provas concretas de violações perpetradas por autoridades, promoveu enxames de links com streamings etc. Uma “nova verdade”, a partir da ótica dos oprimidos organizados em rede, desafiando a velha mídia. Da política mais tradicional, ao mesmo tempo, esperava-se o momento da necessária institucionalização: a rede era valorizada como um “momento de explosão das ruas”, mas o desfecho, segundo essa visão, deveria ser inexoravelmente institucional. A rede, no entanto, resistiria a tentativas apressadas de desconfigura-la. Uma vez com vida, ela não deixaria de tecer articulações e incluir nós horizontais em sua trama.

Junho está sendo

Os efeitos das jornadas que transformaram a política desde baixo estão em curso. A intersecção da realidade específica do Brasil com o ciclo global de lutas produz efeitos que ecoam com muita força há mais de um ano. Só uma cartografia das lutas pode nos fazer avançar sobre o terreno pantanoso das confusões, propositais ou não, acerca dos seus significados. Mas é preciso fazer uma cartografia que vá para além dos espaços e dos tempos, fornecendo um panorama real das lutas e dos modos que o movimento assume em realidades específicas. Uma cartografia, sobretudo, destes desejos, pois é disso que se trata a questão.

Fazer ecoar as vozes dos protagonistas multitudinários, anônimos e persistentes do fenômeno em curso é um pequeno – e imprescindível – passo nesse sentido. É o desafio aqui posto e por onde iniciamos. O desejo, sua potência e suas armadilhas, consiste no enigma que perpassa Junho; e justamente por isso Junho não se encerra em si, ele se ultrapassa. Ele não é, ele está, seu ser é movimento, ele está sendo.

Neste contexto, o livro Junho: Potência das Ruas e das Redes apresenta um conjunto de relatos das jornadas e dos desdobramentos daquela primeira onda de protestos.  Sem pretensão de totalidade, o livro traz uma série de relatos descontínuos e livres que indagam os acontecimentos e seus desdobramentos em narrações de protagonistas e observadores de primeira mão. Eles transmitem a multiplicação espontânea, a ocupação e reinvenção de espaços urbanos; a experiência inesquecível de ganhar uma praça, ocupar uma ponte, pular catracas e queimar símbolos do poder. Os textos relatam e analisam; tecem hipóteses e apresentam o tempo de outras ontologias políticas que tensionam a cidade, o país em toda sua diversidade.

A maioria dos textos do livro é de relatos hiper-locais. A paisagem é urbana. O ângulo de câmera quase sempre é fechado: não conseguimos enxergar um horizonte nacional, embora este se adivinhe na combinação de relatos que o supõem. O Brasil é, no máximo, uma hipótese. Todos sentem um pertencimento novo, emocional. Alguns falam do “movimento”, nomeando algo maior, claramente brasileiro, talvez global. As jornadas de junho colocaram sobre a mesa de cada região os problemas locais. Problemas urbanos, tensões contra as elites predatórias regionais que castigam o comum, as necessárias conexões emergiram afetando a todos e todas. Corpos afirmando suas existências nas ruas e produzindo coexistências. A indignação explodiu depois da truculência policial que sentimos nas ruas de várias cidades. Essa indignação conectou as diferentes cidades do Brasil. O desejo de maior participação política permeou tudo, transbordou.

Junho está sendo, junho é, junho será. Está vivo, dentro de nós, diluído nas novas subjetividades, flutuando sobre um novo ecossistema social, criando novos espaços de política lateral. Junho será, nas redes e nas ruas. Junho é. Vive nas micropolíticas, nos muitos projetos-processos sonhados de forma coletiva: nas cidades, favelas, universidades, nos quilombos, nas florestas, nos corpos que procuram liberdade. Chegará de surpresa, como uma nova explosão emocional, como nova gramática social.

aaron-swartz

[Atualização: a tese foi inscrita graças ao apoio de muitas pessoas. Aaron Swartz a luta segue!]

