Nas últimos 24hs vivi duas experiências, no uso de tecnologias digitais, que reforçam um sentimento sobre a contribuição simultaneamente cognitiva e política dos hackers. Ontem acompanhei uma oficina sobre instação de linux em tablets condiderados obsoletos; e hoje tive que mergulhar no mundo de tutoriais, wikis e fóruns para resolver um bug num arquivo de texto que quase destruiu um trabalho realizado.

Em ambas situações, a questão do acesso ao conhecimento é fundamental. As dificuldades técnicas para vencer as limitações e bloqueios de hardware, os saberes necessários para construir programas alternativos e retomar, de alguma forma, nosso controle sobre os dispositivos que utilizamos, e minimizar os efeitos da obsolescência programada ou o poder das grandes corporações. Tudo isso só é possível porque há muita gente que luta diariamente pela direito à informação e ao conhecimento livre. Neste fazer, compreende-se rapidamente as forças em jogo e toda a economia politica envolvida na produção das máquinas e softwares que utilizamos no dia a dia.

Neste universo, destaca-se com frequência como os hackers detém ou produzem um conhecimento e uma expertise que lhes permitem agir na contra-corrente daquilo que estava previamente “programado”. A criação de contra-saberes faz parte do desenvolvimento de contra-condutas.

Porém, a despeito da importância dessa expertise, talvez a principal potência de sua cultura, e penso que aí reside uma inovação política, é o fato de que os objetivos que eles pretendem realizar são indissociáveis da criação e manutenção dos meios que sustentam suas ações.

A produção de wikis, fóruns de discussão, disponibilização e organização voluntária de informações em documentação pública, é toda uma economia apoiada em valores e princípios éticos e políticos. Esse modo de conhecer e as práticas de investigação e compartilhamento que a caracterizam, também necessitam de máquinas, cabos, servidores web, aplicativos e serviços, acesso à rede etc, que funcionem sob determinadas condições para que este modo de conhecer (que é também um modo de produzir comunidade) possa acontecer.

Em resumo, para ter acesso ao conhecimento, em especial conhecimento que “faz diferença”, é preciso criar toda uma infraestrutura e uma comunidade que a sustente. Neste caso, a ação e realização de um objetivo depende de uma prática que por sua vez apoia-se na existência de certas condições materiais e simbólicas. É um bom exemplo de como um comunidade de práticas é simultaneamente uma comunidade epistêmica e política.

Chris Kelt fala dessa característica das comunidades de software livre em termos de uma propriedade recursiva. Ao mesmo tempo que a comunidade age para realizar seus objetivos ela vai modificando o meio em que atua para criar melhores condições para a continuidade de suas ações, ela aprender e também se modifica.

Aqui, meios e fins são indissociáveis na prática. É por isso que gosto de pensar nessas comunidades de prática como um exemplo de uma mesopolítica. Elas atuam concretamente no cotidiano aparentemente micro da reprodução social, mas sem perder de vista a dimensão macro; uma política que se realiza “através” ou “pelo meio”.

Muitos de nós, pesquisadores, acadêmicos, cientistas profissionais e amadores, estamos lá e adoramos: Academia.edu. Tal plataforma se tornou rapidamente o equivalente profissional do nosso Facebook. E com o passar do tempo, as similaridades só crescem. Temos um feed, seguimos pessoas, recebemos sugestões interessantes de textos e sobre a produção de outras pessoas algoritmicamente selecionadas.

Sim, estou em ambos. E agora, organizando meu próprio êxodo. Neste processo, compartilho as razões, as informações coletadas e algumas alternativas que vou encontrando pelo caminho.

No final de 2016, para surpresa de alguns, Academia passou a cobrar uma pequena taxa para que os usuários possam acessar serviços diferenciados. Por exemplo, para saber quem está baixando seus arquivos. Antes disso, já havia introduzido publicidade em suas páginas.

