Curso – Tecnoceno, Virada Cibernética e Conflitos Cosmotécnicos

Campos de Lítio no Salar do Atacama, norte do Chile. Foto de Tom Hegen

No primeiro semestre de 2023, na pós-graduação em Ciências Sociais da Unifesp, realizaremos o curso Tecnoceno, Virada Cibernética e Conflitos Cosmotécnicos.

Nessa edição faremos o experimento de um curso simultâneo: presencial para pós-graduandos do PPGCS e remoto para pós-graduandos de outros programas de pós-graduação que estejam foram da região metropolitana de São Paulo (veja mais abaixo como participar).

[ementa] Na confluência dos estudos sociais em ciência e tecnologia (ESCT) e da teoria política (TP), a disciplina abordará um conjunto de problemas relacionados à tripla crise que enfrentamos: epistêmica (mutações no regime de verdade), política (erosão das instituições democráticas) e socioambiental (mudança climática). Nas últimas 3 décadas acompanhamos profundas transformações nos modos de exercício do poder, nas formas de produção de conhecimento e seus regimes de verdade, nos modos de subjetivação e ação política, através da crescente mediação das tecnologias digitais e cibernéticas em diversas esferas da vida. Divisores modernos que organizaram parte do mundo humano (relação tempo-espaço, público-privado, trabalho-não-trabalho, local-global, natureza-cultura, representantes-representados, experts-amadores, cientistas-leigos) passam por novas tensões e composições graças ao colapso de contexto multiescalar e às hibridizações provocadas pela crescente mediação cibernética. No Tecnoceno – como Hermínio Martins nomeia a atual ordem técnica do mundo – as tecnologias de informação digital são responsáveis por uma profunda tecnomorfia produzida na confluência do capitalismo, da tecnociência, da financeirização, da militarização e do extrativismo. Em seu livro Brutalismo, Achille Mbembe indica a necessidade de pensarmos esse cenário a partir do devir-artificial da humanidade, diante do aprofundamento das forças de extração, calculabilidade e conversão do vivo em recurso. Como a crescente mediação digital-cibernética da vida humana, a governamentalidade e personalização algorítmica se relacionam ao fortalecimento dos modos de subjetivação que amplificam as formas de vida neoliberal? Que relações podemos estabelecer entre a dataficação, a metafísica informacional, as mutações no regime moderno de autoridade científica e fenômenos como a pós-verdade? Como as tecnologias de comunicação digital, suas infraestruturas físicas, softwares e protocolos participam das reconfigurações nas formas de exercício do poder e nos arranjos entre atores estatais e corporativos? Quais as tensões e sentidos que a noção de soberania adquire diante de fenômenos como o colonialismo digital e as formas atualizadas de extrativismo? Como problemática estruturante nos perguntamos tanto sobre a configuração dos novos regimes cibernéticos e suas tecnologias de extração – impulsionadas pela pandêmia de Covid19 – como o que poderia ser também uma perspectiva tecnopolítica decolonial que percorra as reflexões alternativas às imaginações do “progressismo” e do “solucionismo tecnológico” que apresentam-se como horizonte da governamentalidade do capitalismo pós-pandêmico.

[programa] Ainda está em elaboração o programa do curso, mas uma versão beta com os possíveis tópicos iniciais estão sendo organizados nessa página da wikiversity que funcionará como nosso roteiro durante o semestre: https://pt.wikiversity.org/wiki/Tecnoceno,_virada_cibern%C3%A9tica_e_conflitos_cosmot%C3%A9cnicos

[como participar] As aulas acontecerão às quintas-feiras (9:30-12:30hs) presencialmente no Campus da EFLCH (Guarulhos) e num ambiente virtual sincrônico para os participantes externos que deverão participar ativamente no ambiente virtual (que será projetado na sala presencial). Os pós-graduandos externos à Unifesp poderão acompanhar o curso remotamente com presença obrigatória nas aulas síncronas no ambiente virtual. Nossa expectativa é ampliar as possibilidades de participação, porém mantendo a centralidade do curso no aprendizado coletivo, na discussão e interação sincrônica entre as presentes (físicos e virtuais). Portanto, a dimensão remota do curso não pretende massificar seu acesso. Para que possamos manter um bom nível de interação síncrona entre os partícipes (presenciais e retomos), limitaremos o número de estudantes externos ao PPGCS, os quais serão selecionados conforme o edital de matricula (veja no link abaixo):

[outras informações] A edição desse curso de 2023 surge de uma inflexão provocada pelo acontecimento pandêmico em nossa agenda de pesquisas no Pimentalab. Em 2021, realizamos uma primeira aproximação de alguns dos problemas que serão tratados nesse curso. [o registro do curso anterior está disponível aqui]. Nesse semestre, esperamos que o curso ajude a dar forma a um novo campo problemático e abra novas perspectivas de análise para os pós-graduandos partícipes. Um versão extendida dos temas/problemas descritos na ementa do curso, está melhor desenvolvida numa chamada para um dossie temático que estamos organizando para a Revista Mediações. O chamado para publicações está aberto.

Ementa completa da chamada: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/announcement/view/445

Mais informações sobre a chamada: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/announcement/view/446