 

Contribuições às teses que serão discutidas durante o Congresso da Unifesp. O texto abaixo contou com a colaboração de inúmeras pessoas, em especial do grupo de trabalho “Ciência Aberta”.
Utilizamos esta plataforma para escrever a minuta, onde todas as contribuições individuais podem ser visualizadas: https://pad.riseup.net/p/tese-acesso-conhecimento

O texto finalizado para coleta de assinaturas é o que segue abaixo.

Professores, estudantes e técnicos da Unifesp que estiverem de acordo com a proposta e quiserem assina-la basta me enviar por email o nome + número SIAPE (caso professor ou tecnico) ou nome + matricula (caso estudante).

enviar para: opensocialsciences@gmail.com
assunto: tese ciencia aberta

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Deve o conhecimento ser livre? Sim!

Tese: A universidade deve promover a ciência aberta, o livre acesso à cultura e ao conhecimento.

Ciência, cultura e conhecimento são frutos da ação coletiva e constituem o bem comum (“commons”) que faz da universidade um importante espaço de criação, compartilhamento e difusão de idéias, de práticas e tecnologias. Se na sua origem a ciência moderna nutriu-se de uma importante publicização e abertura, baseado no escrutínio dos procedimentos e resultados, na possibilidade de sua ampla reprodução e modificação para novos aperfeiçoamentos e na ampla difusão social para aplicações diversas, hoje este commons encontra-se ameaçado.

De maneira análoga ao cercamento das terras comunais que deram origem à acumulação privada da terra, no atual contexto histórico a cultura, os diversos tipos de conhecimento, inclusive o conhecimento científico, estão sujeitos a novas formas de privatização, sendo tratados como bens materiais passíveis de apropriação exclusiva. Seja pela ampliação dos direitos de propriedade intelectual, através dos mecanismos de avaliação da produtividade científica, seja por uma cultura instrumental e proprietária na sua relação com o saber, observamos que tais dispositivos tem ensejado mais a competição entre os pares do que a cooperação, mais o bloqueio da criatividade do que o incentivo à inovação, introduzindo dinâmicas nocivas à produção e difusão de novos conhecimentos.

Enquanto muitos países de reconhecida produção científica e tecnológica estão reavaliando os efeitos negativos da privatização do conhecimento – quando a criação de patentes e direitos autorais são utilizados para bloquear a inovação de um possível competidor – o governo brasileiro espera fazer a modernização da produção científica e tecnológica mediante a inserção tardia no jogo da “inovação” em que as cartas do tabuleiro internacional já estão todas definidas.

Como evidências dessa tendência internacional, temos as análises do Nobel de economia e diretor do banco mundial Joseph Stiglitz[1.1], professor da Columbia University, de Paul David[1.2], professor emérito de Stanford e Oxford, da Nobel de economia Elinor Ostrom[1.3], entre outras, e ações concretas como a contratação pelo Ministério da Ciência Britânico do cofundador da Wikipédia Jimmy Wales[2], a licença e repositório de hardware aberto do CERN[3], o financiamento australiano ao desenvolvimento aberto de fármacos para malária[4], e também iniciativas no setor privado a exemplo da Open Invention Network[5] e da Tesla Motors[6]

Por acreditar que a universidade deve promover o livre acesso ao conhecimento e à cultura, e que a ciência cresce e se aperfeiçoa quanto mais partilhada, desejamos promover práticas instituicionais que fomentem a colaboração, o compartilhamento e o livre acesso à informação nas diversas fases da produção, ensino e difusão científica.