A plataforma, apesar do domínio .EDU é, na realidade uma .COM, ou seja, uma empresa. E da mesma forma como o Facebook ela faz fortuna com seu banco de dados.

A depender do serviço que utilizo na rede acho razoável pagar pela sua utilização. Afinal, a questão de sustentabilidade econômica de iniciativas no mundo digital é absolutamente “material”. Neste ambiente, como disse alguém que já não me lembro, “quando o serviço é gratuito, o produto é você”.

Em se tratando de uma plataforma destinada a colocar em contato pesquisadores, armazenar a produção científica, e estimular a interação entre os usuários, devemos nos preocupar com a maneira como nossos dados e as nossas interações estão sendo geridas.

Entretanto, quando estamos num ambiente de propriedade corporativa não temos acesso nem aos próprios dados e metadados que produzimos, muito menos ao código dos algoritmos que passam a governar o que lemos, com quem somos colocados em contato, para quais congressos somos convidados e por aí vai. Integrando nossos dados com outros bancos de dados disponíveis no amplo mercado dos data-brokers, começamos a receber emails personalizados, etc. Agregando agora novas camadas de estratificação no acesso mediante cobrança por serviços, amplia-se também o fosso entre pesquisadores e comunidades científicas que estão em situação financeira muito distintas, aumentando também problemas de ordem geopolítica.

E agora, também está em curso uma disputa pelo mercado de indexadores, indicadores e métricas de reputação, orçado em muitos bilhões de dólares. Além das 4-5 grandes corporações que controlam o mercado editorial acadêmico, agora temos outras gigantes do mundo digital, como Google, disputando a indexação acadêmica e oferecendo novos indicadores de visibilidade (como o Google Schoolar). Academia.edu, da mesma forma, revela em suas propagandas como os cientistas podem usar as métricas oferecidas pela plataforma como indicadores de impacto que podem ser úteis em seus departamentos para a progressão na carreira.

E assim, voluntariamente, enamorados pelos pequenos benefícios que recebemos através da utilização dessas plataformas (são úteis e práticas, ajudam a ampliar a visibilidade do meu trabalho, tenho mais leitores e entro em contato com pessoas interessantes) vamos pouco a pouco produzindo um grande Leviatã.

Podemos investir nosso tempo em habitar outros ambientes que já existem. E se não são adequados, podemos rapidamente torná-los lugares mais interessantes para compartilhar nossos trabalhos. Para a livre produção de conhecimento científico, devemos ter pleno controle de nossos dados e metadados; as plataformas devem oferecer interoperabilidade com repositórios científicos institucionais; deve-se utilizar software livre para garantir a possibilidade de escrutínio público e científico dos sistemas de indexação e de produção de métricas, entre outras coisas.

A criação de uma comunidade acadêmica autônoma não pode funcionar como um condomínio de jardins murados, submetido a um sistema de decisão e regras absolutamente opacas, como no caso das plataformas corporativas.

E talvez, o mais difícil nisso tudo, seja tornar tangível os efeitos futuros da  governamentalidade algorítmica em curso sobre o ecossistema de produção de conhecimento científico. Como podemos desenvolver outras práticas sociais capazes de interrogar nosso modo de subjetivação, nossa servidão maquínica, nossa captura cotidiana provocada por esses dispositivos tão sedutores? Neste mundo cibernético somos totalmente livres para produzir silenciosamente nossa própria servidão.

O que fazer? Não sei, seguimos praticando e pesquisando! Escrevo nos sites/blogs que mantenho; faço uso de licenças autorais livres; deposito meus trabalhos em repositórios institucionais de livre acesso (open access); organizo parte de minhas atividades de ensino e pesquisa na Wikiversity.org ; recuso escrever e fazer pareceres para periódicos que não são de acesso livre; e agora estou organizando meu êxodo para fora do Facebook e da Academia.edu.