 

Propostas

 

  • Estender a promoção do acesso aberto (veja plataforma Scielo) a toda produção científica financiada com recursos públicos. Haja visto que no suporte digital as regras baseadas na escassez não fazem mais sentido. Hoje é sabido que a livre circulação de edições digitais contribui para o aumento das vendas das versões impressas do mesmo trabalho, além de ampliar o acesso e o público a esses recursos.
  • Adotar protocolos para o compartilhamento dos procedimentos de pesquisa e dos bancos de dados produzidos pela comunidade científica para fortalecer a cooperação na utilização das informações produzidas (veja o projeto Open Source Malaria).
  • Fomentar o software livre na universidade e a adoção de padrões abertos para arquivos e materiais digitalmente disponíveis como um passo importante para ampliar o acesso, uso, e trabalho colaborativo entre pesquisadores e instituições no Brasil e ao redor do mundo. As tecnologias (hardware e software) criadas e adotadas em nossas práticas científicas e educativas podem se orientar pelo paradigma da abertura (veja o exemplo da Internet e da World Wide Web, tornada universal graças à adoção de protocolos informáticos abertos).
  • Promover os Recursos Educacionais Abertos (REA) através de formas alternativas de licenciamento autoral como política institucional da universidade. Quando os materiais educacionais utilizados em sala de aula e mesmo os produzidos pela comunidade são de acesso limitado – por edições esgotadas, barreiras de acesso a alunos que participam do curso em questão, livros restritos aos espaços das bibliotecas, contratos comerciais que alienam o autor etc – colocam professores, estudantes e pesquisadores numa zona cinzenta quanto ao direito autoral, além de limitar seriamente o acesso, compartilhamento e melhoria dos recursos didáticos, obstruindo o ciclo virtuoso de produção intelectual que é prática essencial na universidade. Considere-se bons exemplos como o programa de incentivos adotado pela UFPR[7] e o projeto de adoção de licenças livres pela Universidade Aberta do Brasil[8].
  • Desenvolver e institucionalizar mecanismos de reconhecimento e valorização de contribuições ao conhecimento produzido abertamente durante os processos de pesquisa e ensino, de modo que a produção de conhecimento e inovação abertos se torne uma atividade positiva na carreira de docentes, estudantes e demais.
  • Promover o monitoramento dessas produções abertas para que se possa contemplá-las nas avaliações das atividades da universidade, para seu próprio direcionamento como também embasando o investimento da sociedade na instituição e estimulando maior envolvimento público na produção e nos debates sobre ciência e tecnologia.

Uma universidade que se pretende inovadora na produção científica e socialmente comprometida deve promover práticas sociais e formas de produção de conhecimentos em que o commons (bem comum e não-rival – base da ciência, cultura e conhecimentos, mas também da coesão social) seja permanentemente nutrido e ampliado, resistindo portanto às tendências de apropriação exclusiva que contribuem para a corrosão da própria comunidade.

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[1.1] Stiglitz
http://scholarship.law.duke.edu/dlj/vol57/iss6/3/

[1.2] Paul David

http://siepr.stanford.edu/publicationsprofile/2791

[1.3] Elinor Ostrom

http://mitpress.mit.edu/books/understanding-knowledge-commons

[2]Jimmy Wales:
http://news.sciencemag.org/2012/05/u.k.-government-enlists-wikipedia-founder-open-access-policy

[3] CERN Open Hardware
http://www.ohwr.org/

[4] Open Source Malaria
http://opensourcemalaria.org/

[5] Open Invention Network
https://en.wikipedia.org/wiki/Open_Invention_Network

[6] Tesla Motors
http://www.forbes.com/sites/briansolomon/2014/06/12/tesla-goes-open-source-elon-musk-releases-patents-to-good-faith-use/

[7] Universidade Federal do Paraná – Política de Incentivo aos Recursos Educacionais Abertos:
http://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/ufpr-e-pioneira-na-valorizacao-de-recursos-educacionais-abertos-rea/

[8] REA (Recursos Educacionais Abertos) na Universidade Aberta do Brasil
http://www.capes.gov.br/images/stories/download/editais/Edital-1-2014-Unesco-TOR-17jul14.pdf

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Seleção de um(a) estudante para Bolsa de Extensão para o edital ProExt – 2014

Pimentalab: conhecimento local e tecnologias digitais

Apresentação

O Pimentalab é um laboratório de práticas sociais que objetiva integrar experiências de ensino, pesquisa e extensão. Atuamos em questões relacionadas à crescente mediação das tecnologias digitais na vida social, tendo em vista as transformações nos processos de produção de conhecimentos e nas dinâmicas sociopolíticas.

[conheça um pouco do projeto neste site]

Ao promover usos alternativos das tecnologias de informação, investigamos como os processos sociais adquirem configurações específicas através das mediações técnicas, observando tanto as dinâmicas micropolíticas e os modos de subjetivação como as inter-relações com o contexto sociopolítico mais amplo.

Em nossas atividades a utilização das tecnologias de informação está orientada por uma concepção de apropriação tecnológica em que os sujeitos são provocados a reconhecer as dimensões sociopolíticas inscritas nesses dispositivos, incentivando-os à uma utilização criativa que supera, portanto, o uso meramente instrumental desses recursos. Ao combinar diferentes suportes e linguagens na realização do projeto, em especial a fotografia, vídeo, texto e a cartografia, tanto na web como em dispositivos móveis, pretendemos dinamizar formas de conhecimento e expressão em que os saberes estéticos-sensíveis cotidianos articulam-se aos saberes teóricos-abstratos. Tal abertura é fundamental para que possamos reconhecer e dar existência tangível a novos conhecimentos e práticas sociais locais.

Para isso, o projeto realiza diversas atividades (oficinas, eventos, pesquisas) de experimentação e difusão de tecnologias digitais. Em suma, trata-se de desenvolver experiências em que possamos investigar as transformações na relação saber-poder em contextos específicos, tendo como vetor de análise a mediação sociotécnica em sua dupla dimensão tecnopolítica e tecnoestética.

Seleção para o Edição 2014 ProExt/MEC

Os bolsista do ProExt deverá participar da criação, implementação, acompanhamento e suporte de diferentes atividades promovidas pelo Pimentalab. Na edição 2014 a realização de oficinas e eventos (conforme apresentação acima) pretende convergir com dois outros objetivos: implementar uma plataforma digital com aplicativos para uso público e constituir uma rede social (e digital) de colaboração com um público específico. Os estudantes selecionados poderão atuar em dois eixos temáticos: (1) tecnologia e processos sociopolíticos; (2) ensino de sociologia e formação de professores.

Atividades a serem desenvolvidas

(1)formação e pesquisa temática;

(2)criação e manutenção de banco de dados;

(3)capacitação técnica no uso de softwares livres;

(4)alimentação contínua do sistema de gestão e avaliação;

(5)gestão financeira do projeto;

(5)sistematização e publicação das informações na plataforma online do projeto;

(6)realização de oficinas e atividades de campo;

(7)participação nas atividades de planejamento do projeto;

(8)participação nos seminários de estudos do grupo de pesquisas.

(9)produção de relatórios.

Período de vigência da bolsa:

de 01/09/2014 a 30/12/2014 (4 meses).

Carga Horária Semanal: 16 horas.

Valor da Bolsa (4 bolsistas): R$400,00.

Requisitos e indicadores para classificação:

(a)alunos regularmente matriculados no curso de Ciências Sociais, História, Letras, Filosofia, Pedagogia ou História da Arte;

(b)bom desempenho acadêmico e interesse em atividades de pesquisa;

(c)interesse na utilização intensiva de tecnologias de informação e comunicação;

(d)capacidade para trabalhar coletivamente: autonomia, colaboração, planejamento em equipe, escuta, participação ativa, capacidade de sistematização e compartilhamento de informação.
(e)conhecimentos técnicos básicos de informática e motivação para o aprendizado de novas softwares e tecnologias de comunicação.

(f) familiaridade com as tecnologias e atividades já desenvolvidas pelo Pimentalab.