Uma coisa fácil de se fazer, e isso poderia ser uma exigência institucional (ao menos nas universidades públicas), é o depósito de nossas publicações nos repositórios da instituição. A Unifesp, onde trabalho, está implantando o seu: http://repositorio.unifesp.br . Vou começar a colocar minhas publicações neste repositório. Ele gera links persistentes que podem ser utilizados para divulgação em outras plataformas.

Ao invés da Academia.edu vou começar a utilizar o http://zenodo.org e testar o https://www.scienceopen.com/ Agradeço se tiverem outras sugestões. Por fim, listei abaixo, alguns artigos que li nas últimas semanas sobre o Academia.edu. Recomendo a leitura para ajudar no debate.

Evento: Por que não estamos boicotando Academia.edu?
http://disruptivemedia.org.uk/why-are-we-not-boycotting-academia-edu/

Um relato sobre o evento:
https://thewinnower.com/papers/5014-event-report-why-are-we-not-boycotting-academia-edu

Análise crítica sobre o Academia.edu:
http://www.plannedobsolescence.net/academia-not-edu/

Outra análise sobre ResearchGate e Academia.edu
http://blogs.discovermagazine.com/crux/2017/02/01/who-isnt-profiting-off-the-backs-of-researchers/#.WJsJr7Mtjrc

Tutorial e software para migrar seu conteúdo do Academia.edu para o ZENODO.org
http://numismatics.org/pocketchange/open-access-academia-edu-and-why-im-all-in-on-zenodo-org/

Atualmente, há muita discussão sobre os efeitos provocados pelos direitos de propriedade intelectual (DPI) sobre os ambientes de produção/difusão de conhecimentos (científica e extra-científica) e as dinâmicas de inovação. Se por um lado, os DPI podem ser utilizados como forma de proteção dos conhecimentos (contra a expropriação de outrém) e como mecanismo de incentivo monetário à inovação tecnológica em certos segmentos, por outro lado, discute-se em que medida os DPI acabam impactando de forma negativa sobre a produção/circulação do conhecimento e funcionando como instrumento jurídico de bloqueio à inovação.

Por isso, há muita controvérsia se os efeitos sobre o ecossistema de inovação (que sempre envolve a relação entre vários atores e instituições) é mais positivo ou negativo, sobretudo, em se tratando da pesquisa científica, onde a dimensão pública do conhecimento é constitutiva da própria dinâmica científica (necessidade de verificação entre pares, reprodutibilidade dos experimentos, construção a partir do estoque anterior de conhecimentos etc).

No caso da Universidade, essas questões ganham relevância na medida em que as políticas de inovação tecnológica através da interação universidade-sociedade (com empresas, governos, etc), devem impactar positivamente no ambiente acadêmico, fortalecendo relações mais colaborativas no interior da própria comunidade científica e criando sinergias que ampliem as condições de produção/circulação de conhecimento e de inovação.

Neste sentido, pode-se pensar numa diversidade de formas de propriedade intelectual, modelos de licenciamento e livre acesso à informação, que possam ser combinadas para estimular um ambiente mais inovador para a pesquisa e inovação tecnológica. Exemplo disso, temos observado nas ultimas décadas o florescimento de inúmeras iniciativas de inovação aberta, como aquelas adotadas em grandes empreendimentos científicos e industriais. Em suma, trata-se de identificar os contextos específicos de aplicação dos conhecimentos produzidos na Universidade, afim de verificarmos qual dinâmica de circulação e acesso terá maior impacto (positivo) sobre o ecossistema de produção de conhecimentos e de inovação como um todo.

Site: http://tropixel.ubalab.org/pt-br/15-ciencia-aberta

tropixel

 

 

Semana de atividades e debates sobre ciência aberta, dentro do Festival da Mata Atlântica em Ubatuba.