(g)tempo disponível conforme carga horária proposta;

(h)não acumular o recebimento de outra bolsa (exceto bolsas de auxílio social).

Processo de Inscrição:

O candidato deverá se inscrever por e-mail enviando uma mensagem:

[para] opensocialsciences@gmail.com

[assunto] PROEXT-Pimentalab

Anexar à mensagem:

(a)Nome, telefone e email para contato;

(b)Cópia do histórico escolar atualizado (pode ser a versão online);

(c)Carta de motivação em atuar no Pimentalab e descrevendo suas habilidades e interesses de pesquisa e atuação (até duas páginas);

Cronograma da inscrição e seleção:

Inscrição via email: de 11/08/2014 a 27/08/2014.

Entrevistas e seleção: de 27 a 29 de agosto de 2014.

 

A partir de agosto de 2014 ofereço a segunda edição da disciplina Sociedade e Tecnologias Digitais no curso de Ciências Sociais da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Unifesp/Guarulhos. O programa do curso anterior está disponível na Wikiversity, onde construímos e documentamos todo o percurso da disciplina – https://pt.wikiversity.org/wiki/Sociedade_e_Tecnologias_Digitais/2012

O curso é oferecido como disciplina eletiva para estudantes da EFLCH/Unifesp e como curso de extensão para professores de sociologia da rede pública ou educadores/agentes socioculturais.

 

Inscrições como curso de extensão:

Período: 14/7/2014 a 31/7/2014.

Vagas limitadas (o número pode variar conforme o número de estudantes regulares no curso).

Formulário de inscrição: https://docs.google.com/forms/d/1XGMkkOlYUJLSof-yM7UsHo3zmz0QYeeom0hauZi0DF4/viewform?usp=send_form

Critérios de seleção:

(1) adequação ao perfil (professor e/ou educador com vínculo em escola, organização social).

(2) manifestação de interesse.

(3) ordem de inscrição.

Resultado inscrição: 11/08/2014.

Início curso: 27/08/2014 (presença inicial exigida para confirmação de interesse).

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PARRA, Henrique Z. M. Sujeito, território e propriedade: tecnologias digitais e reconfigurações sociais. Contemporânea – Revista de Sociologia da UFSCar, São Carlos, v.4, n. 1, jan.-jun. 2014, pp. 183-209. DOWNLOAD

 

Resumo:  Neste artigo, partimos de uma abordagem sociológica que analisa os fenômenos de mediação técnica sob o duplo aspecto da construção sociopolítica da tecnologia e de sua tecnicidade específica. Em seguida, investigamos as reconfigurações sociais, em três domínios distintos (o sujeito, o território e a propriedade), relacionadas à mediação das tecnologias digitais de comunicação. Interessa-nos observar a maneira como essa mediação técnica específica modifica algumas das fronteiras (conceituais e práticas) historicamente construídas sobre cada um desses elementos. Concluímos indicando a emergência de um novo campo político que tem como objeto de disputa as configurações (sociais e técnicas) que governam o funcionamento dos dispositivos digitais.

Palavras-chave:  tecnologias digitais; sociotécnica; tecnicidade; mediação; política.

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Seleção de Bolsistas de Extensão para o edital ProExt – 2014

Pimentalab: conhecimento local e tecnologias digitais

Apresentação

O Pimentalab é um laboratório de práticas sociais que objetiva integrar experiências de ensino, pesquisa e extensão. Atuamos em questões relacionadas à crescente mediação das tecnologias digitais na vida social, tendo em vista as transformações nos processos de produção de conhecimentos e nas dinâmicas sociopolíticas.

Ao promover usos alternativos das tecnologias de informação, investigamos como os processos sociais adquirem configurações específicas através das mediações técnicas, observando tanto as dinâmicas micropolíticas e os modos de subjetivação como as inter-relações com o contexto sociopolítico mais amplo.

Em nossas atividades a utilização das tecnologias de informação está orientada por uma concepção de apropriação tecnológica em que os sujeitos são provocados a reconhecer as dimensões sociopolíticas inscritas nesses dispositivos, incentivando-os à uma utilização criativa que supera, portanto, o uso meramente instrumental desses recursos. Ao combinar diferentes suportes e linguagens na realização do projeto, em especial a fotografia, vídeo, texto e a cartografia, tanto na web como em dispositivos móveis, pretendemos dinamizar formas de conhecimento e expressão em que os saberes estéticos-sensíveis cotidianos articulam-se aos saberes teóricos-abstratos. Tal abertura é fundamental para que possamos reconhecer e dar existência tangível a novos conhecimentos e práticas sociais locais.

Para isso, o projeto realiza diversas atividades (oficinas, eventos, pesquisas) de experimentação e difusão de tecnologias digitais. Em suma, trata-se de desenvolver experiências em que possamos investigar as transformações na relação saber-poder em contextos específicos, tendo como vetor de análise a mediação sociotécnica em sua dupla dimensão tecnopolítica e tecnoestética.

Seleção para o Edição 2014 ProExt/MEC

Os bolsistas do ProExt deverão participar da criação, implementação, acompanhamento e suporte de diferentes atividades promovidas pelo Pimentalab. Na edição 2014 a realização de oficinas e eventos (conforme apresentação acima) pretende convergir com dois outros objetivos: implementar uma plataforma digital com aplicativos para uso público e constituir uma rede social (e digital) de colaboração com um público específico. Os estudantes selecionados poderão atuar em dois eixos temáticos: (1) tecnologia e processos sociopolíticos; (2) ensino de sociologia e formação de professores.

Atividades a serem desenvolvidas

(1)formação e pesquisa temática;

(2)criação e manutenção de banco de dados;

(3)capacitação técnica no uso de softwares livres;

(4)alimentação contínua do sistema de gestão e avaliação;

(5)gestão financeira do projeto;

(5)sistematização e publicação das informações na plataforma online do projeto;

(6)realização de oficinas e atividades de campo;

(7)participação nas atividades de planejamento do projeto;

(8)participação nos seminários de estudos do grupo de pesquisas.

(9)produção de relatórios.

Período de vigência da bolsa:

de 01/06/2014 a 30/12/2014 (7 meses).

Carga Horária Semanal: 16 horas.

Valor da Bolsa (4 bolsistas): R$400,00.

Requisitos e indicadores para classificação:

(a)alunos regularmente matriculados no curso de Ciências Sociais, História, Letras, Filosofia, Pedagogia ou História da Arte;

(b)bom desempenho acadêmico e interesse em atividades de pesquisa;

(c)interesse na utilização intensiva de tecnologias de informação e comunicação;

(d)capacidade para trabalhar coletivamente: autonomia, colaboração, planejamento em equipe, escuta, participação ativa, capacidade de sistematização e compartilhamento de informação.
(e)conhecimentos técnicos básicos de informática e motivação para o aprendizado de novas softwares e tecnologias de comunicação.

(f) familiaridade com as tecnologias e atividades já desenvolvidas pelo Pimentalab.

(g)tempo disponível conforme carga horária proposta;

(h)não acumular o recebimento de outra bolsa (exceto bolsas de auxílio social).

Processo de Inscrição:

O candidato deverá se inscrever por e-mail enviando uma mensagem:

[para] opensocialsciences@gmail.com

[assunto] PROEXT-Pimentalab

Anexar à mensagem:

(a)Nome, telefone e email para contato;

(b)Cópia do histórico escolar atualizado (pode ser a versão online);

(c)Carta de motivação em atuar no Pimentalab e descrevendo suas habilidades e interesses de pesquisa e atuação (uma página);

(d)Proposta de trabalho que gostaria de desenvolver tendo em vista os objetivos e eixos temáticos descritos acima (até 2 páginas).