Tropixel Ciência Aberta é uma programação desenvolvida pela rede Tropixel e pela plataforma Ciência Aberta Ubatuba dentro do Festival da Mata Atlântica no início de junho de 2015, em Ubatuba. Consistirá em oficinas, debates e um laboratório temporário trabalhando temas como o acesso a dados científicos, a relação entre ciência e desenvolvimento, ferramentas colaborativas em rede e equipamentos científicos abertos.

1. Oficina Hardware Científico Aberto

1 e 2 de junho, das 13h30 às 17h30. Etec Centro Paula Souza (Castro Alves 392, Itaguá).

Oficina para alunos de escolas públicas de nível médio e/ou técnico. Propõe a montagem de equipamentos de monitoramento ambiental baseados em software livre, hardware aberto e componentes eletrônicos de baixo custo. Inscrições abertas no formulário disponível aqui.

Facilitadores: Ricardo Guima-San e Gina Leite (Gypsyware/Memelab).

2. Painel Ciência Aberta

3 de junho, das 13h30 às 19h. Auditório do Aquário de Ubatuba (Guarani 859, Itaguá).

Debates e apresentações sobre Ciência Aberta e Colaborativa, explorando suas implicações e potencial no contexto local de Ubatuba e entorno. Ao fim do painel haverá o lançamento do Guia de Práticas Abertas e Colaborativas em Ciência.

14h a 16h – Territórios e conhecimento

  • Diogo Soares (Observatório Litoral Sustentável);
  • Maira Begalli (UFABC);
  • Representantes do Fórum de Comunidades Tradicionais;
  • Álvaro Fazenda (Forest Watchers / UNIFESP SJC);
  • Lica Simões (Redelitoral / ITA).

16h – Coffee Break

16h30 a 18h30 – Fronteiras abertas

  • Cândido Moura – (Ubatubasat / Escola Técnica Tancredo Neves);
  • Rachel Jacobs – (Active Ingredient);
  • Jorge Machado – (EACH USP);
  • Juliana Bussolotti (Associação Cunhambebe) e Humberto Gallo (PESM).

18h30 – Ciência em Construção

  • Leslie Chan (OCSD) – participação remota;
  • Lula Fleischman – Lançamento do guia de ciência aberta e colaborativa.

3. Laboratório #mozsprint: Mozilla Science Global Sprint

4 e 5 de junhom das 10h às 17h.

Dois dias de laboratório aberto, desenvolvendo protótipos e projetos ligados às ideias de ciência aberta e colaborativa. O lab faz parte do Mozilla Science Global Sprint, evento que acontecerá simultaneamente em várias partes do mundo. Algumas atividades previstas são:

  • Mutirão digital de dados científicos sobre Ubatuba;
  • Performing data hackday + Redes de sensores Infoamazonia;
  • Oficinas de tecnologias colaborativas para projetos científicos;
  • Edição colaborativa do Guia da Ciência Aberta;
  • Incubadora de projetos científicos abertos.

Organização

Apoio

saravea-banner-denuncia

Reproduzo abaixo nota de comunicação do Grupo Saravá, publicado em: https://www.sarava.org/pt-br/node/102

Aproveito para manifestar minha solidariedade a este importante coletivo, referência no Brasil e no exterior no desenvolvimento de pesquisas em tecnopolítica e na difusão de tecnologias que promovem o direito à comunicação e ao conhecimento. Graças ao apoio do Saravá, inúmeras ações de ensino, pesquisa e extensão que realizamos na universidade são possíveis.

Esta situação, justamente no momento em que o Brasil dá um importante exemplo com a recente aprovação do Marco Civil da Internet, é revelador da permanência de práticas anti-democráticas e desproporcionais que ameaçam o direito à liberdade de expressão, de organização e de conhecimento. Segue a nota:

====================================================================
Urgente – Grupo Saravá está prestes a perder seu principal servidor!
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PRIMEIRO ROUBO DE DADOS APÓS APROVAÇÃO DO MARCO CIVIL:
ATAQUE POLICIAL À PRIVACIDADE PODE OCORRER DEPOIS DE EVENTO NETMUNDIAL.