Cronograma da inscrição e seleção:

Inscrição via email: de 13//05/2014 a 23/05/2013.

Entrevistas e seleção: de 27 a 30 de maio de 2014.

Resultado: 2 de junho de 2014.

saravea-banner-denuncia

Reproduzo abaixo nota de comunicação do Grupo Saravá, publicado em: https://www.sarava.org/pt-br/node/102

Aproveito para manifestar minha solidariedade a este importante coletivo, referência no Brasil e no exterior no desenvolvimento de pesquisas em tecnopolítica e na difusão de tecnologias que promovem o direito à comunicação e ao conhecimento. Graças ao apoio do Saravá, inúmeras ações de ensino, pesquisa e extensão que realizamos na universidade são possíveis.

Esta situação, justamente no momento em que o Brasil dá um importante exemplo com a recente aprovação do Marco Civil da Internet, é revelador da permanência de práticas anti-democráticas e desproporcionais que ameaçam o direito à liberdade de expressão, de organização e de conhecimento. Segue a nota:

====================================================================
Urgente – Grupo Saravá está prestes a perder seu principal servidor!
====================================================================

PRIMEIRO ROUBO DE DADOS APÓS APROVAÇÃO DO MARCO CIVIL:
ATAQUE POLICIAL À PRIVACIDADE PODE OCORRER DEPOIS DE EVENTO NETMUNDIAL.

Por conta de um processo que corre em segredo de justiça contra a Rádio Muda, a
mais antiga rádio livre em operação no Brasil, o principal servidor do Grupo
Saravá poderá ser apreendido nesta próxima segunda-feira 28/04 às 13:00.

A Rádio teve seus equipamentos apreendidos mais uma vez em 24 de fevereiro
deste ano[1]. Na esteira desse processo, a procuradoria do Ministério Público
Federal prosseguiu o inquérito, desta vez mirando os dados disponíveis no site
da rádio que possam identificar seus participantes. Uma requisição
do MPF assinada pelo Procurador Edilson Vitorelli Diniz Lima formalizou o
pedido.

O servidor do Grupo Saravá que está localizado na Universidade Estadual de
Campinas – Unicamp, hospedava a plataforma radiolivre.org, incluindo o site da
Rádio Muda – muda.radiolivre.org, e hospeda outros diversos projetos de pesquisa
e de extensão, relacionados além da Unicamp a outras universidades públicas
brasileiras.

O Saravá é um grupo de estudos que há dez anos oferece infraestrutura
tecnológica, reflexão política e sistemas de comunicação autônomos e seguros de
forma gratuita a grupos de pesquisa e movimentos sociais[2]. Em 2008 um dos seus
servidores já foi apreendido e até hoje não foi devolvido[3].

Agora, em 2014, logo após a aprovação do Marco Civil da Internet [4] e a
realização de uma conferência mundial sobre a internet na qual o Brasil tentou
figurar como bastião da proteção da liberdade na internet, nos deparamos com
mais uma tentativa de sequestro de dados, prejudicando a privacidade de projetos
de pesquisas e o livre acesso a informações com o fechamento de listas de
discussão, sites e ferramentas.

Julgamos desproporcional a quebra de sigilo de comunicação para os fins do
inquérito do MPF. Ademais, o servidor não possui registros que possam
identificar usuários/as como parte de sua política de privacidade[5].

Pedimos solidariedade a todos os grupos, indivíduos e instituições que lutam
por uma sociedade e uma internet livre. Na próxima segunda-feira 28/04 às 13h
haverá uma manifestação na frente do prédio do Centro de Processamento de Dados
do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, todo apoio é bem vindo.

Pela internet, haverá manifestação em redes sociais e através do envio de
mensagens de repúdio ao Ministério Público Federal. Hashtags: #SaravaLivre,
#netmundial1984, #sarava, #privacidade, #OurNetMundial, #marcocivildainternet

Exigimos a imediata interrupção das investidas policiais contra o servidor do
Grupo Saravá e os dados dos/as usuários/as.

[1] http://intervozes.org.br/fechamento-da-radio-muda-e-mais-um-atentado-contra-a-liberdade-de-expressao-no-brasil/
[2] Princípios do Saravá: https://www.sarava.org/pt-br/principios
[3] Sequestro do Saravá em 2008: https://www.sarava.org/pt-br/node/44
[4] Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm
[5] https://www.sarava.org/pt-br/privacidade

Seminário de Projetos - Pimentalab
Dia 9 de abril das 17:30 às 19:30
Sala 224 - Unifesp Guarulhos
Av. Monteiro Lobato; 609 (Campus Provisório)

Projeto de Iniciação Científica de Renato Ponzetto Aymberé
Título: Sociedade de Controle e nomes múltiplos: o caso Black Bloc
Texto disponível aqui

“Podemos definir nomes múltiplos como uma forma de se organizar politicamente em que um grupo de pessoas que adotam o mesmo pseudônimo e com ele passam a assinar manifestações das mais variadas naturezas, de intervenções artísticas ao hackeamento de sites; da destruição de símbolos da propriedade privada empresarial à autoria de livros.

Há dois tipos de nomes múltiplos, os abertos, onde, à priori, qualquer pessoa pode fazer utilizar o nome; e os fechados, em que apenas certas pessoas podem fazer uso do nome. Para estudar as relações de poder dentro de um nome múltiplo, optamos por analisar como se organiza o nome múltiplo Black Bloc, ou seja, procuramos compreender se dentro desse nome múltiplo alguns dos indivíduos que o constituem tem mais poder que outros, além de analisar a forma como o Black Bloc se enxerga e se promove em redes sociais e comunicados e, também, como a mídia os trata.”

Aymbere-nomes-multiplos

2013_07_11_ato_contra_monopolio_das_midias_manifestacao_cabral_6d_031

Experimentação e Modelagem de Campanhas de Mobilização em Saúde

Ale Abdo é doutor em física com passagem por departamentos de sociologia, comunicação e epidemiologia. Tem como programa de pesquisa a combinação de métodos sociológicos imersivos e análise matemática para compreender dinâmicas coletivas amparadas em tecnologias de informação.

Seu atual projeto de pesquisa investiga o impacto das condições de comunicação no sistema de saúde pública, através de intervenções em bairros de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Texto principal para discussão clique aqui
Texto complementar clique aqui

Data/Horário: 25/03 - 17:30
Local: Unifesp Guarulhos (campus provisório)
Sala de pesquisa 418 - Av. Monteiro Lobato; 679

cartaz

No final do ano o Governo do Estado de São Paulo anunciou duas parcerias da Secretaria de Educação com as empresas Google e Microsoft, conforme noticiado abaixo:

[1] http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=234431

[2] http://www1.folha.uol.com.br/tec/2013/11/1365358-estudantes-de-sp-terao-office-gratuito-para-ate-5-pcs-apos-parceria-com-microsoft.shtml

As reportagens sugerem a criação de iniciativas de colaboração para projetos educacionais mediante a oferta de serviços e recursos educacionais gratuitos, a estudantes e professores da rede.

No início do ano, solicitei à SEE/SP, mediante Lei de Acesso à Informação, informações sobre os convenios ou termos de cooperação existentes. Recebi da SEE/SP, dentro do prazo correto, cópia dos dois termos de intenções. Anexei-os nos links abaixo:

SIC 7766914298 – Acordo de Cooperação -Microsoft

SIC 7700514297 – PARCERIA GOOGLE

Pra resumir, os documentos são idênticos e não apresentam, por hora, informações relevantes, salvo a intenção de firmar essas parcerias. Todavia, interessa-nos saber os termos e condições dessas parcerias com essas empresas. São diversos os fatores que nos preocupam, por isso acho fundamental que acompanhemos de maneira atenta a evolução deste caso.