Por conta de um processo que corre em segredo de justiça contra a Rádio Muda, a
mais antiga rádio livre em operação no Brasil, o principal servidor do Grupo
Saravá poderá ser apreendido nesta próxima segunda-feira 28/04 às 13:00.

A Rádio teve seus equipamentos apreendidos mais uma vez em 24 de fevereiro
deste ano[1]. Na esteira desse processo, a procuradoria do Ministério Público
Federal prosseguiu o inquérito, desta vez mirando os dados disponíveis no site
da rádio que possam identificar seus participantes. Uma requisição
do MPF assinada pelo Procurador Edilson Vitorelli Diniz Lima formalizou o
pedido.

O servidor do Grupo Saravá que está localizado na Universidade Estadual de
Campinas – Unicamp, hospedava a plataforma radiolivre.org, incluindo o site da
Rádio Muda – muda.radiolivre.org, e hospeda outros diversos projetos de pesquisa
e de extensão, relacionados além da Unicamp a outras universidades públicas
brasileiras.

O Saravá é um grupo de estudos que há dez anos oferece infraestrutura
tecnológica, reflexão política e sistemas de comunicação autônomos e seguros de
forma gratuita a grupos de pesquisa e movimentos sociais[2]. Em 2008 um dos seus
servidores já foi apreendido e até hoje não foi devolvido[3].

Agora, em 2014, logo após a aprovação do Marco Civil da Internet [4] e a
realização de uma conferência mundial sobre a internet na qual o Brasil tentou
figurar como bastião da proteção da liberdade na internet, nos deparamos com
mais uma tentativa de sequestro de dados, prejudicando a privacidade de projetos
de pesquisas e o livre acesso a informações com o fechamento de listas de
discussão, sites e ferramentas.

Julgamos desproporcional a quebra de sigilo de comunicação para os fins do
inquérito do MPF. Ademais, o servidor não possui registros que possam
identificar usuários/as como parte de sua política de privacidade[5].

Pedimos solidariedade a todos os grupos, indivíduos e instituições que lutam
por uma sociedade e uma internet livre. Na próxima segunda-feira 28/04 às 13h
haverá uma manifestação na frente do prédio do Centro de Processamento de Dados
do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, todo apoio é bem vindo.

Pela internet, haverá manifestação em redes sociais e através do envio de
mensagens de repúdio ao Ministério Público Federal. Hashtags: #SaravaLivre,
#netmundial1984, #sarava, #privacidade, #OurNetMundial, #marcocivildainternet

Exigimos a imediata interrupção das investidas policiais contra o servidor do
Grupo Saravá e os dados dos/as usuários/as.

[1] http://intervozes.org.br/fechamento-da-radio-muda-e-mais-um-atentado-contra-a-liberdade-de-expressao-no-brasil/
[2] Princípios do Saravá: https://www.sarava.org/pt-br/principios
[3] Sequestro do Saravá em 2008: https://www.sarava.org/pt-br/node/44
[4] Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm
[5] https://www.sarava.org/pt-br/privacidade

No dia 23 de abril de 2013 o historiador Antonio Lafuente realizou duas apresentações na EFLCH/Unifesp, discutindo as mudanças nos regimes de produção de conhecimento científico e o papel dos cientistas amadores. Discutimos também a relação com as tecnologias digitais de comunicação, as políticas de controle e acesso à informação, propriedade intelectual e as novas ecologias do conhecimento.

Abaixo, os audios gravados de cada uma das mesas, e no final do post links para alguns textos de referência.

A primeira palestra – “A Promessa Amadora” – foi realizada pelos Departamento de História e Ciências Sociais.

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Palestra: Antonio-Lafuente-mesa1-palestra-parte1

Palestra: Antonio-Lafuente-mesa1-palestra-parte2

Debate com público: Lafuente-mesa1-debate-parte1

Debate com público: Lafuente-mesa1-debate-parte2

 

 

 

 

A segunda intervenção foi realizada junto à disciplina “Leituras do Fora”.

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Audio-Palestra-lafuente-leituras-do-fora-apresentacao-inicial

Audio Debate: lafuente-leituras-do-fora-debate-parte1

Audio-Debate: lafuente-leituras-do-fora-debate-parte2

 

Antonio Lafuente. Entrevista a Amador Fernández-Savater, El Público,
2009. Disponível em:
http://blogs.publico.es/fueradelugar/category/antonio-lafuente

Antonio Lafuente. Ciência 2.0. Disponível em:
http://www.madrimasd.org/revista/revistaespecial1/articulos/lafuente.asp


CONVITE: Cartaz_Lafuente_Local_Palestra
Texto base:Crowdsourced_Science_ global_amateurs-1

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Dia 8 de maio, no Arquivo do Estado, junto ao grupo de pesquisa HÍMACO (História, Mapas e Computadores) nos reunimos para discutir o uso de software livres e suas relações com os direitos autorais.

Seleciamos abaixo algumas referências teóricas sobre o tema. A mesma bibliografia foi utilizada no curso Sociedade e Tecnologias Digitais, no semestre passado, e está integralmente disponível aqui: http://pt.wikiversity.org/wiki/Sociedade_e_Tecnologias_Digitais/2012

  • Richard Stallman. (ordenados por ordem de prioridade. O Manifesto GNU é mais longo, voces podem se concentrar no 3 primeiros textos)
  • Lawrence Lessig. Cultura Livre, capítulo 10, “Propriedade”.

 

Complementar

Projeto Xamã

Aqueles que utilizam a web há alguns anos e que já construiram sites ou projetos na Internet sabem a tristeza que é quando um longo trabalho se perde na rede. A preservação da memória digital e da história na Internet é um grande desafio para pesquisadores, bibliotecários, infotrabalhadores, historiadores etc.

Durante meu doutorado resolvi construir um site (usando Plone) para fazer um percurso aberto de investigação. Ao criar o “Xamã“, minha idéia era compartilhar dados brutos e sistematizados, pedaços da tese e artigos ainda em redação, para tornar a trajetória de pesquisa mais colaborativa. O resultado foi muito satisfatório, e acredito que foi graças à metodologia adotada que consegui avançar sobre novos temas de estudo com relativa velocidade.

Para viabilizar tal empreitada utilizei-me na época (2005-2009) de um serviço gratuito de hospedagem oferecido pela FAPESP, denominado Incubadora Virtual – IV (atualmente fora do ar, mas que pode ser visualizado no WaybackMachine).

Este projeto – IV – era uma iniciativa inovadora que oferecia infraestrutura tecnológica em software livre para diversos projetos de pesquisa. Se não me falha a memória, no ápice do programa a Incubadora chegou a hospedar cerca de 530 projetos. O “Xamã”, nosso projeto, era apenas um deles.

A Incubadora Virtual fez parte de um conjunto de iniciativas promovidas pelo cientista da computação Imre Simon, professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP e considerado um dos “pais” da informática no Brasil. Porém, aos poucos, a Incubadora Virtual foi perdendo apoio e continuidade no interior da FAPESP. A perda do professor Imre é apenas um dos fatores que pode ter contribuído para o encerramento daquela importante iniciativa em software livre.

Já no final de 2009 a Incubadora começa a apresentar problemas técnicos. O suporte técnico já não é contínuo e diversos projetos hospedados começam a ficar com o acesso comprometido. Não me lembro ao certo em que momento a Incubadora saiu definitivamente do ar. Infelizmente, não houve uma política de desligamento gradual para que todos pudessem fazer uma transição tranquila para outras plataformas ou mesmo um backup dos conteúdos hospedados. No meu caso, todos os materiais organizados durante os quatro anos do doutorado ficaram perdidos. Felizmente, alguns anos depois, consegui contactar alguns dos responsáveis e eles conseguiram localizar e disponibilizar um backup.

Isso tudo me faz pensa na importância do registro da memória e de nossa história num contexto em que cada vez mais nossas informações e conhecimentos estão abrigados em ambientes digitais. Quem está coletando e organizando isso? Quem são os grandes “bibliotecários”? Quais as políticas de indexação e disponibilização dessas informações? Quem tem e terá acesso e sobre que condições? Como sabemos, tais questões são fundamentais na definição do passado, do presente e do nosso futuro.

Finalmente, e felizmente, hoje uma boa parte do site Xamã está de volta ao ciberespaço. Isso só foi possível graças ao colega Rhatto (que restaurou os dados), ao coletivo de tecnoativistas Saravá que apoia os projetos do Pimentalab, e também a esta iniciativa chamada “WayBackMachine“, mantida pela fundação Internet Archive, que tem feito um grande esforço para registrar e dar livre acesso a uma boa parte da internet que já foi “deletada” da história.

 

032

Mais um capítulo da série Capitalismo Acadêmico!

Li hoje duas notícias que nos alertam sobre as dinâmicas em curso sobre a complexa relação entre educação, pesquisa científica e economia:

O artigo do Felipe Cavalcanti, médico sanitarista e doutorando em Saúde Coletiva: Revista (“Pública”) de Saúde Pública cobrará R$ 1.500,00 para publicar artigo – (versao PDF). Além de apresentar o caso faz uma breve introdução e reflexão sobre o sistema de avaliação de periódicos científico (Qualis).

E na Folha de S.Paulo, a notícia do bonus de final de ano para professores e funcionários da USP: USP dá bônus a funcionários e professores em ano sem greve

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A próxima reunião do grupo de estudos foi excepcionalmente modificada para a sexta-feira, dia 01 de outubro às 18hs (sala a ser definida).

Para o encontro, sugiro a leitura desses pequenos textos, escritos pelo
próprio Richard Stallman.

(1) O que é o Software Livre?
http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt-br.html

(2) Porque o Software Deveria Ser Livre
http://www.gnu.org/philosophy/shouldbefree.pt-br.html

(3) Introdução ao Projeto GNU
http://www.gnu.org/gnu/gnu-history.pt-br.html

(4) O Manifesto GNU
http://www.gnu.org/gnu/manifesto.pt-br.html

Reproduzo abaixo um excelente artigo sobre o ACTA – Acordo Comercial Anti-Falsificação (Anti-Counterfeiting Trade Agreement). Tal acordo terá grandes impactos sobre a produção e acesso ao conhecimento e bens culturais.

Por Florent Latrive (Le Monde Diplomatique francês).

Versão em portugues aqui: Como o ACTA ameaça nossa liberdade.(trad.Antonio Martins).

MAIS INFORMAÇÕES: http://www.culturadigital.org.br/site/lda

Evento acontece no dia 13 de março, em São Paulo, e reúne gestores, organizações da sociedade civil, pesquisadores e educadores para debater a reforma da lei de direitos autorais; consulta pública deve ser lançada em abril

As tecnologias digitais ampliaram consideravelmente as possibilidades de acesso à informação e ao conhecimento e têm entusiasmado educadores, pesquisadores e estudantes no debate sobre a incorporação desses recursos na escola para melhorar a qualidade da educação.

No entanto, a legislação de direitos autorais em vigor apresenta restrições ao pleno desenvolvimento dos processos educativos. A Lei de Direitos Autorais (a chamada LDA, lei 9.610, de 1998) não permite que músicas, filmes, fotos, cópias de textos – mesmo aqueles que estão fora de circulação comercial – sejam usados para fins didáticos e educacionais. Escolas e universidades, assim como organizações não-governamentais que trabalham com atividades de formação, estão sujeitas a esses limites.